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Perfil

A Hollywood do Dr. Rey

Ex-trombadinha que migrou aos 12 anos para os Estados Unidos, o paulistano mais conhecido como Dr. Hollywood formou-se médico e virou estrela de reality show

18.mai.2012 por João Batista Jr., de Los Angeles

Desferindo socos e voadoras no ar como um garoto que acaba de descobrir os filmes de Bruce Lee. É assim que Roberto Miguel Rey Junior surge na sala do pré-operatório de seu consultório no Bedford Surgical Center, o centro de estética mais sofisticado de Beverly Hills, em Los Angeles, nos Estados Unidos. A cena, ocorrida no último dia 7, às 17 horas, não surpreende nenhuma de suas doze funcionárias, já habituadas ao estilo excêntrico do patrão. Ele chega falando como uma matraca, recende a perfume adocicado Carolina Herrera, ostenta no pulso um Rolex Submariner de ouro cotado em 90.000 reais e veste camiseta com decote em “V”, figurino adotado para deixar à mostra o resultado das sessões diárias de 1h30 de malhação. “Olá, menina linda, se não fosse ilegal, daria um beijo em você! Vamos já dar um trato nos seus seios”, diz para a americana Renée Peralta, de 25 anos, paciente que está à sua espera para realizar um implante de silicone. O médico, que costuma cobrar entre 10.000 e 20.000 dólares por esse tipo de serviço, vai operá-la de graça. Em troca, ela assinará um termo autorizando o uso de sua imagem para a televisão. Mario Rodrigues
Com a paciente Renée Peralta (deitada): operada de graça, em troca da cessão das imagens de sua cirurgia para a TV
Com a paciente Renée Peralta (deitada): operada de graça, em troca da cessão das imagens de sua cirurgia para a TV
(Foto: Mario Rodrigues)
Com a paciente Renée Peralta (deitada): operada de graça, em troca da cessão das imagens de sua cirurgia para a TV Antes do início da sessão com o bisturi, a equipe fica a postos, compenetrada, enquanto o chefe faz uma oração em português. “Nosso pai celestial, abençoe a paciente para ela ficar melhor e mais alegre”, reza Rey, com os olhos fechados e de mãos dadas com os auxiliares e enfermeiras (na maior parte do tempo, ele se expressa num inglês impecável, quase sem sotaque). + As esquisitices do cirurgião de Hollywood + O que Dr. Rey pensa sobre vaidade, sucesso e família Nas duas horas seguintes, comanda os trabalhos, que começam com uma aplicação de trinta agulhadas de anestesia em várias partes do corpo da mulher sobre a maca. Um grupo formado por um cinegrafista, um sonoplasta, um diretor e uma produtora registra todos os passos. Familiarizado com o circo televisivo, o médico repete algumas “cenas”, com a paciente sedada. “O som está bom? A luz está perfeita?”, pergunta, enquanto se prepara para aplicar uma injeção de 400 mililitros de silicone. Terminado o procedimento, olha para a câmera e, apalpando os seios de Renée, conclui num tom professoral: “É fundamental que o resultado fique simétrico”. Mario Rodrigues
O prédio onde fica a clínica: seis cirurgias por dia
O prédio onde fica a clínica: seis cirurgias por dia
(Foto: Mario Rodrigues)
O prédio onde fica a clínica: seis cirurgias por dia Essas imagens são ao estilo do reality show sobre cirurgias plásticas que o deixou famoso. Batizado de “Dr. 90210” e transmitido entre 2004 e 2010 pelo canal americano E! Entertainment Television, o espetáculo com forte apelo trash mostrava o dia a dia de sua clínica em Beverly Hills. Nos Estados Unidos, a atração conquistou uma audiência de 38 milhões de espectadores, o que fez com que ela fosse exportada para outros 172 países. “Ele tem linguagem acessível, é vaidoso e mostra o estilo de vida de Hollywood”, afirma Rick Leed, produtor executivo do “Dr. 90210”, referindo-se a Rey. Rebatizado de “Dr. Hollywood”, o programa entrou em 2006 na grade da RedeTV!, repetindo por aqui um sucesso semelhante. Exibido até janeiro deste ano, rendia uma média de 5 pontos no ibope, um feito para a audiência da emissora. Mario Rodrigues
Ele e as “reyzetes” no cenário de Sexo a Três: “Será o negócio mais quente já exibido na TV”
Ele e as “reyzetes” no cenário de Sexo a Três: “Será o negócio mais quente já exibido na TV”
(Foto: Mario Rodrigues)
