Entredentes
- Duração: 90 minutos
- Recomendação: 16 anos
Resenha por Dirceu Alves Jr.


Em um jogo de realidade e ficção, o diretor e dramaturgo Gerald Thomas criou espetáculos para gente com quem ele desejava trabalhar. As Fernandas, Montenegro e Torres, ganharam The Flash and Crash Days, Marco Nanini, Um Circo de Rins e Fígados, e até a apresentadora Marília Gabriela estrelou Esperando Beckett. Chegou a vez de Ney Latorraca na comédia Entredentes, numa reedição da parceria entre os dois em Don Juan (1995) e Quartett (1996). A inspiração veio da grave infecção que deixou o ator quase dois meses em coma no fim de 2012 — o tema da retomada da vida surge em cena sutilmente. Em uma associação ao clássico Esperando Godot, de Samuel Beckett, Latorraca e Edi Botelho vivem um judeu e um islâmico que se encontram em Jerusalém na expectativa de algo. Estariam eles aguardando a morte? O fapo de dramaturgia se esvai, e a montagem vira uma enorme e desconexa brincadeira, na qual o homenageado brilha. Como se estivesse em uma stand-up comedy, Latorraca canta e evoca Chico Xavier e Luigi Pirandello. Controlada a estranheza, diverte parte da plateia. Pouco sobra para Botelho e para a portuguesa Maria de Lima, que só chama atenção em aparições pontuais, como no momento no qual ela dança ao som de Cocaine, de Eric Clapton. Thomas perdeu a mão ao abrir demais o leque de referências. Sorte que Latorraca segura firme o interesse, nem que seja pela curiosidade do espectador em ver um grande intérprete em meio ao nonsense das próximas cenas. Estreou em 11/4/2014. Até 11/5/2014.
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