Cinema

Saiba quais são os melhores filmes em cartaz

O crítico Miguel Barbieri Jr. selecionou as produções mais bem avaliadas

Por: Redação VEJINHA.COM - Atualizado em

O Regresso
'O Regresso': Leonardo DiCaprio foi indicado ao Oscar 2016 de melhor ator (Foto: Divulgação)

* A seleção é feita com base nos filmes que estrearam nos últimos três meses

  • Embora esteja concorrendo, pela Hungria, ao Oscar de melhor filme estrangeiro (e deva ganhar o prêmio), Filho de Saul mereceria competir em mais quatro categorias: as de melhor filme (geral), direção, fotografia e ator (Géza Röhrig). Laureado com o Grande Prêmio do Júri no último Festival de Cannes, o longa-metragem faz uma incursão singular e inédita por um campo de concentração na II Guerra. Não, não se trata de um documentário, embora o diretor, László Nemes, queira jogar o espectador em um registro realista do Holocausto. O prisioneiro Saul (papel de Géza Röhrig) tem uma função, no mínimo ingrata, em Auschwitz. A fim de escapar da morte imediata, ele “trabalha” para os nazistas levando judeus para a câmara de gás. Ao retirar os corpos, encontra um menino a quem julga ser seu filho. O objetivo dele, daí em diante, vira uma obstinação: Saul quer encontrar um rabino para recitar o Kadish e enterrar o garoto. Nemes, de 38 anos, obtém um trabalho estupendo em sua estreia no longa: usa uma câmera praticamente colada no protagonista, formato de tela quadrado (para dar sensação claustrofóbica), arrepiantes planos-sequência e sons da agonia e do desespero — tudo para deixar a plateia sem fôlego, incomodada e perplexa. Estreou em 4/2/2016.
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  • Esqueça qualquer filme de super-herói. De Homem-Aranha a Batman, de X -Men a Vingadores, nenhum deles tem a verve cômica nem o potencial de virar a franquia mais deliciosa da história do que Deadpool. Sim, ele é um personagem da Marvel que apareceu, bem discretamente, em X-Men Origens — Wolverine, de 2009. Aqui, a coisa muda de figura. No início arrebatador, temos uma perseguição implacável (e de fazer inveja à cinessérie Velozes & Furiosos), que culmina na fuga do vilão. Deadpool, então, começa a relembrar para o espectador como se transformou de mercenário apaixonado em mascarado desfigurado. Ir além pode estragar as surpresas de um caminho imprevisível. O roteiro não segue uma ordem cronológica: mistura passado e presente, dramas e romance (do protagonista com a personagem da brasileira Morena Baccarin), ação frenética e piadas espirituosas. Ryan Reynolds, um dos produtores, pegou o espírito do super-herói (ou anti-herói, dependendo da situação) desbocado, sexy, brincalhão e violento, muito violento. Deadpool bagunça a luta do bem contra o mal, uma constante nos filmes do gênero. Ele é o mal contra o mal, o bem contra o bem — e ri de si mesmo. Enfim, há humor original no mundo das HQs. Estreou em 11/2/2016.
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  • O mexicano Alejandro G. Iñárritu ganhou o Oscar de melhor direção e melhor filme no ano passado pelo excepcional Birdman. Está de volta à corrida com um trabalho igualmente vistoso, recordista de indicações em 2016 — são doze, incluindo a de melhor ator para Leonardo DiCaprio, talvez a maior barbada da cerimônia, que ocorre no dia 28. A estupenda direção de fotografia de Emmanuel Lubezki, outro fortíssimo candidato ao prêmio, traz planos-sequência de tirar o fôlego e luz natural nas filmagens de locações inóspitas (no Canadá e na Patagônia). Em uma trama simples, mas de pesada carga emocional, DiCaprio interpreta um personagem verídico: Hugh Glass, um caçador de peles no Missouri de 1823. Guiando seu grupo por locais gélidos, Glass, acompanhado do filho (Forrest Goodluck), é atacado por uma fêmea de urso, sobrevive a duras penas, mas tem seu corpo retalhado. Atenção: a sequência, desde já memorável, ganha uma impressionante dose de realismo e violência. Seus colegas não acreditam em sua recuperação e dois deles (papéis de Tom Hardy e Will Poulter) ficam incumbidos de esperar que ele morra. Segue-se, então, uma história de traição, vingança e, sobretudo, uma desesperadora luta pela vida como raras vezes o cinema mostrou com tanta crueldade. DiCaprio fala pouco, e sua atuação vem do formidável vigor físico. Estreou em 4/2/2016.
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  • Ambientado nas montanhas geladas do Wyoming após a Guerra Civil (1861-1865), o faroeste tem, conforme revela o título, apenas personagens detestáveis. A começar por John Ruth (Kurt Russell), um ríspido caçador de recompensas que está levando Daisy Domergue (Jennifer Jason Leigh), uma notória criminosa, para ser enforcada em Red Rock. Uma tempestade de neve, porém, vai unir a dupla a um xerife (papel de Walton Goggins) e a um ex-major negro (Samuel L. Jackson), agora atuando no mesmo “ramo” de John Ruth. O tempo ruim faz com que os quatro mais o cocheiro da diligência se abriguem numa estalagem. Lá, encontram novos tipos, entre eles um comandante sulista preconceituoso (Bruce Dern). Nos diálogos ácidos de Tarantino, humor rima com intolerância racial, e seu faroeste ganha uma leitura contemporânea. E compensam os 167 minutos? Há uma “barriguinha” de cerca de meia hora na apresentação dos odiados, mas trata-se de algo menor se comparado à engenhosidade de um roteiro com reviravoltas e surpresas.  O filme pegou três indicações ao Oscar: melhor trilha sonora, atriz coadjuvante (Jennifer Jason Leigh) e fotografia. Estreou em 7/1/2016.
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  • Animação

