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A comemoração dos 300 anos de Nossa Senhora Aparecida

Data traz festa, shows, peregrinações e a inauguração de uma estátua de 50 metros em homenagem à santa

Por Mariana Rosario Atualizado em 29 set 2017, 20h06 - Publicado em 29 set 2017, 06h00

Em meados de 1717, três pescadores amargavam um dia infrutífero no Rio Paraíba do Sul. Jogavam a rede, mas não vinha nada. No meio da jornada, o trio foi surpreendido pelo surgimento de uma estátua da Virgem Maria, que emergiu presa na armadilha de malha. Após o resgate da imagem, a sorte virou e os homens encheram o barco de peixes. A notícia do “milagre” correu pela região e logo se criou a lenda da santa “aparecida” das águas.

Em 1888, uma basílica foi construída próximo ao local do episódio e, quarenta anos depois, o movimento provocado pelos fiéis levou à fundação do município de Aparecida, a 180 quilômetros da capital. Padroeira do Brasil desde 1930, Nossa Senhora Aparecida ganha nos próximos dias uma festa em homenagem aos 300 anos de seu advento.

Com apenas 36 000 habitantes, a cidade está preparada para receber mais de 200 000 fiéis durante os doze dias de comemorações, a partir deste domingo (1º). Se confirmado, esse fluxo será 40% maior que o registrado no feriado do ano passado.

O escultor Pinna: responsável por estátua de 50 metros de altura em homenagem à santa Leo Martins/Veja SP

A maior parte dos visitantes ficará concentrada no santuário, com 143 000 metros quadrados de área construída e equipado com igreja para 30 000 pessoas, seis capelas e museus. Por ali serão realizados cerca de sessenta missas, novenas, terços e pregações. Também estão programados eventos mais “pop”, como shows dos padres Fábio de Melo e Reginaldo Manzotti.

No feriado do dia 12, doze artistas devotos da santa, a exemplo de Chitãozinho e Xororó, Alcione, Michel Teló e Daniel, prestarão suas homenagens em um show gratuito a partir das 20h30. “Todos abriram mão do cachê para participar”, afirma o padre Rodrigo Arnoso, prefeito da igreja.

A partir do dia 21, a basílica ganhará uma atração permanente. Um novo mosaico e um minimuseu serão inaugurados na cúpula da construção. O acesso ao topo será feito por meio de elevador. “O pacote de comemorações deste ano será grandioso, um dos maiores até hoje”, diz o padre.

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Fora do santuário, a cidade também terá outros pontos turísticos. Uma estátua de 50 metros de altura em homenagem à santa está sendo instalada a 3 quilômetros da basílica. Produzida em aço inoxidável, a peça terá 12 metros a mais que o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, quando estiver completamente pronta, em dezembro.

O orçamento para colocá-la de pé gira em torno de 2 milhões de reais, boa parte deles doada pelo próprio artista plástico responsável pela obra, Gilmar Pinna. “As pessoas poderão enxergá-la da Via Dutra”, conta. A escultura ficará em exposição em um novo parque municipal de 130 000 metros quadrados, com praça de alimentação e estacionamento para 2 000 carros.

O aniversário da santa também movimenta a chegada de peregrinos. Criado em 2003, o Caminho da Fé é um trajeto a pé por trilhas e estradinhas de terra que ligam várias cidades do interior a Aparecida. É possível fazer percursos de diferentes distâncias, e o maior deles chega a 570 quilômetros.

Peregrinos no Caminho da Fé Antonio Milena/Veja SP

Por 20 reais, o interessado recebe na partida uma espécie de passaporte, que deve ser carimbado nos diversos postos oficiais ao longo da caminhada. No final, ele se torna um diploma de conclusão da aventura. Apenas em outubro, cerca de 1 000 fiéis devem realizar esse “trekking” religioso. Ao longo deste ano, o número é estimado em 8 000 participantes, 30% a mais que em 2016. “Lotamos a cidade de Águas da Prata, de onde parte o trajeto, nos últimos feriados”, conta o criador do negócio, Almiro Grings.

Almiro Grings: criador do Caminho da Fé, na cidade de Águas da Prata Antonio Milena/Veja SP

O aumento do interesse levou ao surgimento de um mercado paralelo. A um custo extra, que chega a 1 700 reais, guias agendam a estadia nas pousadas das paradas e carros de apoio oferecem água e comida durante o percurso, além de carregar a mochila dos andarilhos.

O burburinho recente faz até gente desistir de cumprir a mais famosa peregrinação do mundo, em Santiago de Compostela, na Espanha, para enveredar pelas trilhas tupiniquins. “Decidimos vir por causa do aniversário e nos preparamos durante um ano”, explica a aposentada Claudete Bosshard, que está avançando até 30 quilômetros por dia ao lado da prima Edna Fantinatti.

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