Quarteto Fantástico

- Direção: Josh Trank
- Duração: 100 minutos
- Recomendação: 12 anos
- País: EUA
- Ano: 2015
Resenha por Miguel Barbieri Jr.





Dez anos separam o Quarteto Fantástico “original” deste lançamento homônimo. De lá para cá, muita coisa mudou nas adaptações dos heróis dos quadrinhos, sobretudo com a entrada do gigante Marvel no reino cinematográfico — vide, por exemplo, o estrondoso sucesso dos dois filmes de Vingadores. Eis a pergunta que não quer calar: embora o gênero seja, na maioria das vezes, uma promessa de êxito nas bilheterias, por que recontar a mesma história menos de uma década depois? Em princípio, a escolha do diretor foi acertada. Josh Trank comandou, em 2012, o curioso Poder sem Limites, uma produção menor, porém muito criativa. Ao migrar para o universo dos blockbusters, o cineasta, cercado de produtores, se embolou numa narrativa sonolenta e recheada de efeitos visuais genéricos. A primeira meia hora chega a empolgar ao enfocar a infância e a juventude estudantil de Reed Richards (o bom Miles Teller, de Whiplash). Pequeno gênio, o garoto inventou o teletransporte por meio da eletricidade. É, por isso, convidado pelo Dr. Franklin Storm (Reg E. Cathey) a trabalhar em seu instituto e pôr o projeto em prática. Para resumir a ladainha, Reed mais seu inseparável amigo Ben Grimm (Jamie Bell), Johnny Storm (Michael B. Jordan) e o invejoso Victor von Doom (Toby Kebbell) entram na máquina e vão parar em outra dimensão. Uma fonte de energia por lá os torna seres especiais. Os braços e pernas de Reed ficam elásticos, Ben virou um brutamontes de pedras (chamado Coisa) e Johnny tem o poder do fogo em seu corpo. Sue Storm (Kate Mara), que estava na Terra mas também foi atingida, ganhou o dom da invisibilidade. Para chegar ao momento “transformação”, o roteiro enrola a plateia durante uma hora. O restante resume-se ao chocho enfrentamento dos personagens com o vilão (convém não revelar sua identidade). Na comparação com o primeiro Quarteto Fantástico, o atual só ganha no quesito elenco e atuações. Querendo ser mais “cinzento” e dramático (na cola dos “colegas” de X-Men), o longa-metragem perdeu a cor, a graça e o sentido. Estreou em 6/8/2015.