Avatar do usuário logado
Usuário

150 anos de Jaçanã: a história do bairro eternizado por Adoniran Barbosa

A região da Zona Norte foi polo de tratamento de leprosos e centro de produção cinematográfica

Por Guilherme Queiroz 25 set 2020, 06h00 | Atualizado em 5 jun 2026, 00h06
capa memória
Hospital São Luiz Gonzaga, aberto em 1904: durante anos operou como leprosário (Acervo Santa Casa de Misericórdia de São Paulo/Divulgação)
Continua após publicidade
150 anos de Jaçanã: a história do bairro eternizado por Adoniran Barbosa Priorizar nos meus resultados Google

Caminho para Minas Gerais, lar de um dos primeiros estúdios de cinema da capital e conhecido Brasil afora por fazer rima com “manhã” em O Trem das Onze. O Jaçanã passou a se chamar assim em 1930 — ganhou o nome de um pássaro que existia no pedaço — e comemora o aniversário em 14 de setembro.

Na época da fundação, em 1870, era chamado de Uroguapira e depois virou Guapira. A história anterior ao século XX é pouco conhecida. “Sabemos que era um caminho utilizado pelos bandeirantes e chegaram a achar que teria ouro por aqui”, explica Gustavo Ferreira, historiador que estuda a região ao lado de Luis Moraes e Fabio Argolo.

O local se tornou conhecido como um reduto da saúde. A Santa Casa paulista adquiriu uma fazenda na região e construiu ali, entre 1904 e 1911, dois hospitais: os atuais São Luiz Gonzaga e Dom Pedro II, antigo leprosário e “abrigo de inválidos”, respectivamente. “Pensava- se na época que o leproso precisava de ar puro”, explica Ferreira.

O grande número de funcionários impulsionou a ocupação da região. O desenvolvimento ganhou força com a chegada do trem, em 1910. “Era um ramal da linha que fazia parte da Estrada de Ferro Cantareira, feita para a construção da represa”, explica Ralph Giesbrecht, especialista em história ferroviária. Entre loteamentos de terras para a construção de moradias e indústrias vidraceiras e metalúrgicas, o local foi também polo do cinema brasileiro.

Quem Matou Anabela?
Filme Quem Matou Anabela?: no centro, Ana Esmeralda e Procópio Ferreira (Acervo Maristela Fimes/Divulgação)
Continua após a publicidade

De 1950 a 1959 a Cinematográfica Maristela funcionou no Jaçanã, ocupando quatro galpões de uma extinta fábrica de adubo. Ali trabalharam estrelas como Procópio Ferreira, Ruth de Souza e, é claro, Adoniran Barbosa. O sambista era ator e estrelou filmes, como A Pensão da Dona Estela. “Cada filme naquela época empregava cerca de 150 pessoas”, diz Marco Audrá, produtor-executivo da empresa, que completou setenta anos e hoje fica na Bela Vista.

+Assine a Vejinha a partir de 6,90.

Adoniran deu fama ao bairro com a canção que fala do trem que seguia até Guarulhos, com parada na Estação Jaçanã, desativada em 1965. “O governo deixou o povo demolir a estação, foi uma farra, gente se machucou”, diz Giesbrecht. A história é preservada no Museu Memória do Jaçanã, ainda fechado pela pandemia. Guarda o chapéu de Adoniran e relembra os tempos em que o Mercado Municipal estava a um trem de distância da Zona Norte.

Continua após a publicidade
A pensão da Dona Estela
Adoniram Barbosa: no filme A Pensão da Dona Estela, de 1956 (Acervo Maristela Fimes/Divulgação)

Publicado em VEJA São Paulo de 30 de setembro de 2020, edição nº 2706.

Continua após a publicidade

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

Revista em Casa + Digital Completo
Impressa + Digital
Revista em Casa + Digital Completo

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique.
Assinando Veja você recebe semanalmente Veja Rio* e tem acesso ilimitado ao site e às edições digitais nos aplicativos de Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Superinteressante, Quatro Rodas, Você SA e Você RH.
*Assinantes da cidade do RJ

A partir de R$ 39,99/mês