As Feiosas
- Direção: Maurício Moraes
- Duração: 60 minutos
Resenha por Clara Nobre de Camargo

À primeira vista, as perucas malucas e as
roupas extravagantes de As Feiosas
causam estranhamento, mas logo se percebem
as boas sacadas do musical. As canções de
Chico César e as cores chamativas remetem
à era da disco music retratada na novela
Dancin’ Days, na qual brilhou o zombeteiro
sexteto As Frenéticas. O deboche, aliás,
permeia todo o espetáculo, em que as
referências ultrapassam os anos 80.
Basta olhar os figurinos geométricos e as
maquiagens bizarras para lembrar de Lady
Gaga e sua estética absurda — sobretudo na
entrada do afiado elenco feminino em cena,
com máscaras e dançando de costas.
O visual anti-fashion e as músicas
amarram o inteligente texto cômico de
Marilia Toledo sobre a ditadura do belo.
Na trama, Durandô (Marcelo Galdino),
um empresário decadente do ramo de
cosméticos, resolve abrir uma agência
formada por um casting de mulheres feias,
que servem para elevar o ego das clientes
bonitonas. Bifum (Marcelo Dias), seu
ajudante, recebe a tarefa de encontrar tais
“modelos” para o novo negócio. Um
invejoso repórter, interpretado por Carlos
Dias, porém, quase põe tudo a perder.
Competentes, as atrizes se revezam em
vários papéis, nos quais sobressaem as
folgadas irmãs Elma (Daniela Cury) e
Elga (Veridiana Toledo), além da top
model esquisitona Fortunata (Nábia Vilella).
O desfecho interativo, decidido pela plateia,
complementa o programa. Mas o que mais
chama atenção é ver as crianças na faixa
dos 8 anos ou mais questionar conceitos
de beleza na saída do teatro. Como se diz,
“quem ama o feio, bonito lhe parece”. Estreou em
20/08/2011. Até 09/10/2011.







