Avatar do usuário logado
Usuário
Imagem Blog

Desbravando com Monique

Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Aos domingos, a comunicadora e empreendedora, que também atua como estrategista da nova economia, trará crônicas e insights sobre cultura e lifestyle urbano, tendo São Paulo como vitrine e ponto de partida, sem deixar outras pontes pelo Brasil e o mundo

Produtos Made in China que todo mundo deveria ter

Em viagem pelo país, colunista mostra como o selo 'Made in China' deu lugar ao design autoral e indica três marcas

Por Humberto Abdo 4 out 2026, 10h00
Uma pessoa sentada em um sofá marrom, com saia lilás e blusa rosa, segurando uma bolsa de pelúcia marrom e branca. Ao lado, um cachorro branco da raça Westie, usando um suéter listrado colorido. No chão, um tapete amarelo com listras azuis e uma tigela com tomates cereja vermelhos, amarelos e verdes
Bolsa MUVA, da China (Reprodução/Reprodução)
Continua após publicidade
Produtos Made in China que todo mundo deveria ter Priorizar nos meus resultados Google

Faz pouco mais de um mês que estou desbravando a China. E a primeira coisa que caiu por terra foi uma etiqueta. Cresci lendo “Made in China” no fundo de brinquedo quebrado, de carregador que esquentava, de produto que durava até a próxima chuva. A frase virou sinônimo de barato. E barato, no Brasil, virou sinônimo de descartável.

Aqui, ninguém fala assim. Aqui, a conversa mudou de verbo. Saiu o “fabricado” e entrou o “desenhado”. Made in China deu lugar a Designed in China. Isso não é impressão de turista encantada. Tem número.

O relatório Voice of the Consumer 2025 da PwC chama de “Guochao 2.0” a onda de preferência por marcas nacionais que celebram a cultura chinesa. E um estudo de 2025 da consultoria Hub of China, mostrou que as marcas chinesas superam as estrangeiras em relevância cultural por 41 pontos percentuais. A própria Hub of China resume a nova fase assim: o chinês não compra mais nacional por patriotismo. Compra porque está melhor, mais inovador e mais parecido com ele.

Causa e efeito. Quem fabricava para o mundo aprendeu como o mundo é feito. Depois, decidiu fazer o próprio mundo.

Então, de Xangai para São Paulo, três produtos chineses que todo mundo deveria ter. Nenhum deles é cópia de nada.

Continua após a publicidade

O tênis: Li-Ning

Começo pelo pé, porque é com ele que se desbrava.

A Li-Ning leva o nome do fundador, Li Ning, ginasta que ganhou três ouros nos Jogos de Los Angeles, em 1984, e criou a marca em 1990. Ou seja: não nasceu de um escritório de marketing. Nasceu de alguém que sabe o que um corpo exige de um calçado.

O porquê da indicação é simples. Primeiro, tecnologia própria. A marca desenvolveu o BOOM, uma entressola leve e muito responsiva que, segundo a própria Li-Ning, funciona como um mini trampolim: comprime e devolve energia a cada passo. Você anda a cidade inteira e chega inteiro.

Continua após a publicidade

Segundo, credibilidade. Em 2012, Dwyane Wade, lenda da NBA, assinou com a Li-Ning e construiu ali a linha Way of Wade, em vez de ficar nas gigantes americanas de sempre.

Terceiro, símbolo. Numa pesquisa da Daxue Consulting com jovens chineses, mais da metade lembrou da Li-Ning quando perguntada sobre quais marcas representam o Guochao. Usar Li-Ning é calçar a virada que estou descrevendo nesta coluna.

Para quem joga, a linha Way of Wade. Para quem só quer atravessar a Paulista com estilo, os modelos casuais já resolvem.

Continua após a publicidade

A bolsa: Muva

Se existe uma marca que andaria tranquila pela feira da Praça Benedito Calixto num sábado, é a Muva.

É uma marca autoral de bolsas de Guangzhou. A ideia surgiu em 2017 e a marca foi oficializada em 2020, segundo o registro na Baidu Baike, a enciclopédia chinesa. As formas são lúdicas, meio esculturais, meio despretensiosas, em couro e materiais sintéticos de boa qualidade. Bolsa que parece ter sido escolhida por alguém que tem opinião, não por alguém que tem logo.

É muito vibe quem é de Pinheiros. Aquela pessoa que sai do café, passa no sebo, termina num bar da Mourato Coelho e não quer parecer que fez esforço. Mas fez.

Continua após a publicidade

Baidu Baike associa a Muva ao fenômeno do “daigou reverso”. Antes, chineses viajavam para comprar marcas estrangeiras. Agora, estrangeiros viajam para comprar marcas chinesas. Eu sou a prova.

O perfume: Fragrance Diary

Guardei o mais poético para o fim.

A Fragrance Diary, ou 气味日记, algo como “diário de cheiros”, nasceu em 2019 com uma proposta que me pegou de jeito: guardar a memória das cidades em perfume. O lema é “uma cidade, um respiro”. A marca investe menos em embalagem extravagante e mais no líquido.

Continua após a publicidade

Há fragrâncias exclusivas por cidade. Em Chongqing, por exemplo, a coleção traz notas como chá da montanha e lichia, e frascos de 30 ml saem por menos de 20 dólares, segundo resenhas publicadas no Lemon8. Muitos desses perfumes só são vendidos na própria cidade. Não adianta procurar online.

E é exatamente por isso que vale ter um. Perfume é a memória mais rápida que existe. Você borrifa e volta para a esquina onde estava. Um perfume que só existe num lugar obriga você a ir até ele. Isso é desbravar.

O que eu levo daqui

Não estou dizendo para trocar tudo o que você tem por produto chinês. Estou dizendo para trocar o olhar. A China que eu encontrei não está tentando parecer a Europa nem os Estados Unidos. Está tentando parecer a China. E é aí que mora o valor. Marca forte não é a que imita bem. É a que sabe quem é. A verdade vende. Inclusive em mandarim.

As 5 livrarias e bibliotecas mais bonitas de São Paulo

Publicidade
TAGS:

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Multidão de pessoas em protesto na rua, com prédios ao fundo, e texto UM PAÍS SE FORTALECE COM INFORMAÇÃO. À direita, texto Jornalismo de qualidade para entender o Brasil, o mundo e tomar decisões mais conscientes. veja com várias capas da revista Veja em perspectiva
Revista em Casa + Digital Completo
Impressa + Digital
Revista em Casa + Digital Completo

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique.
Assinando Veja você recebe semanalmente Veja Rio* e tem acesso ilimitado ao site e às edições digitais nos aplicativos de Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Superinteressante, Quatro Rodas, Você SA e Você RH.
*Assinantes da cidade do RJ

A partir de R$ 32,90/mês