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Prefeitura avança no projeto de transporte hidroviário na Billings

SPTrans definiu consórcio que vai fazer o projeto, que está prometido para 2024 e vai transportar passageiros entre Pedreira e Parque Residencial Cocaia

Por Hyndara Freitas
Atualizado em 28 Maio 2024, 09h08 - Publicado em 3 fev 2023, 06h00

Moradores da região da Represa Billings, na Zona Sul de São Paulo, podem ter nos próximos anos um novo modal de transporte inédito na cidade: o transporte hidroviário. A SPTrans homologou no fim de dezembro a contratação de um consórcio de empresas que farão estudos de licenciamento ambiental e o projeto para implementar uma embarcação que vai transportar passageiros entre a Pedreira, na Cidade Ademar, e o Parque Residencial Cocaia, no Grajaú.

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Intitulada Aquático SP, a medida tem previsão em uma lei sancionada em 2014 pelo então prefeito Fernando Haddad (PT). O projeto de lei partiu da Câmara Municipal, e seu autor foi o então vereador Ricardo Nunes (MDB), hoje prefeito da capital. Essa norma criou o Sistema de Transporte Público Hidroviário e previu sua integração ao sistema de transporte já existente em São Paulo, e seu custeio mediante a tarifa — assim como é com os ônibus. Assim, a ideia é que as pessoas que moram na região da Billings usem o Aquático junto aos ônibus da região, que sofre com congestionamentos constantes.

O Consórcio Projetista EAB, formado por três empresas de engenharia e que se consagrou vencedor da licitação, foi contratado pela SPTrans sob o custo de 4,9 milhões de reais e terá doze meses para apresentar projetos detalhados para a construção do modal, bem como o licenciamento ambiental e todos os laudos técnicos necessários. As empresas serão responsáveis por fazer o projeto de construção de dois terminais-atracadouros, o que inclui ainda alargamento das vias de acesso para esses locais. A ideia é que eles sejam atrelados a terminais e corredores de ônibus, de modo que os passageiros passem de um modal ao outro sem dificuldades.

O terminal de embarcações Cocaia deve ter 10 470 metros quadrados de área, enquanto o da Pedreira deve chegar a 18 000 metros quadrados. A travessia tem cerca de 3 quilômetros e deve ser feita em cerca de 25 minutos, um trajeto que hoje leva, de ônibus, cerca de uma hora e quarenta minutos.

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Outro edital, publicado em 6 de janeiro, visa a contratar uma empresa para fazer o levantamento da profundidade da represa e das variações nos níveis da água, para verificar que tipo de embarcação poderá ser usada no local. Para essa etapa, a SPTrans pretende gastar 1,6 milhão de reais. Para que o projeto se torne realidade, será necessário desapropriar algumas áreas, principalmente porque há muitas ocupações irregulares próximas à represa.

O arquiteto e urbanista Alexandre Delijaicov, que coordena o grupo de pesquisa Metrópole Fluvial da FAU-USP, que firmou um acordo de cooperação técnica com a SPTrans para estudar como deve ser feito o sistema de transporte público hidroviário, afirma que a travessia na Billings, que vai ser o projeto-piloto, vai “garantir dignidade para as pessoas que vivem ali, pois elas economizariam muito tempo da viagem diária ao deixar de ter que contornar a represa de ônibus”. Ele propõe que as embarcações sejam elétricas, e não movidas a combustíveis fósseis, que são poluentes, e ainda que haja uma política pública de educação ambiental mais abrangente na região da represa. “Estamos propondo escolas municipais de educação ambiental, até barco-escola. Também uma escola municipal de carpintaria naval para as crianças, de vela-remo e canoagem. Além de medidas de preservação ambiental, reflorestar e recuperar os braços das represas para retomar metros cúbicos de armazenamento de água”, sugere.

Outro ponto que é analisado com atenção pelo grupo é como garantir a maior eficácia do futuro sistema de transporte. “O ônibus tem o trânsito, no metrô e trem também há falhas nos trilhos, o espelho-d’água tem problemas de clima. Neblina, chuva, vento. A represa é uma caixa-d’água, não é um mar, que tem maré baixa e maré alta e a gente sabe quanto sobe e desce. Aqui não, é um lago artificial, e depende da chuva. O reservatório sobe e desce. Estamos estudando como garantir que o barco opere 95% a 97% do tempo, com o mínimo de falhas possíveis”, destaca. Delijaicov, que estuda o tema há décadas, afirma que é possível implementar transporte fluvial urbano em toda a região metropolitana, incluindo a represa de Guarapiranga e os rios Tietê e Pinheiros.

A prefeitura de São Paulo promete entregar o Aquático na Billings até 2024, último ano do atual mandato — o projeto está previsto no Programa de Metas da gestão Ricardo Nunes —, e afirma que ele vai beneficiar 385 000 pessoas, com a expectativa de transportar 10 000 passageiros por dia na travessia por barcos. A gestão será igual aos ônibus, com uma concessionária administrando o modal e a fiscalização e administração pela SPTrans. O custo total para operacionalizar o novo meio de transporte ainda está sendo calculado.

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Publicado em VEJA São Paulo de 8 de fevereiro de 2023, edição nº 2827

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