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Satyanatha aborda a importância de crianças meditarem

As crianças podem meditar sim, até melhor do que adultos

Por Satyanatha - 8 mar 2019, 06h00

O mundo precisa de pessoas que meditem. O mundo precisa de crianças que meditem.

A arte da meditação se torna cada vez mais importante. A vida hoje é menos sobre o acúmulo de conhecimento e mais, muito mais, sobre o que fazer com ele; é sobre estar preparado para o novo, e não preso nas referências antigas; é ser, e não apenas estar. Nossas crianças de agora estarão, quase todas, vivas no ano de 2100. Quais serão os desafios daquele tempo? Não sabemos, e portanto não é fácil prepará-las para estar. Mas elas podem muito bem ser — confiantes, abertas, coerentes, compassivas, sábias.

A meditação traz autoconhecimento. Isso, para as crianças, não é uma tarefa de investigação como é para os adultos, que têm um baú bem cheio no inconsciente. Para elas, é um trabalho de identificação. Elas identificam em si conceitos novos, reconhecem medos e desejos, emoções e pensamentos. A criança — na verdade, todos nós — precisa descobrir que é feita de várias partes que podem ser harmonizadas quando são vistas claramente.

Meditar leva a criança a controlar o fluir dos pensamentos para ordenar a mente. Crianças pequenas já aprendem que precisam, depois de brincar, pegar um por um os brinquedos e guardá-los. Com suas mãozinhas, elas os carregam até a prateleira ou a caixa. Com as emoções e os pensamentos, é possível fazer a mesma coisa. Se um medo veio, a criança pode fechar os olhos, sentar-se de pernas cruzadas e respirar fundo, começando a meditação. Fazer algo com esse sentimento negativo, da mesma maneira que organizaria um quarto bagunçado. Talvez a criança nem consiga resolver a situação, mas saberá aceitar que existe, e falar disso, que é sempre o primeiro passo para mudar.

A descoberta de que há um mundo interno, de que emoções e ideias têm tanto impacto quanto objetos e materiais, é essencial para a compaixão, a sutileza e a empatia. É com isso que uma criança cresce confiante. Não porque é perfeita, mas porque sabe trabalhar dentro de si mesma.

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Meditar ajuda também a expressar o seu potencial. A criança vai entender que, ao mudar a si mesma, ela muda o que acontece na vida — se ela estiver amorosa, vai semear amorosidade; se ela viver o caos, trará o caos; se ela é pura alegria dentro, cria alegria fora. Essa é a descoberta da responsabilidade.

As crianças podem meditar? É claro que sim, elas até meditam melhor do que adultos. São mais capazes de entrar em contato com sentimentos, símbolos e cores. Têm menos barreiras. O que acontece é que as meditações delas são bem curtas e ainda pouco profundas. Até os 4 anos, a criança brinca de meditar. Dos 5 aos 8, ela medita como uma séria brincadeira. E dos 9 aos 12 meditará de verdade, uma versão mais simples da atividade dos adultos. Serão exercícios de atenção, concentração, descoberta do mundo interno, visualizações e muita respiração do bem.

Em uma escola de São Paulo, em Moema, começamos o projeto Momento Foco. Duzentos professores foram treinados e incorporaram às aulas pequenos períodos de pausa — para lembrar que é essencial ser; que a mente pode ser controlada e guiada; e que amar é natural quando nos libertamos do medo. Tem sido um sucesso. Precisamos oferecer as ferramentas, ensinar as técnicas. A mente é a mais maravilhosa das máquinas, mas ela é difícil de ser controlada. Por que não começar cedo? Essas crianças serão extraordinárias, e criarão um mundo melhor. Quem sou eu perto desses pequenos mestres em formação? Eu vou é aprender muito com eles.

Arquivo Pessoal / Reprodução/Veja SP

Satyanatha é mestre em meditação, o que mais ama. Aprendeu isso em um monastério distante. Foi um menino rechonchudo cercado de livros e ideias mirabolantes — hoje tenta ser criança sempre, e adulto apenas na hora certa. Criou o app Vivo Meditação, que tem meditações para crianças, e coordena o Momento Foco na Escola Móbile.

Publicado em VEJA SÃO PAULO de 13 de março de 2019, edição nº 2625.

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