Como São Paulo está reinventando a forma de adotar um pet
Iniciativas como Puppy Yoga e cat café trocam feiras tradicionais por experiências de conexão, enquanto sistema de abrigos enfrenta sobrecarga
Relatório inédito lançado em abril pela entidade Medicina de Abrigos Brasil faz um alerta importante: o sistema de acolhimento animal está sob pressão. A capacidade de resposta dos abrigos, mesmo com aumento nas adoções, ainda não acompanha o ritmo de entrada dos bichos.
Sem um levantamento oficial que possa orientar políticas públicas mais eficazes, os paulistanos se mobilizam em iniciativas para estimular o contato com os pets e a busca por um novo lar.
No dia 7 de novembro, a Fábrica de Dengo, loja-conceito da marca de chocolates em Pinheiros, recebe mais uma edição do Puppy Yoga, evento mensal que une a prática do exercício à interação com filhotes de cães, que circulam livremente entre os alunos.
Uma das idealizadoras, Dani Barssalos conta que a ideia é popular em cidades como Nova York e Londres, mas que trouxe um diferencial: “Por meio de parceria com ONGs, os cachorros podem ser adotados, e parte da renda com as aulas vai para a instituição”.
Sua sócia, Toia Scalco, acrescenta que a interação é mais importante que a performance física. “É um lugar de conexão e bem-estar”, diz.
No Ronron Cat Café, na Vila Leopoldina, o aroma de café e as oficinas de arte são chamarizes para tutores em potencial. A cafeteria abriga parte dos gatinhos recebidos pela ONG Cat Land.
“Não é você que escolhe o gato, é ele que te escolhe”, brinca a proprietária Greice Moreti. Quem quiser visitar os felinos e, quem sabe, sair com um deles paga uma taxa de 30 reais, usada nos cuidados com os bichos.
Criada pelo Instituto Ampara Animal e pela ONG Encontrei Um Amigo, a CasAdote, na Vila Madalena, também funciona como ponto de encontro entre cães e gatos e interessados em transformar a vida de animais em situação de vulnerabilidade.
O objetivo é modificar a forma como se enxerga a adoção. “Feiras não têm conforto térmico e os cercadinhos incomodam o animal”, aponta a veterinária Ana Laura Souza.
E Juliana Camargo, presidente do Ampara Animal, alfineta: “O brasileiro fala do caramelo como patrimônio nacional, mas prefere levar para casa o lulu-da-pomerânia” — um filhote da raça pode ultrapassar os 10 000 reais. Com visitas a 25 reais, em dez meses a CasAdote já concluiu 560 adoções.
A Gibi Academia fez um movimento diferente. Quando adquiriu o imóvel para montar o negócio, o proprietário encontrou dez felinos vivendo nele e decidiu adotá-los.
Hoje, o espaço acolhe quinze “moradores”, que se aninham sobre os equipamentos de musculação. “Eles já se acostumaram com os alunos”, conta a coordenadora Jane Mendes. Segundo ela, há quem se matricule só por conta deles. Difícil é não se distrair com tanta fofura.
Publicado em VEJA São Paulo de 1º de outubro de 2026, edição nº 3015.






