Economia

Por causa da crise, shoppings cortam gastos até com o Papai Noel

Segundo especialista, lojistas reduziram custos em até 30%; o cargo de "bom velhinho" pode pagar, em média, 7 000 reais por 45 dias de trabalho

Por: Veja São Paulo

Silvio Ribeiro
Sobrou até para o Papai Noel: shoppings cortam até a equipe do bom velhinho para conter gastos  (Foto: Divulgação)

Enquanto a crise afasta os consumidores de shoppings, com medo de endividamentos, há um grupo que briga por uma vaga em uma das cadeiras dos estabelecimentos. Com salários que chegam a 7 000 reais, por 45 dias de trabalho, o Papai Noel já aparece pelas lojas da capital, posando para fotos e entretendo as crianças. A realidade, porém, é que em época de vacas magras, muitos shoppings reduziram o efetivo de “bons velhinhos” para conter gastos, tornando mais acirrada a disputa pelo cargo. "Em uma sondagem com lojistas, constatamos que houve uma retração entre 20% e 30% nas contratações", disse o diretor de relações institucionais da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), Luiz Augusto Ildefonso da Silva. 

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O dado é confirmado por Silvio Ribeiro, que atua como Papai Noel por mais de 40 anos e dá aula para candidatos pela Claus Produções Artísticas. "Tem muito Papai Noel desempregado aí", disse. Segundo Ribeiro, alguns shoppings cortaram o número de atores pela metade e aumentaram a carga horária para oito horas. "Antes, costumavam ser dois, em um turno da manhã e da noite, agora, é um trabalhando por oito horas", disse. 

A crise também afetou a entourage, como duendes, mamães noéis, noeletes, equipe de fotografia.  "Até os fotógrafos foram afetados. As pessoas só querem tirar selfies com o Papai Noel. Eles foram dispensados", complementa. "Mamãe Noel quase não existe mais, no máximo, encontramos as noeletes", disse, referindo-se as assistentes do papai noel.

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Mesmo assim, Ribeiro se mantém otimista. Acredita que a situação possa melhorar semanas antes do Natal, quando é liberado o 13º salário e movimento aumenta na busca por presentes. Mas, por enquanto, acompanha em suas aulas de treinamento o surgimento de novos perfis de Papai Noel. São mais jovens, recém-desempregados, alguns sem perfil para atuar, que estão endividados e buscam uma renda extra.

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Para ele, quem quiser seguir com o personagem, deve prestar atenção aos detalhes: tamanho de barba, peso, tom da risada, postura, roupa. “O perfil é esse, se não tiver o perfil, for muito magrinho, coma mais macarrão no ano que vem”, diz brincando. 

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Fonte: VEJA SÃO PAULO