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‘Caetano tem razão, cada um sabe a dor e a delícia de ser o que se é’

O influenciador digital Vítor diCastro conta como aprender a descartar padrões sociais e para ser ele mesmo

Por Vítor diCastro em depoimento a Helena Galante Atualizado em 15 out 2021, 15h06 - Publicado em 15 out 2021, 06h00

Vivemos num tempo em que as pautas identitárias estão bombando. Qualquer peça publicitária das maiores marcas quase sempre estará cheia de diversidade, com pessoas de vivências e corpos muito diferentes, ocupando aquele espaço para mostrar que todos devem ter orgulho de ser quem são e que todos são bem-vindos para gastar seu dinheiro com aquilo em específico. Mas, quando se fala sobre “ser quem se é e orgulhar-se disso”, precisamos ir muito além de uma propaganda de trinta segundos.

Eu cresci assistindo a produções hollywoodianas me ensinando que “seja você mesmo” é o maior e o melhor lema da vida humana, mas só fui aprender bem mais tarde que Caetano (mais uma vez) tinha razão ao dizer que “cada um sabe a dor e a delícia de ser o que se é”. Não é algo de fácil digestão, um botão que apertamos e seguimos a vida cantando e dançando, como na emblemática cena do musical O Rei do Show. É uma construção diária e, muitas vezes, penosa. Um caminho que poderia ser mais simples, se não vivêssemos numa sociedade que tenta a todo momento encaixar cada indivíduo num padrão, que geralmente é impossível de ser alcançado.

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Porém que delícia é o processo de aceitação… Ai, ai… Quando eu me libertei da necessidade de corresponder às expectativas dos meus pais (e de toda uma galera) sobre a minha sexualidade e meu futuro, foi como se eu pudesse respirar pela primeira vez. Passei pelo menos vinte anos tentando de tudo para me encaixar naquilo. Passei a adolescência negando meus sentimentos, meus prazeres, minhas vontades, porque eu entendia que só seria feliz e pleno se fosse hétero e me casasse com uma mulher, formasse a tão famosa família tradicional. Mas cá entre nós: a quem eu queria enganar com essa história? eu não nasci para ser tradicional, para ser padrão.

Nasci gay, nasci revolucionário, nasci cheio de indagações e cresci com elas latejando na minha cabeça, e quando pude finalmente colocar tudo isso pra fora, senti uma leveza que nunca havia experimentado, ou, como diz Lulu: “Uma sensação que até então não conhecia”. Senti uma paz e uma felicidade que eu não conseguiria descrever neste texto, nem se eu tivesse todos os caracteres do mundo.

Mas, para além das conquistas pessoais que essa ação gera, libertar-se das amarras e dos padrões sociais faz a gente entender o mundo de maneira diferente e perceber que todos somos únicos, o que nos dá vontade de libertar os outros também, para que todo mundo sinta esse gosto de mel na boca. Ou seja: é uma corrente infinita, deliciosa, necessária e, na falta de uma palavra melhor para descrevê-la, eu digo que é muito, muito foda! Experimente.

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vitor dicastro posando para a foto de costas com a cabeça virada para a foto. ele está com um casaco cor arco-íris e em um fundo com listras verticais vermelhas e pretas
Breno da Matta/Divulgação

Vítor diCastro é ator, influenciador, entusiasta dos signos e criador do canal Deboche Astral.

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Publicado em VEJA São Paulo de 20 de outubro de 2021, edição nº 2760

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