Violência e Paixão
- Direção: Luchino Visconti
- Duração: 121 minutos
- Recomendação: 16 anos
- País: Itália/França
- Ano: 1974
Resenha por Miguel Barbieri Jr







Dois anos antes de morrer, já com a saúde debilitada por causa de um infarto, o diretor italiano Luchino Visconti (1906-1976) criou uma obra-prima. Violência e Paixão é seu filme mais autobiográfico e um dos melhores trabalhos do realizador dos formidáveis O Leopardo, Rocco e Seus Irmãos, Morte em Veneza e Os Deuses Malditos. Incontestável cinco estrelas, o longa-metragem ganha reprise com cópia restaurada. Também um dos três roteiristas, Visconti narra com sua habitual elegância a convulsão afetiva de um professor aposentado, interpretado no ponto exato por Burt Lancaster (1913-1994). Em seu suntuoso apartamento de Roma, esse intelectual maduro reservou para os últimos suspiros a companhia dos livros, dos discos e nada mais. Mas algo tende a mudar o pacífico cenário. Nova inquilina do andar de cima, a marquesa Bianca Brumonti (Silvana Mangano) vai atropelar o cotidiano do vizinho trazendo distúrbios e problemas insistentemente. O amante dela (papel de Helmut Berger), um tipo de boa estampa e comportamento duvidoso, contribuirá da mesma forma para a ruína emocional do protagonista. Quando se vê uma fita como esta, percebe-se quanto o cinema perdeu da grandiosidade e do intimismo. Sente-se, é claro, algo démodé nos figurinos, nos hábitos e na decoração. Os diálogos desconcertantes, contudo, permanecem muito atuais, assim como se conservam intactos os sentimentos revelados. Quase um testamento, Violência e Paixão confronta o frescor da juventude com os dissabores da velhice. Em um round amargo e melancólico de duas horas, Visconti vislumbrava o início do próprio fim permeando a história de verdades avassaladoras.







