Sede

Tipos de Gêneros dramáticos: Drama
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Resenha por Dirceu Alves Jr.

A obra do dramaturgo libanês Wajdi Mouawad reverberou entre o público brasileiro com as peças Incêndios e Céus, sob a direção de Aderbal Freire-Filho, apresentadas em São Paulo, respectivamente, em 2014 e 2017. Além de Freire-Filho, as duas encenações tinham em comum o nome de Felipe de Carolis como idealizador e um dos protagonistas. É o mesmo Carolis que traz ao palco um novo exemplar da safra desse autor, o drama Sede, escrito em 2007, que ganha direção de Zé Henrique de Paula. Enquanto Incêndios usava referências das narrativas gregas para escancarar uma tragédia familiar e Céus promovia um debate em torno do terrorismo, o atual texto percorre uma trilha poética para a delicada abordagem do suicídio. Nos dias atuais, o antropólogo forense Boon (interpretado por Zé Henrique de Paula) encontra os corpos de dois jovens que teriam se afogado em um rio há muito tempo. Boon começa, então, a reconstituir o próprio passado e, principalmente, a relação com dois personagens que causaram uma mudança de rota em sua trajetória pessoal. O primeiro é Sylvain Murdoch (papel de Felipe de Carolis), um rapaz inconformado com a aura artificial do mundo que o envolve. Mais enigmática, Noruega (vivida por Maria Manoella) ronda os dois como uma imagem poética, trazendo à tona a angústia da valorização da beleza em uma sociedade feia. O texto encontra resposta na encenação construída por Zé Henrique, mesmo que a trilha sonora, executada ao vivo por três instrumentistas, origine números musicais, interpretados por Carolis, superficiais e dispensáveis à trama. Essas inserções não acrescentam nada ao personagem Murdoch e chegam, inclusive, a distanciá-lo do público, ao contrário da misteriosa Noruega de Maria Manoella, que gera crescente interesse em torno de sua personalidade. Por fim, o Boon de Zé Henrique funciona como equilíbrio e representação de uma sociedade imediatista diante do que é realmente belo (100min). 12 anos. Estreou em 1º/2/2020.  Até 29/3/2020. 

    info
  • Direção: Zé Henrique de Paula
  • Duração: 100 minutos
  • Recomendação: 12 anos
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