Patrimônio

Palácio Campos Elíseos: uma joia na região da Cracolândia

Com um projeto de restauração de 14,5 milhões de reais, ex-sede do governo estadual é preparada para se tornar um museu destinado a relembrar sua própria história

Por: Daniel Bergamasco

Palácio Campos Eliseos
A fachada revitalizada: parte dos muros será removida para que o prédio seja visto da rua (Foto: Mario Rodrigues)

Os muros de mais de 2 metros de altura em plena região da Cracolândia, ao lado do terminal de ônibus Princesa Isabel e dos usuários de drogas que perambulam pelo entorno,escondem as pistas do que foi por 44 anos o epicentro da política paulista. Apenas os portões de ferro deixam entrever a arquitetura de ares renascentistas do Palácio dos Campos Elíseos, imóvel de quatro pisos e 4 000 metros quadrados, inspirado no Castelo de Écouen, na França. Ele deve voltar a ganhar um papel de destaque na cidade graças a um grande projeto de revitalização.

Entre 2008 e 2009, sua fachada foi restaurada, ao custo de3,65 milhões de reais. Desde meados de junho, o imóvel está mergulhado na fase final de sua recauchutagem: a reparação da estrutura interna, com previsão de duração de dezoito meses e 14,5 milhões de reais em gastos.

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Quando tudo estiver terminado, reabrirá como um museu, destinado a relembrar sua própria história. Na época da construção, no fim do século XIX, por encomenda do exportador de café Elias Antonio Pacheco Chaves, o bairro Campos Elíseos era a nova fronteira da elite da metrópole. Para implementar o projeto,o arquiteto Matheus Häussler e o cenógrafo Cláudio Rossi importaram materiais dos Estados Unidos e da Europa. Boa parte deles está praticamente intacta, como as portas de pinho-de-riga.

Em 1911, após a morte de Chaves, é que se iniciou sua fase mais gloriosa: virou moradia dos governadores paulistas (então chamados de presidentes do estado) e, dez anos depois, também a sede do próprio Executivo. O que os livros de história registram a partir de então se passa em grande parte por ali. Em 1924, quando tenentes se insurgiram pela segunda vez contra o presidente Arthur Bernardes, o palácio chegou a ser bombardeado. “Na Revolução de1932, era um dos centros nervosos, sempre cercado de manifestantes”, diz Ricardo Della Rosa, um dos maiores colecionadores de documentos do período.

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O então presidente de São Paulo, Júlio Prestes (sentado, à dir.), em reunião em um dos salões, nos anos 30 (Foto: Acervo Ricardo Della Rosa)

Nos anos seguintes, governadores como Júlio Prestes viveriam lá, até que o governador Adhemar de Barros decidiu, em 1965, a mudança para o Palácio dos Bandeirantes, no Morumbi. Desde então o prédio passou a abrigar secretarias estaduais. Aos poucos, acabou abandonado e dominado por problemas como a infestação de cupins. Na nova fase, os sistemas hidráulico e elétrico e a climatização estão sendo revistos e todas as paredes e revestimentos, recuperados.

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O governador Geraldo Alckmin na oficina de recuperação: símbolo do poder do estado (Foto: Mário Rodrigues)

As cerca de 250 peças de mobília, entre espelhos, tapetes e poltronas, serão levadas de volta (hoje, ficam no acervo do Bandeirantes). Haverá ainda por lá um café, um auditório para sessenta pessoas e uma plataforma de acesso a cadeirantes. E parte dos muros irá ao chão. “Isso fará com que não seja apenas um projeto educativo e cultural, mas ajude na melhora do entorno”, diz o governador Geraldo Alckmin. São Paulo assim espera.

Fonte: VEJA SÃO PAULO