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A vida de faraó de Sergio Marone, destaque de 'Os Dez Mandamentos'

Ator paulistano faz sucesso na novela da Record, que bate recorde de audiência na emissora

Por: Ana Carolina Soares

Sergio Marone
O ator, que pega pesado na malhação: cantadas nas ruas (Foto: Ricardo D'Angelo)

A proposta deixaria muitos homens felizes. “Posso ser sua segunda esposa?”, sugeriu um dia desses uma bela mulher, com seus 30 anos, enquanto esperava o avião rumo ao Rio, em Congonhas. O destino da cantada, o ator Sergio Marone, não achou má ideia. “Se o Brasil fosse avançado como o Egito antigo e tolerasse a poligamia, muitos casais seriam mais felizes”, respondeu. Ele se encantou com a “terra dos deuses” no ano passado, quando recebeu o papel do faraó Ramsés, o vilão de Os Dez Mandamentos, da Record. A novela de enredo bíblico, que estreou em março, operou um pequeno milagre na audiência da emissora. Na semana passada, a atração, que vai ao ar às 20h30 de segunda a sexta, bateu 17 pontos no Ibope na Grande São Paulo. Isso equivale a pelo menos 3 milhões de pessoas sintonizadas. Com o feito, entrou no ranking dos vinte programas mais vistos na cidade, uma lista em que até então só figuravam produções da Rede Globo.

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A crítica está longe de se empolgar com a adaptação, que enfatiza um triângulo amoroso: Moisés (interpretado por Guilherme Winter) demonstra interesse por Nefertari (Camila Rodrigues), a mulher do faraó. “A novela tem um visual grandioso de uma escola de samba e um enredo previsível; afinal, basta pegar a Bíblia para saber as cenas dos próximos capítulos”, avalia Lauro César Muniz, autor com cinquenta anos de carreira que, até dezembro de 2013, era contratado da Record. O vilão Ramsés de Sergio Marone rouba a cena. Nos últimos dias, tem aparecido mais do que o protagonista. No folhetim, o ator de 34 anos e 1,93 metro de altura, dono de um corpo com 9% de gordura (esculpido por uma rotina espartana de exercícios e dieta), apresenta-se sedutor, com um humor irônico e romântico. De quebra, não perde a oportunidade de exibir em cena a barriga tanquinho. Nas ruas e nas redes sociais, o artista paulistano ganhou o apelido de Rams, recebe declarações de amor do tipo “Vem cá, meu rei”, “Meu faraó maravilhoso” e “Além de lindo, é ótimo ator”.

os dez mandamentos na record
Coroação de Ramsés: recorde de audiência na segunda (15) (Foto: MUNIR CHATACK/ Divulgação)

Trata-se de seu primeiro trabalho na televisão fora da Rede Globo. “Considero meu melhor papel, o mais desafiador”, afirma Marone. Na preparação para o personagem, o ator precisou aprender a manusear espadas de 3 quilos por causa das lutas. Além disso, volta e meia o elenco contracena com bichos como escorpiões, lagartos e serpentes e não há uma cronologia nas gravações. As cenas que mostram a derrota do faraó, após a abertura do Mar Vermelho, foram rodadas há dois meses, mas só irão ao ar no segundo semestre. Para os vinte segundos dessa passagem, Marone permaneceu quase dez horas no Recnove (estúdios da emissora no Rio). Desse total, duas horas foram gastas no processo de maquiagem para fazer com que ele parecesse um homem de 50 anos. O ator ficou sozinho no set de filmagem diante de uma equipe de 150 pessoas, muitas vindas da Stargate, produtora de Los Angeles contratada pela Record. A empresa realiza os efeitos especiais da novela e ostenta no portfólio trabalhos como a série The Walking Dead. “Eu me imaginei solitário no deserto com milhares de soldados mortos”, lembra o artista. “Foi bem doido.”

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Antes de ser faraó, ele interpretou galãs na Rede Globo, como o Cecéu, de O Clone. Virou campeão de cartas da emissora na época. Dois anos depois, em 2004, estreou nos palcos em O Santo Parto, peça de Lauro César Muniz indicada a cinco prêmios Shell. Interpretou um jovem que seduzia, beijava e engravidava um padre. “Nem liguei para quem me chamou de ‘gay’. Não quis ficar na zona de conforto dos papéis de garotos bonitos” ,afirma. Devido a essa postura, merece a admiração dos colegas. “É calmo, divertido e, ao mesmo tempo, muito profissional”, elogia Juliana Martins.

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A atriz divide o palco com ele naturnê nacional da peça Eu Te Amo, que estreou em 2010 e seguirá até 2016. Marone namorou beldades como as atrizes Maitê Proença e Danielle Winits, teve um affair com a modelo Naomi Campbell e quase se casou com Alinne Moraes. “Sei escolher bem, né? Há outras fora da mídia também.” Sozinho há três anos (“Gosto do ditado ‘sou solteiro e você tem de ser incrível para mudar isso’”), não liga para a ideia de formar uma família tradicional, ao estilo dos comerciais de margarina. No campo religioso, é adepto do sincretismo (já chamou um colega de “erê”, entidade do candomblé, e agradeceu uma folga a “Santa Rita do Recnove”). Ninguém da emissora quis “cortar sua cabeça” por isso, mas, recentemente, foi criticado em uma rede social por um grupo de fãs do pastor Silas Malafaia por declarar não ter lido a Bíblia para interpretar Ramsés. “Respeito a opinião de todos, mas o Brasil anda muito careta”, rebate o artista.

Os Dez Mandamentos na Record
Cenário luxuoso: a novela evangelizadora tem cerca de 500 figurantes (Foto: Michel Angelo/ Divulgação)

Com investimento de aproximadamente 700 000 reais por capítulo, mesmo patamar de um folhetim do horário nobre da Globo, a novela da Record é um projeto de Marcelo Silva, bispo da Igreja Universal e vice-presidente da Record. Em 2013, a empresa de Edir Macedo decidiu investir pesado nas histórias religiosas, como a superprodução José do Egito, minissérie de 39 capítulos orçada em 28 milhões de reais. Com o sucesso de Os Dez Mandamentos, a equipe acelerou a preparação da próxima produção. Em 2016, será a vez do folhetim Josué, o sucessor de Moisés que entrou em Israel, a Terra Prometida.

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Enredo bíblico

Curiosidades da produção mais cara da história da emissora

› 7 000 metros é o tamanhoda cidade cenográfica. Levou 105 dias para ficar pronta

› 700 000 reais é o custo de cada um dos 150 capítulos

› 450 funcionários trabalham na trama

› 2 000 peças de roupa e 300 joias compõem o figurino

› 650 quilos foi o excesso de bagagem nas viagens para gravar no Deserto do Atacama, no Chile

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Fonte: VEJA SÃO PAULO