‘Uma boa rádio não apenas apresenta músicas’, diz Emanuel Bomfim
Em livro, o diretor artístico relembra o fechamento da Rádio Eldorado, a mobilização dos ouvintes e a retomada da emissora, que voltou ao ar em outubro
No dia 14 de maio, os moradores de São Paulo foram surpreendidos com uma notícia triste: era o fim da Rádio Eldorado, após quase sete décadas. “Por mais que você tente se antecipar ao pior, nunca está pronto para receber uma notícia com essa gravidade”, lembra Emanuel Bomfim, diretor artístico da rádio e autor do lançamento #VoltaEldorado (Panda Books; 160 págs.; R$ 69,90).
Escrito em um mês e meio, o livro narra os bastidores do fechamento e as tentativas de salvar a emissora. “Sempre senti que a Eldorado, de alguma forma, continuaria existindo. É uma rádio curiosa e corajosa, que não cede à fórmulas desgastadas de mercado”, conta Bomfim.
O livro acompanha também a mobilização dos ouvintes, com atos públicos e um abaixo-assinado, até a volta da rádio, em 7 de outubro, na frequência 107,9 FM, em parceria com a Porto.
3 perguntas para Emanuel Bomfim
Até que ponto a mobilização popular foi decisiva para a volta da Eldorado?
Foi muito decisiva. Porque não se tratava de uma comunidade virtual, infladas por algoritmos. Era algo real, palpável e muito intenso. Isso mexeu com o mercado. Ficou evidente o tamanho dessa marca e a presença dela na vida das pessoas.
O livro tem 16 capítulos, todos intitulados com nomes de músicas. Como foi feita essa seleção?
Essa foi a parte mais divertida do processo do livro. Eu achava que ele tinha que espelhar o fluxo de uma programação da rádio. Nesse caso, inspirado e conectado com os personagens e histórias ali descritas. Tem muitas das minhas preferidas também, caso do Quadron, do Neil Young, do Paul Weller e da Tulipa Ruiz.
Em um momento em que algoritmos dominam a descoberta de músicas, o que uma rádio oferece de especial?
Acho que a grande diferença está na combinação de curadoria e companhia. Uma boa rádio não apenas apresenta músicas que você talvez nunca procurasse por conta própria, mas também contextualiza essas escolhas, conta histórias, estabelece conexões. E tem algo muito especial nessa sensação de estar junto.
Publicado em VEJA São Paulo de 23 de outubro de 2026, edição nº 3018







