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Como São Paulo está reinventando a forma de adotar um pet

Iniciativas como Puppy Yoga e cat café trocam feiras tradicionais por experiências de conexão, enquanto sistema de abrigos enfrenta sobrecarga

Por Aline Fiori 4 out 2026, 14h00
Mulheres em aula de yoga com um filhote de cachorro caramelo. Elas estão em posição de cachorro olhando para baixo sobre tapetes pretos, com cabelos longos caídos. O filhote está entre duas mulheres, olhando para a direita. O chão é de madeira.
Puppy Yoga: espaço de interação entre os bichinhos e possíveis tutores  (Hugo Scapolan/Divulgação)
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Relatório inédito lançado em abril pela entidade Medicina de Abrigos Brasil faz um alerta importante: o sistema de acolhimento animal está sob pressão. A capacidade de resposta dos abrigos, mesmo com aumento nas adoções, ainda não acompanha o ritmo de entrada dos bichos.

Sem um levantamento oficial que possa orientar políticas públicas mais eficazes, os paulistanos se mobilizam em iniciativas para estimular o contato com os pets e a busca por um novo lar.

No dia 7 de novembro, a Fábrica de Dengo, loja-conceito da marca de chocolates em Pinheiros, recebe mais uma edição do Puppy Yoga, evento mensal que une a prática do exercício à interação com filhotes de cães, que circulam livremente entre os alunos.

Homem de barba e óculos, em camiseta preta, faz pose de yoga cachorro olhando para baixo em tapete cinza, com dois filhotes de cachorro próximos. Um filhote marrom claro está em pé, e outro filhote branco e caramelo está sentado, ambos olhando para o homem. O chão é de madeira.
Puppy Yoga: conexão entre bem-estar e adoção (Hugo Scapolan/Divulgação)

Uma das idealizadoras, Dani Barssalos conta que a ideia é popular em cidades como Nova York e Londres, mas que trouxe um diferencial: “Por meio de parceria com ONGs, os cachorros podem ser adotados, e parte da renda com as aulas vai para a instituição”.

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Sua sócia, Toia Scalco, acrescenta que a interação é mais importante que a performance física. “É um lugar de conexão e bem-estar”, diz.

Grupo de mulheres diversas, sorrindo e pintando taças de vinho em uma mesa de madeira, com bebidas e petiscos. Ao fundo, uma parede rosa com um letreiro neon RONRON CAT CAFÉ e luzes penduradas no teto
Ronron Cat Café: arte, café e gatos (Greice Moreti/Divulgação)

No Ronron Cat Café, na Vila Leopoldina, o aroma de café e as oficinas de arte são chamarizes para tutores em potencial. A cafeteria abriga parte dos gatinhos recebidos pela ONG Cat Land.

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“Não é você que escolhe o gato, é ele que te escolhe”, brinca a proprietária Greice Moreti. Quem quiser visitar os felinos e, quem sabe, sair com um deles paga uma taxa de 30 reais, usada nos cuidados com os bichos.

CasAdote-na-Vila-Madalena
Fachada da CasAdote, na Vila Madalena: projeto assinado por Brunete Fracarolli (Thaina Tibana/Divulgação)

Criada pelo Instituto Ampara Animal e pela ONG Encontrei Um Amigo, a CasAdote, na Vila Madalena, também funciona como ponto de encontro entre cães e gatos e interessados em transformar a vida de animais em situação de vulnerabilidade.

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O objetivo é modificar a forma como se enxerga a adoção. “Feiras não têm conforto térmico e os cercadinhos incomodam o animal”, aponta a veterinária Ana Laura Souza.

Quatro mulheres sorridentes, vestindo camisetas pretas do Instituto Ampara Animal, posam em um sofá laranja. Uma delas segura um cachorro branco de porte pequeno.
Insituto Ampara Animal: auxílio para adoção e resgate (Rafael Cusato/Divulgação)

E Juliana Camargo, presidente do Ampara Animal, alfineta: “O brasileiro fala do caramelo como patrimônio nacional, mas prefere levar para casa o lulu-da-pomerânia” — um filhote da raça pode ultrapassar os 10 000 reais. Com visitas a 25 reais, em dez meses a CasAdote já concluiu 560 adoções.

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Gato cinza de olhos verdes sentado em uma prateleira amarela, com halteres pretos em primeiro plano e uma janela com vista para árvores ao fundo
Gibi Academia: lar de 15 felinos (Leo Martins/Veja SP)

A Gibi Academia fez um movimento diferente. Quando adquiriu o imóvel para montar o negócio, o proprietário encontrou dez felinos vivendo nele e decidiu adotá-los.

Hoje, o espaço acolhe quinze “moradores”, que se aninham sobre os equipamentos de musculação. “Eles já se acostumaram com os alunos”, conta a coordenadora Jane Mendes. Segundo ela, há quem se matricule só por conta deles. Difícil é não se distrair com tanta fofura.

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Publicado em VEJA São Paulo de 1º de outubro de 2026, edição nº 3015.

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