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São Paulo nas Alturas

Por Raul Juste Lores Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Redator-chefe de Veja São Paulo, é autor do livro "São Paulo nas Alturas", sobre a Pauliceia dos anos 50. Ex-correspondente em Pequim, Nova York, Washington e Buenos Aires, escreve sobre urbanismo e arquitetura

Harmonia no paredão: os edifícios marcantes da Construtora Stuhlberger

Um dos melhores é o Corinto, com janelões de ponta a ponta, na fachada e nos fundos, que recebe mais sol que muitos prédios isolados

Por Raul Juste Lores Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 24 jul 2020, 03h16 | Atualizado em 4 jun 2026, 23h40
Edifício Corinto
Edifício Corinto, na Bela Vista: paredão com harmonia RauL Juste LoRes rara na cidade (Raul Juste Lores/Veja SP)
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Harmonia no paredão: os edifícios marcantes da Construtora Stuhlberger Priorizar nos meus resultados Google

Por causa da pobreza arquitetônica das últimas décadas, muitos paulistanos temem paredões de prédios geminados, tão comuns em Nova York ou Buenos Aires. Mas, como as avenidas São Luís e Vieira de Carvalho demonstram, antes uma cidade compacta e bonita que o paliteiro de espigões afastados no Morumbi e no Itaim.

Qualidade de fachada (e todo o resto) é o que se vê no Edifício Corinto, de 1962, parte de um harmonioso paredão na Alameda Rio Claro, com vistas para a futura Cidade Matarazzo e até uma nesga do Masp, na Paulista. Colado não significa apertado: com janelões de ponta a ponta, na fachada e nos fundos, recebe mais sol que muitos prédios isolados onde a vista se resume à janela do vizinho.

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O Corinto é um dos melhores edifícios na carreira de setenta anos da Construtora Stuhlberger, criada em 1950 pelos irmãos e engenheiros David e Maks Stuhlberger, ambos formados pela Poli-USP. Os dois chegaram da Polônia ainda crianças, em 1929, ano em que o Martinelli ficou pronto e São Paulo ainda não tinha 1 milhão de habitantes. Começaram fazendo predinhos de três a seis andares para a comunidade judaica no Bom Retiro. A explosão econômica dos anos 1950 deixou a empresa mais ambiciosa. Outro dos prédios marcantes da Stuhlberger é o Manon (1961), projetado pelo arquiteto Victor Reif, na Rua Sergipe — nessa mesma via, Reif projetou outros quatro prédios (uma Reiflândia), e morava ali perto, na Rua Itacolomi. Professor no Mackenzie, Reif também era polonês de origem, mas só chegou ao Brasil em 1950, depois da experiência aterradora de ter ficado em um campo de concentração e ser obrigado a usar seus dotes de engenheiro-arquiteto para trabalhar para os nazistas. “Reif foi um dos maiores com quem já trabalhei, sabia tudo”, lembra David, o veterano construtor, que completa 95 anos em 7 de setembro.

David Stuhlberger
(Arquivo Pessoal/Divulgação)

David Stuhlberger, que faz 95 anos em setembro: sete décadas de construção

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Publicado em VEJA SÃO PAULO de 29 de julho de 2020, edição nº 2697. 

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