Roger Waters é aplaudido e vaiado ao citar #EleNão e Bolsonaro em show

Defensor dos direitos humanos e contra militares, ele colocou o presidenciável uma lista de fascistas no telão

O clima não parecia hostil para Roger Waters, fundador do Pink Floyd e um dos principais nomes do rock mundial, que se apresentou nessa terça (9), no Allianz Parque. Ele veio ao país para oito shows da turnê Us + Them. A expectativa era de, além dos clássicos da banda, uma intensa experiência visual. Logo na entrada, turmas de amigos e famílias se reuniam, preenchendo todos os espaços do estádio.

Às 20h59, as luzes se apagaram e o enorme telão, de 66 metros de largura, que ocupava uma das laterais do estádio, exibiu uma mulher, de costas, sentada, olhando uma praia no horizonte. Vinte minutos depois, Waters e sua trupe ocuparam todo o palco com a música Breath. O céu da imagem já não estava mais nublado: se transformou em uma onda vermelha, impressionando a plateia que sacava os celulares para garantir o registro. O músico seguiu com clássicos que hipnotizaram o público, como The Great Gig in the Sky e Wish You Were Here, cantada em coro pela plateia lotada.

De repente, na escuridão total, os sons dos helicópteros ecoavam pelas gigantes caixas de som espalhadas ao redor do campo. Doze crianças entram vestidas de macacão laranja e um capuz, como reféns do Estados Islâmico, e então, a introdução de Another Brick in the Wall, com direito a coreografia dos pequenos. A gritaria veio quando elas arrancaram a veste e surgiram com a camiseta e a palavra “resist” (resista, em inglês).

A mudança de ares chegou no intervalo de vinte minutos. Após a palavra “resist” em vermelho no telão, mensagens de críticas a personagens da atualidade foram exibidas. O primeiro deles, Mark Zuckerberg, dono do Facebook. Na pista premium, algumas manifestações contra o PT. Depois, a frase “resist neo-fascism” (resita ao neofascismo), seguida por uma lista de países que podem sofrer com o movimento: nos Estados Unidos, com Trump, na França, com Le Pen, na Rússia, com Putin, e no Brasil, com Bolsonaro.

O público se dividiu entre vaias e gritos de “ele não.” O show retornou com uma fábrica saindo do telão, em alto e bom som, que fazia vibrar o espaço. Chaminés saíram de trás da estrutura e quase alcançavam a cobertura do estádio. Ele seguiu com Dogs, e suas críticas a Trump, e Pigs. Um porco inflável gigante, com grafites e frases como “as crianças não têm culpa” e “respeitem as mulheres”, circulou pela plateia.

Foi em Eclipse, e um lindo prisma remetendo ao disco The Dark Side of the Moon, que Water enfrentou seu maior problema com o público. Ao final, o enorme telão exibiu a hashtag elenão. E as vaias se intensificaram. Ao final da canção, Waters tentou explicar, porém as vaias pioraram. Defensor dos direitos humanos, ele disse que estamos em período de eleição e é preciso ter consciência. Em outro momento, apoiou o protesto pacífico e afirmou preferir viver contra as regras se for para defender os direitos humanos. Completou dizendo que sabia que esperava essa reação, mas que lembrava das ditaduras da América do Sul, “e não era bom.” E as vaias continuaram.

A mensagem do #elenão voltou a aparecer com Mother, cantada com dificuldade em meio aos protestos dos fãs. Já com a pista premium esvaziada, Waters encerrou com a faixa Comfortably Numb, rojões e uma tentativa de animar os que ficaram.

O intérprete volta a se apresentar nesta quarta (10), no Allianz Parque, e depois ele parte para Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Brasília, Salvador, Curitiba e Porto Alegre.

 

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