Comportamento

Steampunks: fãs de ficção científica e do visual do século XIX

Originado nos anos 80, termo mistura 'steam' (vapor, em inglês), uma referência à Revolução Industrial, com 'punk', de cyberpunk

Por: Carolina Giovanelli - Atualizado em

Steampunks - 2182
Dourado, Nalini, Felippe e Jéssica, em evento na Livraria Cultura: roupas garimpadas em brechós (Foto: Fernando Moraes)

Por volta das 16 horas do último dia 4, umas figuras incomuns marcavam presença na Livraria Cultura do Bourbon Shopping. As moças ostentavam espartilho, saia longa e acessórios de aspecto envelhecido. Os rapazes, colete, relógio de bolso e óculos paramentados. Atraíam os olhares e comentários como “Eles são de alguma peça de teatro?”. Não, não eram. Tratava-se de steampunks, fãs da literatura e do visual do século XIX que prestigiavam um bate-papo sobre o tema. “Só nos vestimos assim para ir a saraus ou reuniões, mas dá para incorporar peças como o colete e o chapéu no dia a dia”, afirma o estudante Carlos Eduardo Felippe, de 22 anos, um dos líderes do movimento em São Paulo, que costuma garimpar suas roupas em brechós. “É difícil ser steampunk num país tropical.”

Cunhado no começo dos anos 80, o termo mistura “steam” (vapor, em inglês), uma referência à Revolução Industrial, quando as máquinas eram movidas por essa fonte de energia, com “punk”, que vem de cyberpunk, uma ramificação da ficção científica. Representa, assim, um gênero literário que adiciona elementos fantásticos, como engenhocas curiosas, a histórias ambientadas no passado. Pode ser identificado em filmes como ‘Sherlock Holmes’ (2009), de Guy Ritchie, e ‘Van Helsing — O Caçador de Monstros’ (2004), de Stephen Sommers.

Organizada no Brasil há apenas dois anos, a tribo está espalhada por todo o país. A maioria dos aproximadamente 400 adeptos, porém, se encontra em São Paulo — onde há pelo menos oitenta aficionados das tradições de mais de dois séculos atrás e da vestimenta da era vitoriana, tempo de vestidões e casacos de cores sóbrias. “Inventamos personagens baseados no que lemos nos livros para recriar melhor o passado”, conta o escritor Eduardo Dourado, de 34 anos, que adotou o nome de fantasia Lord Fire. Ele chegou a customizar o laptop e o MP3 para lhes dar ares retrô. “Além do visual, resgatamos alguns valores que foram esquecidos. Sou bastante cavalheiro.” Há dois meses, ele começou a namorar Nalini Olivieri, ou Lady Nani, 22, que também se juntou à turma. Casado e com dois filhos, Raul Cândido, de 24 anos, outro líder dos steampunks em São Paulo, garante que tudo não passa de brincadeira. “É um estilo que não tem medo de fazer graça de si mesmo.”

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO