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Carlos Bracher

Resenha por Laura Ming

Parte do ateliê instalado logo na entrada do Centro Cultural Banco do Brasil convida o visitante a conhecer um pouco da intimidade de Carlos Bracher. Além de exibir objetos pessoais, como um sofá e uma TV, o local revela os discos que o artista plástico mineiro, de 74 anos, ouve enquanto está pintando. As canções de Bach, Beethoven e Verdi são tocadas nas salas da exposição e funcionam como trilha sonora da retrospectiva Bracher — Pintura & Permanência, que apresenta noventa obras realizadas ao longo de seus quase sessenta anos de carreira. As pinceladas dramáticas, marca de sua produção, aparecem nos mais diversos temas. Das naturezas-mortas aos retratos, passando pelas paisagens, muitas delas de seu estado natal, como Panorâmica de Mariana (2005). Sem o bucolismo com que Minas Gerais costuma aparecer nas telas, Bracher deixa transparecer intensidade até quando pinta cenas banais. Os grossos e expressivos traços são especialmente interessantes quando dedicados a reproduzir as linhas de Brasília, imprimindo vivacidade ao cenário tradicionalmente frio. A caprichada montagem conta ainda com uma reprodução da residência onde ele cresceu, um oásis artístico em Juiz de Fora, e uma sala interativa. Nela, um computador transforma o movimento corporal do público em coloridos digitais. Até 2/3/2015.

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