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Discípula da Monja Coen investe em redes sociais e é fã de carros e vinhos

Nascida na Venezuela, Monja Zentchu passa a pandemia ao lado da budista-celebridade em templo no Pacaembu

Por Humberto Abdo Atualizado em 19 jul 2021, 15h14 - Publicado em 26 fev 2021, 02h12

Aos 62 anos, a Monja Zentchu passa a quarentena com sua mestra, a budista-celebridade Monja Coen, em um templo no Pacaembu. Com a reclusão, palestras e encontros foram interrompidos e deram espaço a novidades. “Agora, fico muito nas redes sociais no tempo livre”, conta Zentchu, que conduz a live Petisco Zen, no Instagram, em que discute religiosidade (para Coen, o isolamento rendeu novo livro, O Bom Contágio, sobre o despertar espiritual em tempos de Covid).

“Temos cachorrinhas, não falamos muito porque há as nossas obrigações e existe um respeito, como em qualquer relação.” Costuma levar broncas da mestra? “Todo dia! As pessoas acham que monge não erra, mas não sou imune a isso, e agradecemos por ter uma mestra que com um grito põe a gente de volta na Terra. Resta agradecer a bronca. Recebo muitas… Por quê? Porque mereço!”

Nascida na Venezuela, a discípula descobriu o budismo aos poucos. “Quando era adolescente, me contavam que não podia deixar de escutar o chamado do Senhor… Eu ficava tão apavorada que tampava os ouvidos”, diverte-se. Em Caracas, seu lazer incluía visitar museus e assistir a concertos com a família.  “Eu vivia em outro mundo, em um país muito rico, que me deu uma educação de elite”, relembra. Além de letras, ela chegou a estudar música e piano em Varsóvia, na Polônia. “Meu pai era controlador de tráfego aéreo, mas o dinheiro rendia, morávamos em apartamento próprio e tínhamos um carro usado, que sempre quebrava.”

No Japão, Zentchu viveu de 2010 a 2014 no Mosteiro de Nagoya. “Foi terrível e maravilhoso ao mesmo tempo. Não era um país diferente, era um mundo diferente. Tive que aprender a etiqueta, os costumes, a culinária japonesa… Pelo menos eu sabia segurar o hashi”, conta. “Foi terrível no sentido de que o mosteiro é uma grande máquina moedora de ego. Nessa vida não existe a oportunidade de dizer ‘eu acho’ ou ‘eu penso’. Eu falava pouco japonês e era tão corrido que nunca tive como estudar. Os trabalhos físicos e braçais eram sempre deixados para as estrangeiras.”

Monja Zentchu passou quase cinco anos no Japão em um mosteiro em Nagoya.
Monja Zentchu passou quase cinco anos no Japão em um mosteiro em Nagoya. Arquivo Pessoal/Reprodução

No Brasil, Zentchu — ou Diana, seu nome de batismo — estudou massoterapia no Rio antes de se mudar para São Paulo. “Só conhecia a cidade que aparecia no Cidade Alerta, mas quando saí do metrô direto para a Paulista me senti em casa.” O encontro com Coen ocorreu na rua, por acaso. “Foi antes de ficar famosa. Na época, me aceitou como aluna, depois discípula.” Apesar dos estereótipos sobre o estilo de vida dos monges, Zentchu aprecia prazeres “mundanos” como vinho chileno, carros 4×4 (que não tem, apenas admira) e boa comida. “Com a pandemia, até decidi começar um regime… As pessoas acham que monge só come alface hidropônica”, brinca.

Monja Zentchu: período vivido no Japão foi
Monja Zentchu: período vivido no Japão foi “terrível e maravilhoso ao mesmo tempo”. Arquivo Pessoal/Reprodução

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Publicado em VEJA São Paulo de 3 de março de 2021, edição nº 2727

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