Quincas Berro D’Água
- Direção: Sérgio Machado
- Duração: 104 minutos
- Recomendação: 14 anos
- País: Brasil
- Ano: 2010
Resenha por Miguel Barbieri Jr








Nascido na Bahia há 41 anos, o diretor e roteirista Sérgio Machado consegue captar bem o espírito da obra de Jorge Amado (1912-2001) na comédia “Quincas Berro d’Água”. Não é para menos. Foi por intermédio do escritor que ele chegou até Walter Salles, produtor de seu primeiro longa-metragem, o documentário “Onde a Terra Acaba”, de 2001. No ano seguinte, Machado comandou a minissérie de TV Pastores da Noite, baseada no romance de Amado. A mesma Salvador tão bem mapeada pelo cineasta no drama “Cidade Baixa” (2005) brilha à meia-luz na correta versão cinematográfica de “A Morte e a Morte de Quincas Berro d’Água”. Lançada em 1959, a novela está entre os grandes textos do escritor baiano. Dela, Machado preservou o humor mórbido e o deboche. Escolheu a dedo quatro atores não muito famosos para os papéis principais. Na trama, Quincas (o experiente Paulo José) morre no dia de seu 72º aniversário. Beberrão e mulherengo, esse ex-funcionário público era símbolo da boemia na capital baiana dos anos 50. Quatro inconformados amigos dele (interpretados por Irandhir Santos, Luis Miranda, Flávio Bauraqui e Frank Menezes) roubam o cadáver no velório para uma noitada de despedida pelas ladeiras do Pelourinho. Se os personagens de Mariana Ximenes (a filha de Quincas) e Vladimir Brichta (o genro) parecem deslocados e ganham desfecho pouco convincente, o quinteto irreverente transpira mais autenticidade — seja por falar o “baianês” com propriedade, seja por suar (também literalmente) a camisa em cenas de tensão e aventuras noturnas. Estreou em 21/05/2010.





