Jorge Ben Jor mantém legado vivo e conquista novas gerações aos 87 anos
Com ingressos esgotados no Nubank Parque, cantor inspira artistas de diferentes gerações e mantém sua obra em alta nas plataformas digitais
Quando Jorge Ben Jor subir ao palco do Nubank Parque, neste sábado (17), com o show Alquimia Popular Brasileira, desfilará um repertório de hits que atravessam décadas, como Mas Que Nada e Por Causa de Você, Menina, de seu primeiro álbum, Samba Esquema Novo (1963), lançados há impressionantes 63 anos.
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O cantor e compositor faz sua primeira apresentação em um estádio em muito tempo, com ingressos esgotados, e sobe ao palco envolto em uma aura mítica. “Estar em São Paulo para um show dessa magnitude é um presente. Será uma noite de celebração e de uma conexão profunda, onde o ritmo e a alegria guiam o nosso encontro”, disse o artista, avesso a entrevistas, em comunicado à imprensa.
Aos 87 anos — idade há muito escondida e revelada por esta repórter no livro África Brasil: Um Dia Jorge Ben Voou para Toda a Gente Ver (2020) —, Ben Jor encanta diferentes gerações com sua música única e atemporal. Mundialmente admirado, foi gravado por nomes que vão da diva do jazz Ella Fitzgerald (1917- 1996) ao grupo pop Black Eyed Peas.
Sua influência na música brasileira vai da Tropicália ao rap, passando pelo manguebeat e o pagode anos 90. Gilberto Gil está entre os impactados. “Depois de ouvir Jorge pela primeira vez, senti que não havia necessidade de continuar como compositor”, escreveu ele no jornal Folha de S.Paulo em 2018.
Foi demovido da ideia por Caetano Veloso, mas sua obra foi profundamente marcada pelo carioca, com quem lançaria, em 1975, o disco Gil e Jorge: Ogum Xangô.
Em seu Spotify, Jorge acumula 4,4 milhões de ouvintes mensais. Nas redes sociais, viralizou com canções como Me Chamando de Paixão, de 1984, trilha de mais de 3,5 milhões de vídeos do TikTok neste ano, com mais de 1,6 bilhão de visualizações.
Nada mau para um artista que não tem um disco de inéditas desde 2007 e cuja última faixa a sair foi a bilíngue All About You, da trilha do filme O Livro de Clarence (2024), produzido por Jay-Z.
“Jorge Ben é único na maneira de contar suas histórias de brasilidade e mística: artilheiros, apaixonados, alquimistas e libertadores. É um dos pilares da nossa música”, elogia Jorge Du Peixe, vocalista da Nação Zumbi. Ele e os colegas de banda Dengue (baixo) e Gustavo da Lua (percussão) também estão no projeto Los Sebosos Postizos, que em 2012 lançou um disco com repertório de Ben Jor e, desde 2024, apresenta um tributo ao álbum A Tábua de Esmeralda (1974).
Jorge também é celebrado no teatro, no espetáculo Magnólia, com direção e atuação de Marina Esteves e texto de Lucas Moura. Livremente inspirada na obra do artista, a peça, lançada em 2024, conta a história de uma mulher negra enquanto passeia por temas abordados por ele nas canções, como negritude, alquimia, amor e futebol.
Uma banda acompanha a atriz em cena. “A obra de Jorge Ben tem muitas oportunidades de fabulação, com muitas possibilidades e descobertas”, derrete-se Marina. “Acredito que ele é um dos artistas mais importantes da música negra no país e no mundo.”
Nubank Parque. Avenida Francisco Matarazzo, 1705, Água Branca. Tem acessibilidade. Sáb. (17), 19h. R$ 425,00 a R$ 1 295,00. 16 anos. eventim.com.br.
Publicado em VEJA São Paulo de 16 de outubro de 2026, edição nº 3017.







