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Randômicas Por Juliene Moretti Tudo sobre música, clipes, entrevistas e novidades dos shows.

Apesar de vandalismo, Virada Cultura tem movimento e clima de festa

Realizada nesse sábado (19) e domingo (20), evento reuniu cerca de 900 atrações, principalmente no centro da capital. Confira os destaques

Por Redação VEJA São Paulo - Atualizado em 20 Maio 2018, 20h37 - Publicado em 20 Maio 2018, 19h09

Guilherme Silva, Henrique Nascimento e Juliene Moretti

Durante este fim de semana, a cidade recebeu a Virada Cultural. Diferente do ano passado, as principais atrações voltaram ao centro espalhadas em palcos menores. Passaram por lá artistas como Elza Soares, Geraldo Azevedo, Valesca Popozuda e cortejos de Baby do Brasil, com Tulipa Ruiz e Pitty, e o bloco de Carnaval Tarado Ni Você, com participação de Caetano Veloso, no sábado (19) e Rouge, Fernanda Abreu, Os Paralamas do Sucesso e Dado Villa-Lobos, Marcelo Bonfá e Andre Frateschi, celebrando a banda Legião Urbana, no domingo (20). O frio intenso não assustou a população, que resistiam firme e forte em frente aos espaços para chegar mais perto do ídolo.

Apesar do clima leve, ainda que bem movimentado, a principal ocorrência de violência foi uma viatura da Polícia Civil depredada por vândalos.

Onde tem banheiro?
Bem diferente do que aconteceu durante o Carnaval, as cabines de banheiros químicos espalhadas pelo centro eram escassas. Com isso, as vias que cruzavam a Rua da Consolação, onde passaram os trios de Baby do Brasil e Tarado Ni Você com Caetano Veloso, viraram banheiros a céu aberto como as ruas Itambé e Marquês de Paranaguá. Na Praça da República e Rua do Arouche, o mesmo cenário, mesmo com a possibilidade de multa. As lixeiras também fizeram falta. No domingo (20), o público sofreu com o que encontrou: ainda em pouco números, a maioria dos banheiros químicos estavam inutilizados, com cabines cheias e sujas.

A nova Catuaba
Com valores entre 7 reais e 15 reais, o vinho Cantinho do Vale era a pedida do público mais jovem. A garrafa de Catuaba chegava a 35 reais.

Brindes do Lolla
Quem não foi ao festival Lollapalooza, festival que rolou em março, pôde adquirir um souvenir curioso: os copos, distribuídos para quem comprasse cerveja no evento, estavam sendo vendidos na Virada Cultural por até 3 reais no palco Skate, onde se apresentaram Rael e Marcelo D2.

Cadê o Caetano?
Uma das atrações mais aguardadas, o trio do bloco de Carnaval Tarado Ni Você recebeu Caetano Veloso. Quem acompanhou antes o trio de Baby do Brasil com Tulipa Ruiz e Pitty, já não conseguiu um bom lugar para assistir ao show, que se concentrava entre as ruas Sergipe e da Consolação. A aglomeração era tão grande que até mesmo os ambulantes ficaram desabastecidos de cerveja. Por diversos momentos, a produção precisou interromper a apresentação para pedir ao público que abrisse caminho para o trio passar. Chegaram a dizer que a situação renderia multa para a trupe. A turma ainda assim corria para ver e ouvir o cantor. Coros com “Fora Temer” eram incentivados pelos músicos. Aqueles festeiros mais alterados subiram nos estribo de uma das ambulâncias de apoio que estava fora do cordão de segurança.

Tem espaço?
Para conseguir enxergar e até ouvir os artistas, a plateia se espremia na boca dos palcos ou se arriscavam em locais mais perigosos. Para ver Caetano, pessoas subiam até em árvores. Assim como no show de Marcelo D2, no palco Skate. Além de árvores, eram usados os pontos de ônibus. Com policiamento pontual, a ação não era inibida. A polícia, aliás, estava presente na Praça da República, com uma frota de vinte motos, porém só estacionadas, impedindo a passagem mais tranquila do público. Poucos minutos antes do show de Elza Soares, quando a multidão já tomava conta da área, a base móvel começou a se movimentar, causando certo tumulto.

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Destaques
Em clima de Carnaval, Tarado Ni Você com Caetano Veloso teve confusão por causa da multidão, mas embalou a turma que cantou Sampa, Reconvexo, Alegria, Alegria e, claro, em tom político. Durante o cortejo, manifestantes protestavam contra a PL 6299/2002, que libera o uso de agrotóxico. O protesto foi apoiado por Caetano. Rael também fez seu protesto ao incitar o jornalista William Waack, demitido depois de declarações racistas: “Isto aqui é coisa de preto!”, brandava o rapper.

Das homenagens, Marcelo D2 e Cone Crew Diretoria, o primeiro no sábado e o outro no domingo, lembraram Chorão, do Charlie Brown Jr., morto em 2013. A banda ainda fez um meddley com Zoio de Lula, Como Tudo Deve Ser e Céu Azul.

Beto Barbosa conseguiu animar a galera ao transformar o Largo do Arouche em uma festa de lambada, tirando até mesmo os clientes dos bares ao redor para dançar. Adocica, Só Vai Dar Eu e Você, e ainda faixas de Jorge Ben e Tim Maia entraram no roteiro.

Na Praça da República, Elza Soares conseguiu encher toda a área destinada às apresentações dos palcos Queer, onde ela estava, e Cabaré, com Os Mustaches & Apaches, que amargou com o sucesso da cantora. Ela lançou na sexta (18) seu novo álbum, Deus É Mulher, e mostrou, em tom de resistência, o poder da sua voz, que impressionou a plateia.

No domingo, o Vale do Anhangabaú foi o primeiro a ficar tomado pelas pessoas com a apresentação das meninas do Rouge. Chamadas de última hora depois do cancelamento de Xuxa, por problemas médicos, as garotas conseguiram aquecer a plateia que passava frio com músicas como Bilha La Luna e Ragatanga.

Rouge, no Vale do Anhangabaú: sucesso de público Renato S. Cerqueira/Estadão Conteúdo/Veja SP

Já para o fim da programa��ão, Dado Villa-Lobos, Marcelo Bonfá e André Frateschi encheram o pequeno espaço Boulevard São João, reservado para as apresentações do palco Discos Completos. Eles apresentaram o show Legião Urbana – XXX Anos, lançado no fim de 2015, que celebra os trinta anos do primeiro disco da banda, Legião Urbana. As pessoas se espremiam nos corredores que levavam ao local,  a fim de pelo menos ouvir melhor as faixas.

Dado Villa-Lobos, Andre Frateschi e Marcelo Bonfá, ao fundo: trinta anos de Legião Urbana Tiago Queiroz/Estadão Conteúdo/Veja SP

Nesta parte, o trio de Os Paralamas do Sucesso teve um pouco mais de sorte. Em frente ao Copan, na Avenida Ipiranga, uma boa turma mais velha cantavam em coro composições como Lanterna dos Afogados, Loirinha Bombril e Expresso do Oriente.

 

 

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