Ele e as “reyzetes” no cenário de Sexo a Três: “Será o negócio mais quente já exibido na TV” O bom desempenho levou o canal a contratar Rey para comandar uma atração própria, inteiramente produzida no Brasil. Chamado de “Sexo a Três”, será um espetáculo de auditório que vai abordar assuntos como sexo, medicina e bizarrices em geral. “Exibiremos a coisa mais quente já levada ao ar no mundo”, promete o apresentador, bem ao seu estilo exagerado. Pode-se dizer, porém, que ele realmente está caprichando para atingir esse objetivo. Suas quinze auxiliares de palco, batizadas de “reyzetes” e vestidas com trajes sumários, ficam rebolando freneticamente. Figuras do naipe da ex-modelo Monique Evans e do ex-BBB Kléber Bambam disputam um game show sobre sexo. Os comentários de Rey batem recordes de baixaria. Entre uma prova e outra, ele aproveita para mostrar cenas de cirurgias. Com estreia prometida para o próximo dia 27, o programa será exibido aos domingos, após as 21h. O médico deve receber 200.000 reais por mês, entre salário e participação com comerciais e merchandising. Antes mesmo de ir ao ar, o negócio já rendeu uma polêmica: uma funcionária da RedeTV! deixou a produção de “Sexo a Três” depois de receber um elogio grosseiro de Rey, dizendo-se vítima de assédio sexual. O cirurgião nega o caso. “Pedi cópias das gravações do circuito interno da emissora e vou levá-la à Justiça por difamação”, afirma ele. + Assista à cirurgia feita por Dr. Hollywood Filho de pai americano que lutou na II Guerra Mundial e de uma faxineira gaúcha, Rey tem uma história tão incomum quanto o roteiro de seus programas. Paulistano nascido há 50 anos no bairro da Lapa, morou na infância com os pais e três irmãos — Valquíria, Valdívia e Jaques — em um apartamento de dois quartos na Rua Faustolo. “O alcoólatra do meu pai dormia em um quarto com suas trinta armas, enquanto nós ficávamos espremidos no outro cômodo”, lembra. Quando garoto, chegou a flertar com a delinquência, cometendo pequenos furtos em mercados da região. Surrupiava mercadorias, como pacotes de bolacha e xampus. “Se minha vida não tivesse mudado radicalmente, seria hoje um marginal”, diz. Arquivo pessoal
Rey (no centro), ao lado das irmãs Valquíria (à dir.) e Valdívia: infância difícil em São Paulo
Rey (no centro), ao lado das irmãs Valquíria (à dir.) e Valdívia: infância difícil em São Paulo
(Foto: Arquivo pessoal)
Rey (no centro), ao lado das irmãs Valquíria (à dir.) e Valdívia: infância difícil em São Paulo Aos 12 anos de idade, segundo conta, um grupo de missionários mórmons bateu à porta de sua casa e conseguiu autorização para levá-lo aos Estados Unidos. Ficou dois anos no estado de Utah com a família adotiva, até que seus irmãos e a mãe também migrassem para uma fazenda do Arizona, sempre bancados pelos religiosos. Graças a essa ajuda e a uma boa dose de esforço próprio, adaptou-se bem ao país e avançou nos estudos. Seu currículo inclui passagens por boas faculdades de química e de medicina e uma especialização em cirurgia plástica em Harvard, uma das instituições de ensino mais respeitadas do mundo. “Estudava quinze horas por dia e ralei muito para vencer o preconceito que existe aqui contra os latinos”, orgulha-se Rey, que diz ter perdido o contato com a mãe há dez anos. Mario Rodrigues
Câmeras até no cemitério público de Franco da Rocha, na Grande São Paulo, onde o pai foi enterrado há dois anos: “Vou tirá-lo daquele lugar horrível para que consiga descansar em paz”
Câmeras até no cemitério público de Franco da Rocha, na Grande São Paulo, onde o pai foi enterrado há dois anos: “Vou tirá-lo daquele lugar horrível para que consiga descansar em paz”
(Foto: Mario Rodrigues)
Câmeras até no cemitério público de Franco da Rocha, na Grande São Paulo, onde o pai foi enterrado há dois anos: “Vou tirá-lo daquele lugar horrível para que consiga descansar em paz” O pai morreu em 2010 e está enterrado num cemitério de Franco da Rocha, na Grande São Paulo. “Ele bebia, tinha amantes e batia na minha mãe, mas mesmo assim vou tirá-lo daquele lugar horrível para que consiga descansar em paz”, promete. Numa visita ao túmulo, o médico levou uma equipe de gravação para registrar tudo. A história do garoto pobre que venceu nos Estados Unidos foi bastante explorada no reality show. Mario Rodrigues
