Pulsões
- Direção: Kika Freire
- Duração: 50 minutos
- Recomendação: 14 anos
Resenha por Dirceu Alves Jr.

Em meio a tanta oferta, um espetáculo bem interessante pode passar despercebido pelo público. O drama Pulsões, escrito por Dib Carneiro Neto e dirigido por Kika Freire, merece ser atenção, principalmente pela capacidade de surpreender o espectador a cada instante. Em um primeiro momento, um casal vive em um local difícil de ser identificado. Diálogos desconexos e movimentos rigorosamente coreografados fazem entender que são dois artistas, uma bailarina vocacionada (interpretada por Fernanda de Freitas, que pode ser substituída pela atriz Natalia Gonsales) e um músico (papel de Cadu Fávero) em ebulição criativa. Ambos estão apaixonados, mas são incapazes de estabelecer uma comunicação e, principalmente, de falar do passado. O incômodo gerado na plateia diante das peças espalhadas desse quebra-cabeça fica minimizado depois da evidência que a dupla se encontra em uma clínica psiquiátrica. As questões de cada um são muito mais conturbadas que a inquietação artística, e o lirismo do texto encontra harmonia justificada com a direção. O cenário, repleto de móbiles, e os figurinos fogem do realismo para realçar a carga poética. Sintonizados, os protagonistas se mostram peças fundamentais desse conjunto. Fávero e Fernanda brilham como componentes de uma performance muito bem conduzida pela direção. João Bittencourt (piano) e Maria Clara Valle (violoncelo) executam a trilha sonora ao vivo. Estreou em 18/9/2015. Até 18/10/2015.





