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Mergulho na impermanência

Lilly Hastings é psicóloga, professora de ioga e facilitadora de experiências para a transformação do corpo e da consciência

Por Lilly Hastings - Atualizado em 24 Apr 2020, 06h01 - Publicado em 24 Apr 2020, 06h00

Sinto-me como um peixe que nada nas águas da felicidade; a felicidade me envolve e é o que inspiro e o que devolvo para o universo. É tão parte da minha vida que somos uma. Não falo de uma felicidade vista como um tesouro a ser conquistado, escalar um Monte Everest da alegria, mas uma felicidade que está aqui, disponível. Mesmo neste momento tão único, imprevisível e de tanto balanço, numa quarentena mundial que ninguém sabe bem quando vai terminar? Sim. Para todo mundo? Sim. Você tem tudo de que precisa para criar um estilo de vida conectado com a felicidade.

A felicidade não é um momento ou outro de alegria, muito menos de euforia! É um estado de espírito. Na ioga, isso se chama santosha e significa contentamento, um sentimento de satisfação relativamente independente das circunstâncias externas.

Absorvo esse ensinamento como uma mensagem que me diz que, mesmo triste, posso estar contente. A felicidade é uma música tocando no fundo do meu coração, um perfume, algo divino. Se estou triste ou contente, não importa tanto. Tudo é impermanente.

Para isso, considero fundamental termos um amparo espiritual. Essa conexão nos traz uma espécie de proteção, não um amortecedor que anestesia e nos torna insensíveis, mas um airbag que nos ajuda a passar pelos balanços da vida sem partir ao meio. E estamos tendo balanços fortes. Quem sabe balanços que vêm mostrar o que está equivocado e o que precisa ser transformado.

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Como disse o papa Francisco recentemente diante de uma vazia Praça de São Pedro: “Acreditávamos que poderíamos ser saudáveis num mundo profundamente doente…”. Talvez nossa felicidade não estivesse onde acreditávamos, e perceber isso é evolutivo e curativo, ainda que doloroso e difícil. Há uma presença específica que assombra o processo de transformação. E essa presença é a morte. Para mim, é uma palavra revestida de dor, difícil até de escrever.

Esse medo de morrer pode estar muito relacionado ao medo de ir embora desta Terra sem ter cumprido nosso papel e feito o que tínhamos para fazer. Como uma lembrança longínqua, a alma tem uma memória sobre os acordos que fez antes de adentrar neste mundo e não quer, de modo algum, retornar ao plano espiritual sem ter exercido aqui seus melhores talentos, sem ter expressado o que o coração sentiu, sem ter amado com toda sua capacidade…

Como isso chega a você? Será que você tem uma entrega que ainda não se completou? O que sente que sua alma veio realizar aqui? Se estamos ainda aqui e estamos vivos, ainda é tempo de fazer os ajustes necessários e cumprir nosso papel.

Para acessar essa conexão com a alma é importante dedicar tempo ao recolhimento, cultivar a calma e o aquietamento. Esses elementos são a antessala de uma nova forma de se conectar com você mesmo, com os outros, com a vida e, claro, com a felicidade. Quem sabe possamos fazer deste momento o nascimento de uma nova sociedade, um novo mundo, uma nova era. Que o melhor da vida nos abençoe, dando-nos força e saúde para atravessar o caos e chegarmos a um lugar melhor dentro e fora de nós.

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Lilly Hastings Arquivo Pessoal/Divulgação

Lilly Hastings é psicóloga, professora de ioga e facilitadora de experiências para a transformação do corpo e da consciência. De segunda a sexta, às 12h, e aos domingos, às 12h30, conduz lives no seu perfil @lilly. hastings como parte do projeto #consciencianaquarentena.

Publicado em VEJA SÃO PAULO de 29 de abril de 2020, edição nº 2684.

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