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2010

Por Ivan Angelo 28 dez 2009, 11h27 | Atualizado em 5 dez 2016, 19h01
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Feliz ano novo, paulistanos, migrados e visitantes. Desfrutem as excelências da cidade, feita inteirinha no braço, e tenham paciência com os defeitos, pois nada nela foi dado pronto, nem mesmo a paisagem. Tudo custou sonho, suor e lágrimas, e quase tudo resultou em maior e melhor — sem querer ofender as demais.

Feliz ano novo, presidente, e que neste último ano de trabalho evite alguma besteira maior, pois as menores, como os pequenos pecados, não nos têm levado para o inferno; e, se possível, presidente, não dê a mão a qualquer um, evite os respingos da lama.

Feliz ano novo, desempregados, vítimas das balas perdidas do mercado, merecedores de um ano melhor, um sono melhor, uma refeição melhor; feliz ano para vocês que ao perder o emprego perderam o olhar franco, o tom de voz, a alegria, a ousadia, a confiança, o vinco das calças, a brancura das camisas, o esmalte das unhas, a disposição de acordar, o gosto de brincar, a mão aberta; feliz ano com a conquista de uma vaga que lhes traga de volta o prazer de umas boas risadas.

Feliz ano novo, senhores deputados, e que nos deem, a nós, brasileiros, a modesta alegria de não seguirem tão ao pé da letra tudo o que os brasileiros pensam de vocês.

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Feliz ano novo, eleitores, e esperamos que desta vez cumpram a missão de nos livrar da corja de mensaleiros, parenteiros, gorjeteiros, boateiros, fofoqueiros, gazeteiros, maroteiros, trapaceiros, ratoneiros, trambiqueiros, embusteiros, bandoleiros, pistoleiros, patoteiros, traiçoeiros, cambalacheiros, chicaneiros e interesseiros que assola a vida política do país.

Feliz ano novo, prezado lixeiro, que já não consegue fazer chegar aos moradores da cidade vertical aquela amável cartinha de fim de ano em que desejava a todos um feliz Natal e um próspero ano novo, assinando um invariável e impessoal “do vosso humilde lixeiro”, na esperança de um agrado pelo trabalho inglório.

Feliz ano novo, carroceiro, que ouve com paciência ou calculada surdez a buzina dos que têm pressa, enquanto carrega para a reciclagem o lixo que eles largam pelas ruas.

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Feliz ano novo, prefeito, e lembre-se de que não basta o marketing da cidade limpa, precisamos de outros. O da cidade urbanizada, por exemplo, que ponha ordem e limites na verticalização, impedindo que se estraguem bairros que já estão arrumados; o da cidade drenada, que controle as águas invasoras que transformam moradores de certos vales em seres anfíbios; o da cidade estetizada, que promova uma cirurgia plástica em deformações como o Minhocão, a Avenida Santo Amaro, a Radial Leste e os prédios degradados; o da cidade destravada, que melhore a circulação de veículos pelas vias enfartadas; e o da cidade educada, que estimule cada cidadão a ser cidadão.

Feliz ano novo, governador, e console-se dos desastres palmeirenses como nós nos consolamos dos desastres dos governantes, com o pensamento de que futebol é assim mesmo, política é assim mesmo.

Feliz ano novo, senhores juízes, e não deixeis de julgar para não serdes julgados.

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Feliz centenário, Corinthians, o clube de futebol mais antigo da cidade, nascido na várzea do Rio Tietê, a mesma onde brotaram tantos que ficaram pelo caminho; e feliz ano novo, Palmeiras, São Paulo, Portuguesa, irmãos e rivais paulistanos, que juntos fazem um bom barulho nos estádios brasileiros.

Feliz ano novo, artistas de todos os gêneros, tipos, tendências, grupos, idades, escolas, estilos, meios, e que o seu objetivo final seja a forma formosa, a expressão exata, o apuro da linguagem, a emoção sob controle, “sem perfumar sua flor, sem poetizar seu poema”, enfim, que o objetivo seja o objeto, não os apetites do mercado.

Feliz ano novo, amores, pois é do seu feliz 2010 que depende o meu.

 

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