Aliado de Alckmin pede tombamento de Palácio dos Bandeirantes

Edmur Mesquita fez solicitação ao Condephaat ao saber das reformas realizadas pelo governador João Doria em vários ambientes da sede do governo

Ex-integrante dos governos de Mario Covas e de Geraldo Alckmin, ambos do PSDB, o ex-deputado Edmur Mesquita protocolou nesta segunda-feira (8) um pedido para que o Conselho de Defesa do Patrimônio, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat) tombe em caráter liminar o Palácio dos Bandeirantes, localizado na Zona Sul da cidade.

A solicitação foi feita pelo político depois que a VEJA SÃO PAULO noticiou que o governador João Doria realizou uma grande reforma na sede do governo paulista. Após um período sem informar quanto tinha gastado para repaginar vários ambientes do interior do palácio, Doria admitiu ter desembolsado quase 2 milhões de reais com a obra. Em nota, a assessoria de imprensa do tucano informou que as reformas foram a título de “manutenção de rotina, para conservação do patrimônio público”.

“O Palácio dos Bandeirantes não pode ficar sujeito a mudanças em razão das vontades de uma única pessoa, descaracterizando os valores da construção”, disse Mesquita à reportagem. “Essa é a preocupação”.

O Palácio dos Bandeirantes foi projeto em 1938 pelo arquiteto Marcello Piacentinni, misturando o estilo italiano com influências neoclássicas.

A empreitada de Doria, que contou com a consultoria de Joia Bergamo, uma decoradora de luxo da capital paulista, tinha por objetivo mudar as decorações da área íntima do Palácio, do Salão de Despachos e do antigo Salão dos Pratos, rebatizado de Sala São Paulo.

As intervenções realizadas pelo governador mudaram bastante a cara dos ambientes internos. Antes brancas, as paredes foram pintadas em tons de preto e cinza. Os detalhes em madeira também desapareceram. Muitos móveis antigos que ficavam expostos na sala foram cobertos por panos escuros.

Documento foi assinado por parlamentar que integrou governos de Covas e Alckmin

Documento foi assinado por parlamentar que integrou governos de Covas e Alckmin (Reprodução/Veja SP)

Apesar de não ser um imóvel tomado, o Palácio dos Bandeirantes é um museu, com um acerco com cerca de 4 000 peças, entre obras de Cândido Portinari e Aleijadinho. Para Mesquita, é importante tombar o prédio para preservá-lo como um todo. “Pedir para tombar o Palácio significa pedir para preservar a memória. A história”, afirmou.

Funcionários da sede do governo afirmaram que a área mais alterada por Doria foi a ala residencial. O setor, usado como residência dos antecessores de Doria, se tornou o ambiente de trabalho do tucano. Desde que assumiu o governo paulista, em 2019, Doria decidiu que continuaria morando em sua mansão no Jardim Europa. Assessores do governador disseram que ele mandou construir um banheiro para uso exclusivo na ala íntimda do prédio.

A Sala de Despachos tinha essa cara antes da reforma feita por Doria em setores do Palácio

A Sala de Despachos tinha essa cara antes da reforma feita por Doria em setores do Palácio (Divulgação/Veja SP)

Oficialmente, Doria e sua assessoria de imprensa negam que o projeto da reforma tenha tido um decorador responsável. Um assessor do tucano, no entanto, confirmou a VEJA SÃO PAULO que Joia Bergamo doou o projeto ao tucano. O Código de Ética do Estado proíbe que servidores públicos do Estado recebam benesses de empresas privadas. Permite apenas o recebimento de “brindes que não tenham valor comercial; ou não tenham valor elevado e sejam distribuídos a título de cortesia, divulgação, ou por ocasião de eventos especiais ou datas comemorativas”.

Além do mais, o trabalho da decoradora foi elogiada por vários convidados de Doria para um jantar no dia que o governador reinaugurou a nova versão da ala residencial, em 28 de fevereiro.

No requerimento, Mesquita pede o tombamento imediato da construção até que o Condephaat termine de concluir a análise de seu pedido. “Agindo de forma preventiva, solicito, liminarmente, seja editado ato competente que preserve o imóvel e seus agregados, evitando outras ações destrutivas”, escreveu no documento.

Mesquita foi um dos tucanos que deixou o PSDB depois que Doria chegou ao partido e até ameaçou a candidatura de Geraldo Alckmin à Presidência da República nas eleições de 2018.

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