‘Verity’ entrega mistério e humor sem tentar se intelectualizar
Anne Hathaway interpreta escritora debilitada que é substituída por nova, vivida por Dakota Johnson, em trama sombria e caricata
Mais uma adaptação cinematográfica de um livro de Colleen Hoover entra em cartaz para atrair um público massivo. Depois do desastroso É Assim Que Acaba (2024), que não só era fraco como também gerou controvérsia e processo entre o diretor e a atriz principal, Verity chega como uma evolução.
Tem ótimos atores, um tom mais sombrio e não se leva muito a sério. O suspense psicológico, dirigido por Michael Showalter, tem consciência do lugar que ocupa, no sentido de ser um “filmão” para entreter e render uma boa bilheteria, e por isso não tenta se intelectualizar mais do que o necessário.
O longa acompanha Verity Crawford (Anne Hathaway), escritora bem-sucedida que sofre um acidente de carro e fica incapaz de terminar uma série literária. O marido, Jeremy (Josh Hartnett), convoca a autora novata Lowen (Dakota Johnson) para terminar o trabalho.
A jovem é convidada para passar um tempo na casa da família para se familiarizar com o universo de Verity, mas ao chegar lá se dá conta de que existem inúmeros segredos na trama do casal. Descobre um manuscrito deixado pela autora, que está em estado vegetativo, e nem imagina a espiral de loucura na qual a casa vai entrar.
A dinâmica entre o elenco e a atmosfera proposta pelo diretor funcionam bem, principalmente com a performance de Dakota, capaz de transmitir tensão e alívio cômico quando as situações são caricatas. A atriz passeia pelas nuances sem esforço. É nas brincadeiras de tom que o filme brilha, mesmo sendo um suspense com sangue e sustos, mas que não são os maiores atrativos da obra.
Há também uma boa capacidade de surpreender o espectador a todo momento. Quando algo parece certo, na verdade, há muitas mentiras e disfarces em jogo. Inclusive o final, em aberto, é uma ótima estratégia para gerar conversa e criação de teorias entre os espectadores após a sessão.
NOTA: ★★★☆☆
Publicado em VEJA São Paulo de 9 de outubro de 2026, edição nº 3016.






