4 depoimentos sobre o machismo
Impactados pela violência de gênero em diferentes âmbitos, estudantes entre 14 e 17 anos contam como convivem com o sexismo
A Vejinha ouviu adolescentes sobre a violência de gênero e o comportamento machista:
“Vejo que o machismo está ficando cada vez mais normalizado. Tenho muitos colegas que acompanham criadores de conteúdo redpill, por exemplo, e que têm pouca abertura para refletir. Acho muito difícil apontar para um amigo dizendo que o que ele fez foi machista, porque muitas vezes ele te xinga e às vezes custa a amizade. Se você fala sobre machismo para um grupo de meninos, vão falar que aquilo é chato, que tem tantos outros temas mais legais para conversar.” Miguel, 14 anos
“Na minha casa as coisas são muito claras. Meu pai sempre fala que não tem nada a ver isso de que, se você chorar, é menos homem, por exemplo. Além disso, se eu ou o meu pai fazemos uma brincadeira de mau-tom, minha mãe corrige na hora, e a gente ouve, procura entender onde erramos. Na escola é mais desafiador, porque cada pessoa tem um convívio familiar diferente, nem todo mundo trata esses assuntos em casa. Fico muito assustado com essa onda de machismo, porque tenho uma irmã e não consigo imaginar ela passando por uma situação assim, de desvalorização, sendo maltratada.” Victor, 14 anos
“É muito difícil essa impermeabilidade que a masculinidade tem. Quando falam de temas de gênero na aula, os meninos ficam quietos, ausentes. O feminismo não é só sobre as mulheres, a gente também precisa estar disposto a se abrir e entender. Além disso, a amizade masculina é muito violenta e superficial. Precisamos mudar o modo como nós, meninos, nos relacionamos.” João, 17 anos
“Faço parte do coletivo feminista desde que estou no sexto ano e, desde essa época, vejo as meninas relatando o que acontece na escola. Antes, em 2020, era um machismo muito grande e escancarado vindo dos colegas. Hoje, acho que se manifesta de um jeito mais estrutural, na forma como os meninos tratam as mulheres, professoras e alunas, de um jeito diferente, com mais desprezo intelectual, por exemplo. Muitas vezes são violências mais sutis, que você precisa estar familiarizada com elas para identificar, e talvez por isso tenha ficado mais normalizado. Acho que existe uma ignorância também, os meninos não estão dispostos a ouvir quando falamos de machismo ou feminismo. Eles precisam entender que fugir desse padrão de masculinidade também traz uma série de benefícios para eles.” Luiza, 17 anos