Sydney, Rey, Robby e Hayley na sala da mansão de Beverly Hills: vizinhos de Sharon Stone e Demi Moore
Sydney, Rey, Robby e Hayley na sala da mansão de Beverly Hills: vizinhos de Sharon Stone e Demi Moore
(Foto: Mario Rodrigues)
Sydney, Rey, Robby e Hayley na sala da mansão de Beverly Hills: vizinhos de Sharon Stone e Demi Moore Devido ao novo compromisso com a RedeTV!, o cirurgião passou a viver na ponte aérea Los Angeles-São Paulo. No começo deste mês, estava em Beverly Hills preparando-se para vir acertar no Brasil os últimos ponteiros de seu programa. Por lá, vive com a mulher e os dois filhos em uma casa de 800 metros quadrados com uma vizinhança estrelada. “Demi Moore, Mark Wahlberg e Sharon Stone moram aqui por perto”, enumera. “Aliás, um filho da Sharon é colega de classe do meu filho Robby.” Essa vizinhança toda não afasta sua paranoia por segurança: ele carrega uma pistola 9 milímetros no porta-malas de sua Maserati e anda com um canivete escondido na meia. “A Paris Hilton foi assaltada um dia desses”, justifica. “Hollywood pode ser pior do que São Paulo.” Mario Rodrigues
Visual é tudo: Dr. Rey sempre escova cuidadosamente os cabelos antes de pôr os pés na rua
Visual é tudo: Dr. Rey sempre escova cuidadosamente os cabelos antes de pôr os pés na rua
(Foto: Mario Rodrigues)
Visual é tudo: Dr. Rey sempre escova cuidadosamente os cabelos antes de pôr os pés na rua Sua rotina começa às 6 horas da manhã. Ele desce os três andares que separam seu quarto, decorado com um urso de pelúcia de 2 metros de altura, da academia particular. Alterna treinos de malhação, jiu-jítsu, caratê e tae kwon do durante uma hora e meia. No café da manhã, pede a sua empregada nicaraguense, a quem paga cerca de 8.000 reais por mês, para preparar 25 ovos cozidos. Sim, 25. Mas come somente as claras. Elas são ingeridas com alguns dos 27 suplementos vitamínicos que toma ao longo do dia. “Envelhecer é questão de escolha”, diz o médico, que assume ter afilado o nariz e aplicado Botox em alguns pontos do rosto. Mario Rodrigues
Casal vaidoso: ao lado da mulher, Hayley, em uma balada
Casal vaidoso: ao lado da mulher, Hayley, em uma balada
(Foto: Mario Rodrigues)
Casal vaidoso: ao lado da mulher, Hayley, em uma balada Ele é casado desde 2000 com a charmosa canadense Hayley, de 37 anos, mãe de seus dois filhos. Em matéria de vaidade, ela não fica atrás do marido. Pesa inacreditáveis 41 quilos, tem próteses de 400 mililitros de silicone nos seios e, a cada oito meses, aplica ácido hialurônico nos lábios para deixá-los mais carnudos (ele, é claro, sempre cuida das sessões de recauchutagem). O casal vive em pé de guerra. Num dos episódios que renderam mais audiência ao “Dr. Hollywood”, Hayley o enlouquece ao decidir fazer uma reforma de 1 milhão de dólares na cozinha da mansão. A rotina deles parece uma extensão do reality show. Para irritá-la, Rey fala em português: “Percebe essa cara de brava da gringa? É assim o tempo todo. Está sempre me cobrando por eu estar atrasado e por acordar feliz”. Hayley parece não acusar o golpe e tem uma teoria para o comportamento dele: “Como foi rejeitado pelo pai, ele sente síndrome do abandono. Por isso, quer atenção todo o tempo”.  Mario Rodrigues
Assédio de fã na Calçada da Fama: exageros e bizarrices
Assédio de fã na Calçada da Fama: exageros e bizarrices
(Foto: Mario Rodrigues)
Assédio de fã na Calçada da Fama: exageros e bizarrices Com frequência, depois de sair da clínica, onde chega a realizar seis operações por dia, Rey cai na balada sozinho. “Beijo umas dez mulheres por noite, mas não transo com nenhuma”, assegura. “Amo minha mulher e só saio do casamento dentro de um caixão.” O relacionamento parece bem mais afinado no campo dos negócios. Enquanto o marido transforma as cirurgias num espetáculo de TV, a esposa faz o papel de empresária, cuidando da indústria de licenciamento de produtos que se formou em torno do personagem — que vão de cintas modeladoras a cremes para a pele. Neste ano, ela deve movimentar cerca de 70 milhões de dólares. “Preciso aparecer na TV para vender esses artigos”, explica Rey. Sua tática para ficar em evidência? Antes