‘Cara-de-Barro’: novo filme da DC aposta no terror (literalmente) visceral
Dirigido por James Watkins, aguardado longa sobre o vilão usa efeitos chocantes para retratar a ambição e a busca pela fama em Hollywood
O novo universo cinematográfico da DC toma um rumo insólito e ambicioso com Cara-de-Barro, terror corporal que vai muito além do arquétipo de herói ou vilão. Dirigido por James Watkins, o longa-metragem faz o espectador se contorcer no assento, com cenas (literalmente) viscerais, de revirar o estômago e sentir na pele.
Como pano de fundo, adota o contexto da indústria cinematográfica, com pressões estéticas e a busca cega pela fama, e o surgimento da tecnologia de inteligência artificial. Matt Hagen (Tom Rhys Harries, uma boa escalação para o papel) é um ator no auge do sucesso, que acaba de ser indicado ao Oscar e está rodando um novo filme.
Porém, uma noite de luxúria sai caro e muda sua vida para sempre. Ao se envolver com a mulher de um mafioso, é atacado na própria casa e tem o rosto mutilado e completamente desfigurado. O astro tenta, mas não consegue obter justiça, diante do poder do criminoso e a narrativa na mídia.
Recorre então a um novo método criado por Caitlyn (Naomi Ackie), que usa nanocélulas regenerativas, otimizadas por IA, para curar cicatrizes. Matt aceita fazer um experimento, mesmo em fase de teste, na esperança de sair da condição miserável em que se encontra. Já dá para imaginar que não sai como o esperado e seu corpo vira uma grande mutação, capaz de se transformar em diferentes aparências.
Essa habilidade cria uma sensação de imprevisibilidade para a obra, com a possibilidade do personagem principal se tornar qualquer pessoa. No final, parece que pouco sabemos sobre ele, o que talvez faça sentido com a perda de identidade.
NOTA: ★★★★☆
Entrevista com diretor e elenco de Cara-de-Barro
“Há uma sensação de que ele está se perdendo ou mudando e de como essa transformação chega a ser aterrorizante”, afirmou Tom Rhys Harries, em coletiva de imprensa, da qual Vejinha participou. “Nós vivemos tempos conturbados e acho fascinante como as pessoas estão se interessando pelo terror muito mais do que há 10 anos”, acrescentou.
O body horror, muito bem executado, fica em evidência na produção. “Há momentos em que, de certa forma, dançamos com o público, permitindo que eles aproveitem a intensidade do que está acontecendo”, explicou o diretor James Watkins.
“Para mim, a vibe do filme é sobre ambição”, disse Naomi Ackie. “Isso se relaciona com a indústria do cinema e vai além da vaidade, é sobre escalar até o topo e conseguir um status para ser aplaudido pelas pessoas.”
Publicado em VEJA São Paulo de 23 de outubro de 2026, edição nº 3018.







