‘Morte e Vida Madalena’ faz ode ao cinema e à família
Filme é homenagem do diretor Guto Parente a famílias formadas por meio de uma produção cinematográfica
Novo filme do diretor cearense Guto Parente, Morte e Vida Madalena faz uma ode ao cinema, à família e à superação em meio às dificuldades. Para isso, conta com personagens vívidos e cheios de personalidade, muito bem construídos, mesmo com pouco tempo de tela.
Com título inspirado em Morte e Vida Severina (1955), de João Cabral de Melo Neto (1920-1999), a história transita entre tragédia e esperança com Madalena (Noá Bonoba) como figura central, que é obrigada a tomar as rédeas da produção de um longa de ficção científica quando o pai (Carlos Francisco) morre em meio às gravações. Ela está grávida de oito meses, o que levanta o primeiro dilema, sobre dar continuidade ao projeto ou não.
A meta dela é terminar antes do bebê nascer, mas as filmagens começam a enfrentar dificuldades quando o posto de diretor fica vazio e o primeiro encarregado cria um caos no set. A protagonista decide chefiar a produção, à medida que reflete sobre sua história e ganha confiança.
As fronteiras entre realidade e sonho começam a se borrar como uma forma de processar o luto. Como em seu excelente último filme, Estranho Caminho (2023), Guto Parente empurra os limites da ficção com naturalidade. Cada integrante da trupe divertida chega para agregar e dar gosto e cor.
As metáforas são bem elaboradas e utilizadas a serviço da história, que, compacta, cria com objetividade o retrato de uma família formada em torno do trabalho coletivo de uma produção audiovisual. Soa como uma celebração do diretor e roteirista às relações formadas pelo cinema.
NOTA: ★★★★☆
Publicado em VEJA São Paulo de 25 de setembro de 2026, edição nº 3014.






