Prefeitura encontra trilhos de bonde sob a Avenida São João

Os resquícios são do século passado, quando São Paulo chegou a ter 700 quilômetros de trilhos de bonde, sete vezes mais que a atual malha do metrô

O Vale do Anhangabaú, no centro, passa por uma reforma com previsão de ficar pronta no ano que vem. as obras foram suspensas brevemente em agosto por um pedido da Justiça após queixas sobre a falta de debate público, mas logo acabaram retomadas — a discussão ainda segue nos tribunais. Durante as escavações, a prefeitura encontrou um caminho de vigas de ferro que serviu de passagem para bondes que trafegaram por décadas na região mais movimentada da metrópole. Situações semelhantes ocorreram em outros trabalhos de engenharia viária, como a requalificação do Largo da Batata, em Pinheiros, e a construção da Linha 5-Lilás do metrô, na avenida Adolfo Pinheiro. após a recente descoberta, a gestão do prefeito Bruno Covas determinou que os trilhos da avenida São João fossem removidos — só uma pequena amostra será mantida para compor o acervo arqueológico do local. Tudo é acompanhado de perto pelo Departamento do Patrimônio Histórico (DPH).

Bondes na Praça da Sé, em 1937

Bondes na Praça da Sé, em 1937 (Museu do Transporte/Divulgação)

O primeiro bonde da cidade circulou em 1872 e fez o trajeto entre a rua do Carmo, na Sé, e a estação da Luz, então um entreposto comercial que ligava o interior do estado ao litoral. Na época, os veículos eram puxados por animais. Os primeiros modelos elétricos surgiram em 1900, quando a São Paulo Tramway, Light & Power Company, conhecida como Light, passou a ser a responsável por esse meio de transporte, o mais rápido e moderno do período. ao todo, São Paulo chegou a ter 700 quilômetros de trilhos de bonde, sete vezes mais que a atual malha do metrô, de 96 quilômetros.

Ferros descobertos no Anhangabaú: história revisitada

Ferros descobertos no Anhangabaú: história revisitada (Alexandre Battibugli/Veja SP)

O reinado da Light durou até 1947. Nesse ano, a gestão dos veículos ficou sob a responsabilidade da então recém-criada Companhia Municipal de Transportes Coletivos (CMTC). a degringolada desse tipo de condução teve como epílogo o ano de 1968. O veículo a diesel prometia ir mais longe, chegar mais rápido e não causar transtornos como descarrilamentos e panes elétricas. em 27 de março daquele ano, a viagem final, entre a Vila Mariana e Santo Amaro, terminou com uma recepção de milhares de pessoas.

Publicado em VEJA SÃO PAULO de 11 de setembro de 2019, edição nº 2651.

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