Lollapalooza tentou trazer Olivia Dean e terá novidade nos horários
À Vejinha, o diretor do festival, Marcelo Beraldo, falou sobre o line-up, elogiou os shows de Charli XCX e Geese e explicou a escolha dos headliners
O Lollapalooza Brasil 2027 anunciou o seu line-up na última quinta-feira (8), com nomes como Charli XCX, Travis Scott, Geese, The Prodigy, The Killers, Queens of the Stone Age e muito mais.
A Vejinha conversou com Marcelo Beraldo, diretor do festival, sobre a escolha dos nomes. À frente da curadoria musical, ele falou sobre os shows que assistiu no Lollapalooza Chicago neste ano e deixou no ar as novidades da edição brasileira.
O festival completa 15 anos no Brasil no próximo ano, retornando ao Autódromo de Interlagos para a maratona de shows nos dias 19, 20 e 21 de março. Leia a entrevista completa a seguir.
Qual a sua avaliação sobre esse line-up?
Estou aliviado. Esse é o meu principal sentimento. Quando é bem recebido assim desse jeito, quase unânime — afinal, perfeito não existe. Estou bem satisfeito com o que estamos mostrando.
Você esteve no Lollapalooza Chicago, que aconteceu entre julho e agosto. O que assistiu lá e destaca, que também virá ao Brasil?
Achei o show da Charli XCX incrível. Eu sabia que ela tinha saído do ciclo do Brat (o penúltimo disco da cantora), mas na minha cabeça o show ainda seria no mesmo formato, com ela sozinha. E não foi, ela levou banda, foi bem rock and roll. Foi uma grata surpresa, não que eu não goste do Brat, é uma estética super atual, mas a banda no palco dá mais energia. Vi a Slayyyter também, que eu nunca tinha visto ao vivo. A gente já tinha fechado com ela, e a primeira impressão, de que seria um nome upcoming, uma artista nova, não era real. Ela já tinha uma carreira, só não tinha estourado ainda como agora. O fato dela tocar em Chicago deu visibilidade, ela já está bem conhecida aqui. Vi também Die Spitz, muito bom. E Geese, foi bem bacana. É uma banda que ao vivo faz muito jus ao buzz que tem. É daquelas bandas que fazem muito mais sentido ao vivo do que no fone.
“Geese é uma banda que ao vivo faz muito jus ao buzz que tem”
O Lollapalooza Brasil está completando 15 anos. Como você olha para esse marco? Terá alguma ação especial de celebração?
Quando começamos a fazer o Lolla Brasil, em 2012, pensávamos em 2012, 2013, 2014… passo a passo. Só mais recentemente, depois da pandemia, que percebemos o espaço que ocupamos. Essa “autoafirmação” é legal, porque os próprios artistas enxergam isso e nos procuram para terem um contato bacana com o público da América do Sul. Isso facilita o trabalho, apesar de ser sempre difícil, a luta por grandes nomes dentro de um mercado competitivo. Ao longo desses 15 anos, nosso time amadureceu demais. As nossas discussões, o nosso jeito de trabalhar, aparentemente caótico. Se você participar de uma reunião nossa com os argentinos, chilenos, colombianos e os norte-americanos, você vai achar que é tudo louco (risos). Mas aprendemos a transformar esse caos criativo em um line-up coerente com o que acontece na música no momento. É um trabalho coletivo.
Teve uma negociação desta edição que foi mais difícil?
Já havíamos tentado o Queens of the Stone Age lá atrás, outros festivais também tentaram, que a gente sabe. Não é novidade, mas já faz um tempo que não vinham. E Fontaines D.C. estava no Lollapalooza (2026), mas um pouco antes tiveram que cancelar por problema de saúde do vocalista. É quase um pedido de desculpas para os fãs.
Um nome que não vinha há muito tempo ao Brasil, desde 2011, é o The Prodigy.
Eles estava sendo disputados. Conseguimos trazer e vão tocar em um horário bem legal, será uma surpresa que estamos preparando. Ainda não vamos divulgar a grade, mas essa será uma das novidades, uma mudança nos horários. Em relação aos 15 anos, o nosso grande objetivo é sempre ter esse line-up consistente. Todo o resto é resto, não que não seja importante também, mas não vamos mexer no que funciona, como a disposição dos palcos. Terá uma ou outra surpresa que eu ainda não posso falar.
A entrada do Mochakk como headliner virou assunto nas redes sociais. Como vocês definem quem será headliner?
O principal critério é quem vende ingressos. Um tanto óbvio, na verdade. O Mochakk é um artista global, que faz sucesso no mundo todo. E ele vende ingressos, ele faz o Mochakk Calling (festa itinerante do DJ) que acompanhamos as vendas e sabemos qual o tamanho. Esse é um local super pertinente para ele ocupar. E o fato dele ser brasileiro só ajuda, temos que ter artistas globais brasileiros para serem headliners.
Um dos nomes que mais comentados, e que não virá, é a cantora Olivia Dean. Estava no radar de vocês?
A gente adoraria que ela viesse, tentamos, mas ela tem outros planos para o ano que vem. Apesar de ter confirmado no Lollapalooza da Índia, ela vai ser headliner lá. Obviamente seria um excelente nome para nós. É um show incrível, eu vi em Chicago. É diferente daquele típico headliner de festival grande, mas funciona. Assim você abre os horizontes dos festivais. É legal ver que existem mais possibilidades.
Como você vê a nova geração brasileira que estará presente nos palcos do Lollapalooza Brasil 2027?
Extremamente efervescente. O pessoal que fala que o rock morreu está redondamente enganado. Talvez ele tenha morrido nas grandes rádios, mas no streaming, nos shows e nos barzinhos ele está mais vivo do que nunca. Me sinto muito feliz e honrado por abrir espaço para essa galera. Essa parte do trabalho é muito gostosa. Tem um lado muito difícil, porque falamos mais “não” do que “sim”. Deixo todos os meus canais abertos para perceber tudo que está rolando, depois monto uma playlist com 300 nomes, fico o ano inteiro ouvindo e seleciono meio que por eliminação. O horário que eu tenho é esse, o palco é esse. E começo a ouvir várias vezes para escolher qual se encaixaria melhor, considerando quem toca antes e depois naquele e em outro palco próximo. O fato é que, desde a abertura dos portões até a meia-noite, o público vai poder ouvir música que o agrada, basta ter um pouquinho de planejamento.







