Yayoi Kusama – Obsessão Infinita
Resenha por Laura Ming






Narcisista, obcecada, louca. Muito se diz sobre a japonesa Yayoi Kusama, de 85 anos. As bolinhas que a tornaram famosa, fruto de uma mente instável, aparecem coladas em móveis, desenhadas em corpos ou impressas em esculturas. Símbolo de um tempo em que ela promovia orgias em Nova York, os falos saem de sapatos femininos, forram o chão ou compõem instalações. Muita pegação rolou na sala Infinity Mirrored Room (a da mostra é uma reprodução), na qual espelhos enfileirados são um convite para apaixonar-se pelo próprio reflexo. A retrospectiva Obsessão Infinita, em cartaz até o fim de julho no Instituto Tomie Ohtake, mergulha no mundo perturbado de Yayoi, uma artista capaz de construir imagens belíssimas e, ao mesmo tempo, incômodas. Como no espaço com grandes bolas cor-de-rosa, onde ela surge em vídeo cantando sobre a morte. Seu discurso, porém, não deve ser compreendido de forma literal. Yayoi criou uma personagem de si, apelidou-se de A Princesa das Bolinhas e, como Andy Warhol, faz de sua vida uma eterna performance. Para se ter uma ideia, ela vive há 37 anos — por vontade própria — em uma clínica psiquiátrica no Japão. De 22/5/2014. Até 27/7/2014.
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