    Anomalisa
    VejaSP
    2 avaliações
    A estranheza faz parte das histórias do roteirista Charlie Kaufman, conhecido por trabalhos como Quero Ser John Malkovich (1999) e Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças (2004). Depois de aventurar-se na direção no irregular Sinédoque, Nova York (2008), Kaufman volta ao posto de cineasta nesta não menos excêntrica animação, inspirada em peça teatral de sua autoria e indicada ao Oscar. Em formidável resultado, a técnica de stop motion (com bonecos) sustenta uma trama sobre emoções em um mundo triste, frio e sombrio. Dublado por David Thewlis, Michael Stone, uma celebridade da literatura de autoajuda, chega a Cincinnati para dar uma palestra sobre vendas. Na véspera, Stone, casado, pai de um garoto e em crise existencial, reencontra uma ex-namorada e se encanta com a insossa Lisa (Jennifer Jason Leigh), atendente de um call center. Com exceção de Stone e Lisa, todos os outros personagens têm a mesma voz (do ator Tom Noonan) e são muito parecidos. Eis uma das pistas para enveredar pelo mundo singular e melancólico de Kaufman, que, ousado, usa até nudez e cenas de sexo em um desenho só para adultos. Estreou em 28/1/2016.
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  • Joy Mangano (Jennifer Lawrence) não tem a vida que pediu a Deus. Arrimo de família, está cansada de sustentar os parentes. Enquanto a mãe (Virginia Madsen) vive no quarto e vê a mesma telenovela há anos, seu pai (Robert De Niro) voltou para casa, após se separar da segunda mulher. A jovem toma conta dos filhos e ainda precisa conviver sob o mesmo teto com o imprestável, porém carinhoso, ex-marido (Edgar Ramirez). Aluna exemplar no colégio, Joy sempre teve tino para inventar artigos úteis e, durante um passeio no barco da nova namorada (Isabella Rossellini) de seu pai, consegue ter uma ideia brilhante. É pena que só a protagonista esteja na corrida do Oscar. Há ritmo, humor, reviravoltas e uma incursão afetiva na trajetória da inventora do Miracle Mop (um esfregão de franjas amarelas) nesta comédia escrita e dirigida por David O. Russell. Dominando a cena e liderando um ótimo elenco, Jennifer trabalha pela terceira vez consecutiva com o cineasta (depois de O Lado Bom da Vida e Trapaça), um cronista afiado dos costumes americanos. Estreou em 21/1/2016.
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  • Talvez você conheça Dalton Trumbo como diretor do impactante (até hoje) Johnny Vai à Guerra (1971). Esse foi seu único trabalho na direção, e a história contada em Trumbo — Lista Negra abrange um período anterior na carreira desse roteirista, premiado duas vezes com o Oscar. Começa em 1947, quando Estados Unidos e União Soviética travavam a Guerra Fria e os socialistas eram tratados como traidores da pátria pela maioria dos americanos. Trumbo (1905-1976), filiado ao Partido Comunista, e outros nove artistas foram obrigados a prestar depoimento numa comissão parlamentar de inquérito e, em seguida, levados à prisão. Hollywood fechou as portas para Trumbo um ano depois, quando tentou voltar à ativa. Ele não baixou a cabeça e deu um “jeitinho” de manter a rotina. Sua mulher (Diane Lane) e os três filhos também sofreram as consequências. Inspirada no livro de Bruce Cook, lançado no Brasil pela Editora Intrínseca, a cinebiografia reluz em recriação de época competente e traz celebridades e suas posições no tempo da “caça às bruxas”. Entre os famosos estão os atores Kirk Douglas e John Wayne e o diretor Otto Preminger, além da colunista de fofocas Hedda Hopper (Helen Mirren). Já desapegado de Walter White, seu personagem no seriado Breaking Bad, o protagonista Bryan Cranston recebeu merecida indicação ao Oscar. Estreou em 28/1/2016.
