Tyson
- Direção: James Toback
- Duração: 90 minutos
- Recomendação: 14 anos
- País: Estados Unidos
- Ano: 2008
Resenha por Miguel Barbieri Jr




Mike Tyson voltou aos holofotes
nos últimos tempos. Menos por
uma façanha no ringue, do qual já se
aposentou, e mais pela participação
na comédia de sucesso Se Beber, Não
Case!, vencedora do Globo de Ouro.
O brutamontes, inclusive, prestigiou a
entrega do prêmio no dia 17 de janeiro
ao lado dos atores da fita. Quem o via
socar com gosto os adversários não
imagina: por trás daquele corpanzil
esconde-se um sujeito de língua presa,
fala mansa e ciente de erros passados.
É, portanto, um Mike Tyson além do
estereótipo o que o espectador vai
encontrar no documentário Tyson.
Amigo pessoal do ex-pugilista
desde a década de 80, o diretor
James Toback resume seu registro
a uma longa entrevista entremeada
com antigos depoimentos e imagens
de arquivo. E só. Trata-se de um
projeto de formato arriscado,
sobretudo por ser uma biografia
autorizadíssima e chapa-branca —
Tyson é um dos produtores do
longa-metragem. Desde as primeiras
imagens, porém, nota-se que ele
está a fim de encarar a lente da
verdade. Entre lágrimas, relembra
a infância sofrida no Brooklyn, em
Nova York, as entradas e saídas de
reformatórios e o início no boxe,
aos 14 anos, incentivado por
Cus D’Amato, seu mentor. Foram
cinquenta vitórias, 44 nocautes
e o título de o mais jovem boxeador
campeão dos pesos pesados —
em 1986, aos 20 anos. Houve
também os tombos: o fracassado
casamento com a atriz Robin Givens,
a acusação de estupro, a temporada
de três anos na prisão, as brigas
na Justiça com seu então empresário,
Don King. Lá no fundo, há uma
edificante lição nessa trajetória de
altos e baixos, sopros e bordoadas.
O diferencial: saem de cena a
fantasia e a ficção para prevalecer
a desconcertante realidade. Estreou em 29/1/2010.





