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Arte ao Redor Tatiane de Assis é repórter da Veja SP. Acredita que as artes visuais podem aproximar pessoas e descortinar novas facetas da vida.

Uma “colagem literária”, conheça detalhes de Realismo fantástico(2018)

Obra, da artista paulistana Marcia de Moraes, traz referências à literatura e lembranças de uma temporada na Argentina, saiba mais

Por Tatiane de Assis - Atualizado em 20 Mar 2020, 16h06 - Publicado em 20 Mar 2020, 06h00

Estímulos Literários Jorge Luis Borges (1889-1986) e Julio Cortázar (1914-1984) são dois dos autores que inspiraram Marcia de Moraes na criação do título desta obra. “passei uma temporada em 2013 na Argentina e li muitos contos do realismo fantástico, que é um movimento literário”, detalha a artista, que frequentava o mesmo bar a que Borges ia, no bairro de palermo, em Buenos Aires.

Cria e Recorta Quando começou a criar colagens, a artista paulistana utilizava excertos de desenhos que não tinham dado certo. Depois, optou por criar composições especialmente para ser desmontadas. “É um exercício de rearranjo”, afirma. Nesse processo, os elementos partem de formas figurativas. Você consegue reconhecer aí folhas, caules e pedaços de frutas?

Transformação De Peito Aberto As formas circulares à esquerda nasceram do desenho de seios que a paulistana começou a fazer. “Eu estava amamentando”, conta. Com o processo de repetição e rearranjo da forma, feito em seu ateliê na Vila Mariana, nasceram argolas. “Elas são peitos esvaziados”, adiciona Marcia, que leva dez dias para fazer uma colagem.

“Não esqueça que eu venho dos trópicos” A profusão de cores, vindas de lápis importados, é parte importante do trabalho de Marcia. “Quando eu morava na França, as pessoas ficavam incomodadas com a quantidade de tons vibrantes. Nessa hora, eu sempre dizia: ‘Não esqueçam que eu vim dos trópicos’, que é uma frase da escultora e desenhista Maria Martins (1894-1973)”, diverte-se a artista.

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