de ir aos restaurantes, liga para algum paparazzo. “Eu e Britney Spears somos iguais: jogamos com esses caras para ficar nas manchetes.” O médico é tão próximo deles que manda servir sobremesa aos fotógrafos “escondidos” em postes e árvores. Nem sempre a parceria funciona. Dias atrás, por exemplo, ele estacionou seu carro em frente a uma joalheria de Beverly Hills por volta do meio-dia. “Deve ter pelo menos três paparazzi escondidos por aqui”, dizia. Retocou o blush terracota, botou os óculos escuros e saiu lentamente, como quem procurava um amigo perdido. Em vão. Nenhum flash foi disparado. “Acho que ainda não acordaram”, comentou, sem esconder uma certa decepção. + Dr. Rey: “Tenho de estar preparado para parecer bonito, entende?” + Especialistas se destacam no ramo das inovações cirúrgicas Apesar do estilo exótico e da necessidade permanente de estar sob os holofotes, o cirurgião conquistou uma clientela considerável graças à reputação de ser um bom profissional. Em dezenove anos de exercício da medicina, não recebeu nenhuma queixa por indisciplina ou erro, segundo o departamento de saúde da Califórnia. Entre os colegas, porém, é objeto de compreensíveis críticas. “Ele tem um comportamento esdrúxulo”, afirma José Teixeira Gama, presidente da regional paulista da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. “Leva as pessoas pensar que fazer uma plástica é tão simples quanto ir ao cabeleireiro.” Ivo Pitanguy, papa dessa área no país, é categórico: “A liturgia das cirurgias não pode ser vulgarizada pela exposição na mídia”. Decano da televisão brasileira e ex-vice-presidente de operações da Rede Globo, o empresário José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, engorda a turma que faz restrições sérias ao personagem. “A medicina é coisa séria, não pode virar um canal para alguém se transformar em galã de TV”. Rey não se abala com essas opiniões. “Levo informações consistentes ao público”, acredita. Ele admite que seu sonho inicial era se tornar ator. Afirma ter feito, no fim dos anos 70, testes para ser o protagonista do filme “A Lagoa Azul”, ao lado de Brooke Shields. “Não passei porque a indústria de Hollywood é racista e não tolera latinos”, diz. Engana-se quem pensa que ele matou a vontade de ter uma vida de celebridade ao aparecer na TV mostrando seu consultório. O novo projeto envolve uma entrada na carreira política em grande estilo. “Quero me tornar senador pela Califórnia”, avisa. “Sou louquinho, mas conquistei tudo o que queria até agora.” FICHAConheça melhor o cirurgião badalado de 90210 Data de nascimento: 1/10/1961Peso: 79,3 quilosAltura: 1,83 metroFamília: casado desde 2000 com a canadense Hayley, de 37 anos. Tem dois filhos: Sydney, de 11, e Robby, de 8.Formação: faculdade de química na Universidade do Estado do Arizona; graduação em medicina na Universidade Tufts, em Massachusetts; mestrado em políticas públicas pela John F. Kennedy School of Government, em Harvard; especialização em cirurgia estética e reconstrutiva pela Harvard Medical SchoolCasas: mansão de 800 metros quadrados em Beverly Hills. A propriedade, avaliada em 6 milhões de dólares, pertenceu à atriz Raquel Welch. Acabou de comprar um apartamento no ItaimCarros: Maserati GranTurismo e Mercedes-Benz GL450Marcas prediletas: Versace para ternos e camisas; Louis Vuitton para bolsas e malasPerfume: CH, de Carolina HerreraLivro favorito: a Bíblia (“Sou um cristão temente à vontade de Deus”)   Lucros com a medicina e a TV 1.500 cirurgias plásticas por ano lhe rendem 2 milhões de dólares Cerca de 70 milhões de dólares é o faturamento de seus sete licenciamentos (vão de cintas modeladoras a cremes para a pele, todos vendidos nos cinco continentes). Rey embolsa, em média, 15% desse total. Ou seja, cerca de 10,5 milhões de dólares38 milhões de espectadores nos Estados Unidos era a audiência do programa “Dr. 90210”, transmitido pelo E! Entertainment Television (no Brasil, foi rebatizado de “Dr. Hollywood”)1 milhão de dólares foi quanto ele diz ter gastado na reforma de sua cozinha200.000 reais por mês é o valor que vai receber na RedeTV!, entre salário e participação comercial

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