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Blog do Lorençato Por Arnaldo Lorençato O editor sênior Arnaldo Lorençato é crítico de restaurantes há 29 anos. De 1992 para cá, fez mais de 15 000 avaliações. Também é autor do Cozinha do Lorençato, um podcast de gastronomia, e do Lorençato em Casa, programa de receitas em vídeo. O jornalista leciona na Universidade Presbiteriana Mackenzie

Memória: Zenaide Raw (1930-2019), sócia do Z Deli

Uma das fundadoras do restaurante de culinária judaica, inspirado em delis de Nova York, morreu neste domingo (24)

Por Arnaldo Lorençato Atualizado em 24 fev 2019, 17h05 - Publicado em 24 fev 2019, 15h40

Sempre com um sorrisão estampado no rosto, Zenaide Raw recebia a clientela do Z Deli, que ocupa uma das esquinas da Avenida Gabriel Monteiro da Silva, no Jardim Paulistano. Muitos desses frequentadores, quase diários, se tornaram amigos da mamma judia que partiu nesta madrugada aos 88 anos. Zenaide Raw, uma das fundadoras do restaurante, morreu no Hospital Israelita Albert Einstein nesta madrugada. Eram 4 da manhã. O sepultamento foi neste domingo (24), às 13h, no Cemitério Israelita do Butantã.

A restauratrice estava internada desde 5 de fevereiro, último dia em que deu expediente no restaurante. “Ela sentiu falta de ar e cansaço, então foi levada ao hospital”, conta a filha Silvia Raw, que vive nos Estado Unidos. Foi tudo muito rápido. A empresária morreu em decorrência de um melanoma. “Estamos todos perplexos“, diz o sobrinho-neto Julio Raw, dono da premiada hamburgueria Z Deli Sandwich Shop.

No começo dos anos 1980, Zenaide montou o restaurante judaico Z Deli junto da cunhada Rosa Raw e da amiga Lonka Lucki, morta em 2010. Era um portinha com salão espremidinho na Rua Haddock Lobo, onde hoje funciona a primeira unidade do Z Deli Sandwich Shop.

Balcão com uma variedade de pratos: a inspiração para Zenaide e suas sócias veio de Nova York Divulgação/Divulgação

Zenaide se inspirou nas delis de Nova York, onde tinha morado com o marido, o médico e cientista Isaias Raw, ex-diretor do Instituto Butantan. A comida ficava à mostra em um balcão e o freguês escolhia o que lhe dava mais apetite. Montado o prato, ia direto para  o micro-ondas para ser aquecido. A experiência do trio vinha desde 1981, quando passaram a atender festas da comunidade judaica com um bufê.

Com o sucesso, o negócio se desdobrou em duas outras unidades. Nos últimos anos, Zenaide tocava a filial da Alameda Gabriel Monteiro da Silva, reformada no início de 2019. A cunhada, Rosa, tomou a frente da casa da Alameda Lorena, que passou por uma reformulação completa e foi reaberta neste mês (clique para ler a matéria)

Zenaide era incansável. Não arredava pé do restaurante e fazia questão de cuidar pessoalmente do caixa. “Ela trabalhou até o dia em que foi internada”, diz a gerente Janete Sousa. “Parecia estar muito bem. Em janeiro, até viajou a Israel para visitar alguns dos netos”.

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O Z Deli, no Jardim Paulistano, reabre na terça (26) com as mesmas receitas que o tornaram conhecido e sempre tiveram a aprovação de Zenaide.

Um dos pratos mais conhecidos do bufê: gefilte fish, um bolinho frio de peixe com raiz-forte Marco Pinto/Veja SP

Veja crítica quando o Z Deli foi premiado o melhor restaurante bom e barato por VEJA SÃO PAULO COMER & BEBER em setembro de 2004:

O Bom e Barato
Z Deli

Qualquer semelhança com as delis nova-iorquinas não é mera coincidência. Depois de um período de residência nos Estados Unidos, Zenaide Raw decidiu expor em uma vitrine pratos judaicos a preços convidativos e aquecê-los em microondas na hora de servir. Assim nasceu o primeiro Z Deli, na Rua Haddock Lobo, em sociedade com Rosa Raw e a polonesa Lonka Lucki. Longe dos congelados, as receitas são preparadas no dia. Está aí um dos motivos do sucesso, que originou duas filiais. Para começar, o patê de ovo (R$ 9,00) surpreende no sabor e na textura. O delicioso gefilte fish (bolinhos de traíra e carpa; R$ 7,50) e o klops (torta de peito de frango moído com gergelim; R$ 10,00) são daquelas combinações que ficam na memória. Na dúvida, opte pelo variado bufê (de R$ 26,00 a R$ 38,00) e prove um pouco de tudo. Guarde, porém, um lugarzinho para a sobremesa. O pudim de claras com nozes, caramelo e calda de baunilha (R$ 10,00) é um dos bons arremates (foram mantidos os preços cobrados na época da publicação).
Alameda Lorena, 1689, Jardim Paulista, 3088-5644 (30 lugares). Alameda Gabriel Monteiro da Silva, 1350, Jardim Paulistano, 3064-3058 (45 lugares). Rua Haddock Lobo, 1386, Jardim Paulista, 3083-0021 (10 lugares). Aberto em 1982. $

Com reportagem de Saulo Yassuda

PS: grato ao leitor Eduardo Klepacz que passou a notícia logo no início da amanhã para que assim pudéssemos elaborar esse obituário

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