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Especialista em design floral entrega arranjos de flores em São Paulo

Maico Alex fechou sua empresa de decoração por causa da pandemia e criou um clube de assinatura com ramalhetes que dão vida ao home office

Por Fernanda Campos Almeida Atualizado em 12 mar 2021, 10h26 - Publicado em 12 mar 2021, 10h19

Formado em contabilidade, Maico Alex dos Santos, 42, conta que nunca exerceu a profissão. Durante a faculdade, conseguiu um estágio na parte administrativa de uma floricultura e, no Dia das Mães, um dos feriados mais movimentados para as lojas do setor, acabou pondo a mão na massa na confecção de buquês de rosas vermelhas. “Eu fiquei encantado com a beleza do trabalho”, diz.

Vinte anos atrás, sem acesso à internet, Maico não sabia onde encontraria cursos profissionalizantes de florista no Brasil. Mudou-se para Portugal para ingressar em uma escola de design floral com bolsa de 50% na mensalidade, enquanto lavava pratos e passeava com cachorros para pagar a outra metade.

De volta a São Paulo, querendo trabalhar na área de casamentos, foi até o escritório do decorador Marcelo Bacchin pedir estágio sem remuneração em troca de conhecimento. “O mercado de floricultura era pequeno e fechado. Ele era a referência na área”, explica. Depois de um mês de trabalho e quatro eventos, foi contratado e em pouco tempo passou a produzir a decoração de festas inteiras sozinho.

Naquela época, por volta de 2004, ele conta que comemorações de grande porte, que custavam milhões em produção, estavam em ascensão. “Era surreal alguém gastar 2 milhões com flores. Eu vivi a era de ouro.” Dez anos depois, com o declínio dos casórios de luxo, o florista abriu o próprio negócio de decoração, Maico Alex Decor, voltado para casamentos-jantares ou mini weddings (cerimônias enxutas e mais baratas) para até cinquenta convidados.

“Fazia plantão nos cartórios à procura de telefones de noivos. Mostrava meu portfólio e CNPJ e se solidarizavam. Sempre fui cara de pau”, brinca o empresário. “Depois mandava um arranjo agradecendo.” Com a chegada da pandemia e o cancelamento dos eventos, Maico teve de fechar a empresa e dispensar os dez funcionários que mantinha. A última decoração organizada por ele foi a de uma formatura para 16 000 pessoas em fevereiro do ano passado, no valor de 600 000 reais.

Flores de Maico, à esquerda mais coloridas, à direita mais simples
Home office mais alegre: arranjos coloridos e kit para “pais de planta” (direita) Arquivo Pessoal/Divulgação

Com a quarentena, veio a popularização das transmissões ao vivo na internet. Maico percebeu que era frequente a presença de vasos com flores nos cenários. Investindo 1 000 reais, mergulhou em outra empreitada. Em junho de 2020, criou a Signature Flowers (@signatureflowers1), clube de assinatura de arranjos.

O floricultor negociou, em troca de visibilidade, o envio de um exemplar para uma advogada que debatia questões de direito nas redes. O vaso foi visto por 15 000 pessoas em uma live e, mesmo sem menções ao serviço, logo surgiram interessados no enfeite para alegrar o home office.

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Às quartas-feiras, o empresário entrega pessoalmente ramalhetes com várias espécies em um recipiente de vidro pela capital. “É incrível o sorriso que o cliente abre quando vê a flor.” Maico opta por ramos com maior durabilidade, de sete a dez dias, e ainda em botões, para que se acompanhe a abertura das pétalas. Os arranjos seguem uma paleta de cores diferente a cada semana.

O plano de assinatura está disponível por 300 reais, incluindo quatro entregas ao longo de um mês, ou a cada duas semanas por 150 reais, com direito a dois buquês. Os pedidos são feitos pelo perfil no Instagram da marca e o pagamento é via Pix. O florista mantém um grupo de WhatsApp com os assinantes, dando dicas de cuidado com os ornamentos. “Flor de pétalas brancas, por exemplo, precisam de mais trocas de água”, revela.

Para quem não quer ter compromisso com a manutenção dos arranjos, Maico oferece, fora do pacote de assinatura, buquês de flores secas por 180 reais ou conjuntos de ramos desidratados por 320 reais, que duram até quatro anos.

Também fazem parte da lista de produtos diversos estilos de ramalhetes avulsos, que custam entre 110 e 589 reais, kit para “pais de planta” com três plantas em vasos de terracota e suporte de ferro para ambiente interno (550 reais) e jardim vertical (450 reais) para área externa. “As pessoas redescobriram as varandas na pandemia. O jardim chega pronto, é só pendurar”, explica.

Neste mês de março, a Signature Flowers começa a fazer parte da plataforma de assinaturas Hub Home Box. Maico pretende ainda transformar um carro em minifloricultura ambulante para vender flores em frente aos parques do Povo, Villa-Lobos e Ibirapuera.

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Publicado em VEJA São Paulo de 17 de março de 2021, edição nº 2729

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