Avatar do usuário logado
Usuário
Imagem Blog

Filmes e Séries - Por Mattheus Goto

Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Um guia com críticas, notícias, entrevistas e eventos sobre cinema e streaming

‘Rosebush Pruning’: Karim Aïnouz satiriza a elite em tom ácido

Exibida no Festival de Berlim, nova produção internacional do cineasta cearense aposta em visual vibrante e elenco estrelado para expor a falsa moral

Por Mattheus Goto 15 out 2026, 18h28
Três pessoas em um ambiente escuro com sofás vermelhos. Um homem de cabelo cacheado lê um livro no sofá, outro acende um isqueiro ao fundo, e uma mulher de blusa verde e botas claras está deitada com as pernas para cima
Família problemática em 'Rosebush Pruning' (Felix Dickinson/Divulgação)
Continua após publicidade
‘Rosebush Pruning’: Karim Aïnouz satiriza a elite em tom ácido Priorizar nos meus resultados Google

O diretor cearense Karim Aïnouz adiciona um novo título internacional a sua filmografia. Lançado no Festival de Berlim, Rosebush Pruning é uma viagem ácida ao seio íntimo de uma família hipócrita. O filme usa cores fortes para criar o retrato da falsa moral de uma elite. Ego, poder e obsessão são alicerces de um jogo de gato e rato que vai fundo no ridículo e no absurdo.

A obra surgiu como uma adaptação livre do longa De Punhos Cerrados (1965), do italiano Marco Bellocchio, mas manteve pouquíssimo da história original. Acompanhamos uma família norte-americana que mora na Espanha, composta pelo pai viúvo, cego e autoritário (Tracy Letts) e quatro filhos. O segundo irmão mais velho, Ed (Callum Turner), assume o posto de narrador em um momento de iminência de conflitos e desavenças.

O primogênito, Jack (Jamie Bell), apresenta a todos sua noiva, Martha (Elle Fanning), cuja origem menos abastada é imediatamente julgada pelos irmãos mais novos Anna (Riley Keough) e Robert (Lukas Gage). O movimento de saída de Jack, para morar com a companheira, gera uma fricção dentro de casa e no relacionamento, uma vez que o vínculo familiar é forte, mas talvez nem tanto quanto a vontade de se retirar e dar fim à linhagem de perversidades e extravagâncias. Revelações sobre a mãe (Pamela Anderson) também chacoalham a trama.

É possível notar, graças às excelentes performances do elenco, como cada personagem fica cego pelos próprios desejos. A produção tem uma estrutura ágil e hipnotizante, favorecida pela direção e pela paleta de cores estimulante.

Continua após a publicidade

NOTA: ★★★★☆

3 perguntas para Karim Aïnouz

Como o filme se diferenciou de seus outros?
Tem um tom que eu nunca tinha experimentado, uma sátira sobre os ultrarricos. Traz um grupo de atores, parece uma peça de teatro. E pela primeira vez, não é completamente naturalista. Tem sapatos que voam, estátuas que se movimentam. É muito especial e único na minha trajetória.

Continua após a publicidade

O elenco tem nomes internacionais em alta, eles se mostraram interessados pelo Brasil?
Existe uma curiosidade no cinema hollywoodiano sobre quem não é de lá. Os atores têm vontade de trabalhar com diretores que trabalham de jeito diferente dos americanos. Está todo mundo curioso sobre o que acontece no audiovisual brasileiro. Existe empatia e também um desejo de fazer coisas que não fizeram.

Como essa história originalmente italiana fala sobre o Brasil?

Continua após a publicidade

A história é sobre um pai que é uma espécie de monstro e vai destruindo a própria família. Apesar de ser fantasiosa, quase um conto de fadas às avessas, fala de uma situação que vivemos no mundo contemporâneo: temos homens que estão destruindo o planeta, desde Jeffrey Epstein a presidentes e líderes de empresa.

Publicado em VEJA São Paulo de 16 de outubro de 2026, edição nº 3017.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Multidão de pessoas em protesto na rua, com prédios ao fundo, e texto UM PAÍS SE FORTALECE COM INFORMAÇÃO. À direita, texto Jornalismo de qualidade para entender o Brasil, o mundo e tomar decisões mais conscientes. veja com várias capas da revista Veja em perspectivaMultidão de pessoas de costas, com braços erguidos, em protesto numa rua urbana com prédios altos e árvores. À direita, várias capas da revista Veja sobrepostas, com manchetes e fotos de pessoas
Revista em Casa + Digital Completo
Impressa + Digital
Revista em Casa + Digital Completo

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique.
Assinando Veja você recebe semanalmente Veja Rio* e tem acesso ilimitado ao site e às edições digitais nos aplicativos de Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Superinteressante, Quatro Rodas, Você SA e Você RH.
*Assinantes da cidade do RJ

A partir de R$ 32,90/mês