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  • Em 2001, Marty Baron (Liev Schreiber) chega ao The Boston Globe para dar mais dinamismo ao jornal. Seu foco está, sobretudo, na equipe de um editor e três repórteres que faz apuradas (e demoradas) matérias investigativas. Baron tem algo na mira: os crimes de pedofilia cometidos por padres católicos ao longo de décadas e, até então, varridos para debaixo do tapete. Walter Robinson (Michael Keaton) sai a campo, assim como seus experientes jornalistas (papéis de Rachel McAdams, Brian d’Arcy James e Mark Ruffalo). Os esforços da reportagem, publicada em 2002, são mostrados detalhadamente no roteiro do drama, um eficiente filme-denúncia narrado de forma convencional e conduzido sem arroubos cinematográficos. Além de trazer à tona fatos e números chocantes, o longa-metragem tem o mérito de revelar os bastidores do (bom) jornalismo. Além de melhor filme, Spotlight está no páreo, no Oscar 2016, para melhor direção, ator coadjuvante (Ruffalo), atriz coadjuvante (Rachel), roteiro original e montagem. Estreou em 7/1/2016.
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  • Na Copenhague de 1926, o pintor Einar Wegener (Eddie Redmayne) faz sucesso no mundo das artes. Sua esposa, a retratista Gerda (Alicia Vikander), nem tanto. Ela, porém, será responsável por uma reviravolta na vida pessoal do marido ao convidá-lo para substituir uma modelo de seu próximo quadro. Após calçar sapatos de cetim e usar meias de seda, Einar sente mais do que uma vontade de travestir-se. Aos poucos, tem o desejo, quase irrefreável, de ser uma mulher. O livro (com lances ficcionais) de David Ebershoff foi inspirado num pioneiro caso de transgênero, e A Garota Dinamarquesa apresenta, justamente, o impasse psicológico que pegou de surpresa o protagonista, algo muito comum ainda hoje. A recatada Lili, alter ego de Einar, passa a dominar seu corpo enquanto o casamento naufraga. Além da fabulosa recriação de época (há indicações para melhor desenho de produção e melhor figurino), o longa-metragem traz duas das melhores atuações do Oscar. Candidata ao prêmio de atriz coadjuvante (embora tenha um papel grande e fundamental), Alicia ganha pontos como a companheira cuja dedicação emociona. No páreo para melhor ator, Redmayne embarcou fundo na personagem feminina sem jamais escor regar na caricatura. Estreou em 11/2/2016.
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  • Esteticamente, o cinema do belga Jaco van Dormael se assemelha ao do francês Jean-Pierre Jeunet (Amélie Poulain). O Novíssimo Testamento, que estava na corrida ao Oscar 2016 para melhor filme estrangeiro, confirma o talento de Van Dormael de narrar histórias excêntricas em visual por vezes deslumbrante. Vale o aviso: o diretor de O Oitavo Dia (1996), embora esteja no terreno da comédia, pega pesado com a imagem de Deus. O todo-poderoso (interpretado por Benoît Poelvoorde) mora na Bélgica, fuma, enche a cara, passa o tempo de roupão e brincando (no mau sentido) com o destino das pessoas em seu computador. A mulher dele (Yolande Moreau) pouco abre a boca, o filho JC (ou Jesus Cristo) virou uma estátua e a filha de 10 anos, Ea (Pili Groyne), sempre espezinhada pelo pai, não se conforma com sua última maldade: Deus mandou uma mensagem pelo celular para todos os habitantes da Terra informando... a data da morte deles (!). A menina, então, foge de casa, para arranjar seis apóstolos e, assim, reescrever a Bíblia. Um ponto de partida bastante original se encaminha para situações ainda mais polêmicas. Entre as pessoas reunidas por Ea estão um matador de aluguel, um tarado e uma esposa (Catherine Deneuve) que trai o marido na companhia de... um gorila (!). Com seu humor nonsense, o provocador Van Dormael, declarado ateu, faz rir com elegância e, tomara Deus, sem ofender a fé da plateia. Estreou em 21/1/2016.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO