Cinema

Saiba quais são os melhores filmes em cartaz

O crítico Miguel Barbieri Jr. selecionou as produções mais bem avaliadas

Por: Redação VEJINHA.COM - Atualizado em

Mogli - O Menino Lobo
'Mogli - O Menino Lobo': Neel Sethi dá adeus aos lobos para enfrentar os perigos da selva (Foto: Divulgação)

* A seleção é feita com base nos filmes que estrearam nos últimos três meses

  • O drama, vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro, faz uma incursão singular e inédita por um campo de concentração na II Guerra. Não, não se trata de um documentário, embora o diretor, László Nemes, queira jogar o espectador em um registro realista do Holocausto. O prisioneiro Saul (papel de Géza Röhrig) tem uma função, no mínimo ingrata, em Auschwitz. A fim de escapar da morte imediata, ele “trabalha” para os nazistas levando judeus para a câmara de gás. Ao retirar os corpos, encontra um menino a quem julga ser seu filho. O objetivo dele, daí em diante, vira uma obstinação: Saul quer encontrar um rabino para recitar o Kadish e enterrar o garoto. Nemes, de 38 anos, obtém um trabalho estupendo em sua estreia no longa: usa uma câmera praticamente colada no protagonista, formato de tela quadrado (para dar sensação claustrofóbica), arrepiantes planos-sequência e sons da agonia e do desespero — tudo para deixar a plateia sem fôlego, incomodada e perplexa. Estreou em 4/2/2016.
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  • A coelha Judy Hopps (voz de Monica Iozzi) formou-se policial, saiu do interior e, na metrópole Zootopia, quer caçar criminosos. Seu tipo mignon, porém, a leva a ser “apenas” uma eficiente guarda de trânsito. Contudo, a serelepe personagem vai encarar, a contragosto do chefe, uma difícil missão: localizar animais selvagens que sumiram sem deixar pista. Além do visual esplêndido, a nova animação da Disney tem humor 100% garantido. A relação de amor e ódio entre Judy e o raposo Nick (dublado por Rodrigo Lombardi) rende química invejável e piadas espirituosas. Dois momentos, porém, acabam roubando a cena dos protagonistas: a impagável sátira a O Poderoso Chefão e o lerdo serviço burocrático comandado por preguiças (!). Estreou em 17/3/2016.
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  • O mexicano Alejandro G. Iñárritu ganhou duas vezes o Oscar de melhor direção em anos consecutivos e... fez história (!). No comando, em 2015, do excepcional Birdman, voltou à corrida e faturou mais dois prêmios para seu vistoso filme: melhor ator (Leonardo DiCaprio) e melhor fotografia (mais um estupendo trabalho de Emmanuel Lubezki). Com planos-sequência de tirar o fôlego e luz natural nas filmagens de locações inóspitas (no Canadá e na Patagônia), a trama, simples porém de pesada carga emocional, tem fundo verídico. Hugh Glass (DiCaprio), um caçador de peles no Missouri de 1823, acompanhado do filho (Forrest Goodluck), guia seu grupo por locais gélidos quando é atacado por uma fêmea de urso. Ele sobrevive a duras penas, mas tem seu corpo retalhado. Atenção: a sequência, desde já memorável, ganha uma impressionante dose de realismo e violência. Seus colegas não acreditam em sua recuperação e dois deles (papéis de Tom Hardy e Will Poulter) ficam incumbidos de esperar que ele morra. Segue-se, então, uma história de traição, vingança e, sobretudo, uma desesperadora luta pela vida como raras vezes o cinema mostrou com tanta crueldade. DiCaprio fala pouco, e sua atuação vem do formidável vigor físico. Estreou em 4/2/2016.
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  • Comédia dramática

    Truman
    VejaSP
    4 avaliações
    O drama não é mais um filme sobre o escritor Truman Capote — e, sim, o nome do cachorro do personagem de Ricardo Darín. O astro argentino está afiadíssimo no papel de Julián, um ator com os dias contados por causa de um câncer terminal que abriu mão da quimioterapia. Nesse momento delicado, ele recebe, em Madri, a inesperada visita de Tomás (Javier Cámara), seu melhor amigo, que trocou a Espanha pelo Canadá. Em quatro dias, a dupla não fará nada de excepcional nem tampouco ficará rememorando o passado. Eis aí uma das qualidades do longa-metragem do catalão Cesc Gay, o mesmo de O que os Homens Falam: trocar os excessos lacrimosos pela simplicidade de ações cotidianas, como um almoço, uma bebedeira, uma ida ao teatro... O roteiro, assim como Tomás, mantém-se objetivo, levemente emotivo e jamais piegas. Estreou em 14/4/2016.
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  • Os exageros e a estridência de Batman vs Superman deixaram uma perguntinha incômoda entre fãs de quadrinhos: muito barulho por nada? Sempre atenta aos deslizes da concorrência, a Marvel Studios usou uma estratégia diferente (e acertada) para marcar posição na onda dos blockbusters sobre conflitos entre super-heróis. Em Capitão América — Guerra Civil, a crise política no front de integrantes dos Vingadores, dividido entre os “times” do Homem de Ferro (Robert Downey Jr.) e do Capitão América (Chris Evans), é narrada sem climão sombrio nem abuso de efeitos especiais. Ufa! Já bem adaptados ao universo dos gibis, os diretores Anthony e Joe Russo (do eficiente Capitão América 2 — O Soldado Invernal) dosam com pique e fluência, e numa escala menos sufocante, toques de aventura de espionagem, thriller político, drama familiar e comédia juvenil. É difícil não abrir um sorriso, por exemplo, com o Homem-Aranha estabanado vivido pelo ótimo Tom Holland, ou perder o fôlego diante das transformações amalucadas do Homem- Formiga (Paul Rudd). Tal como no frustrante Vingadores — Era de Ultron, contudo, o excesso de conversa fiada (e haja discussão de relação...) emperra a primeira metade da trama, quando é aberto todo um debate sobre a possível interferência da ONU para controlar a atividade dos superpoderosos. O Homem de Ferro apoia a medida; já o Capitão América, não. Para a sorte do público, o disse me disse se resolve em cenas de ação inventivas que entusiasmam sem apelar para a grandiloquência. O “combo” de heróis, desta vez, deu liga. Estreou em 28/4/2016.
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  • O desenho da Disney, de 1967, era fofo e ainda permanece no imaginário de várias gerações. Assim como Malévola e Cinderela, Mogli — O Menino Lobo ganhou uma versão com atores (neste caso, apenas um ator) em que os efeitos visuais dão um show de perfeição técnica (alô, alô, eis um forte candidato ao Oscar de 2017!). A atração recebeu também um reforço de dramaticidade e violência para agradar a espectadores de todas as idades — e o encanto permaneceu. É impossível não ficar fascinado com a tecnologia da captura de movimento que dá vida à pantera Bagheera, ao urso Baloo, à serpente Kaa e a outros animais em meio a uma esplêndida natureza muito bem explorada em 3D. Defendido com simpatia pelo menino estreante Neel Sethi, Mogli foi salvo da morte por Bagheera e criado numa alcateia. Ao ver que sua presença divide os lobos, o garoto decide deixar a selva para procurar a “aldeia dos homens”. A jornada será repleta de surpresas e perigos, sobretudo porque seu maior inimigo, o tigre Shere Khan, está em sua cola. Estreou em 14/4/2016.
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  • Na Copenhague de 1926, o pintor Einar Wegener (Eddie Redmayne) faz sucesso no mundo das artes no drama com formidável recriação de época. Sua esposa, a retratista Gerda (Alicia Vikander, vencedora do Oscar de melhor atriz), nem tanto. Ela, porém, será responsável por uma reviravolta na vida pessoal do marido ao convidá-lo para substituir uma modelo de seu próximo quadro. Após calçar sapatos de cetim e usar meias de seda, Einar sente mais do que uma vontade de travestir-se. Aos poucos, tem o desejo, quase irrefreável, de ser uma mulher. O livro (com lances ficcionais) de David Ebershoff foi inspirado num pioneiro caso de transgênero, e A Garota Dinamarquesa apresenta, justamente, o impasse psicológico que pegou de surpresa o protagonista, algo muito comum ainda hoje. A recatada Lili, alter ego de Einar, passa a dominar seu corpo enquanto o casamento naufraga. Além do fabuloso trabalho de Alicia, a companheira cuja dedicação emociona, Redmayne embarcou fundo na personagem feminina sem jamais escor regar na caricatura. Estreou em 11/2/2016.
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  • A pergunta que não quer calar: Rua Cloverfield, 10 tem “parentesco” com Cloverfield — Monstro, um terror apocalíptico de 2008? Sem spoilers, a resposta é sim. São, contudo, filmes independentes, e será preciso ficar antenado para sacar qual é a ligação entre os dois longas-metragens, produzidos por J.J. Abrams. Revelar muito do enredo também estraga as surpresas. Resumidamente, a história foca Michelle (Mary Elizabeth Winstead), que, após abandonar o namorado, sofre um acidente de carro na estrada. Ao acordar, a moça está acorrentada num porão, localizado dentro de um bunker. Quem a socorreu no desastre foi o militar aposentado Howard (John Goodman), que é o construtor desse espaço. Quando ocorre a chegada da garota, já há um “hóspede” por ali: o jovem Emmett (John Gallagher Jr.). Depois de um tempo, o “anfitrião” faz uma revelação assustadora a Michelle: a Terra foi invadida por alienígenas. Embora atencioso, Howard mostra-se um sujeito controlador e rígido, e, não raro, tem acessos de fúria. Com apenas três personagens em cena, tensão de endurecer o pescoço e narrativa hipnótica, o filme se abre em muitas perguntas, mas muda o rumo nos minutos fnais para combinar com uma solução capaz de dividir opiniões. Estreou em 7/4/2016.
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  • Drama / Suspense

    A Garota de Fogo
    VejaSP
    Sem avaliação
    Não à toa, o espanhol Pedro Almodóvar recomendou o suspense dramático de seu conterrâneo. O primeiro longa-metragem de Carlos Vermut bebe na fonte de Almodóvar ao propor uma trama intricada, confeccionada de reviravoltas surpreendentes. São três protagonistas envolvidos em histórias de vingança, traição e desejos reprimidos. O primeiro a aparecer é Luis (Luis Bermejo), professor desempregado capaz de fazer qualquer coisa pela filha com leucemia. Em seguida, vem a trajetória de Bárbara (Bárbara Lennie), uma mulher casada, com comportamento instável e passado escuso. E ainda tem Damián (José Sacristán), um velho que sai da cadeia após dez anos atrás das grades. Estreou em 21/4/2016.
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  • Os irmãos Joel e Ethan Coen têm tanto prestígio que, em Ave, César!, conseguiram levar às telas um filme para cair no gosto apenas dos cinéfilos. A comédia pode abranger um público maior, mas vai agradar, sobretudo, aos fãs do cinema da década de 50, já que são muitas as referências à Hollywood daquela época. Na trama, vários personagens orbitam em torno de Eddie Mannix (Josh Brolin), o poderoso presidente do fictício estúdio Capitol Pictures. Enérgico e sem papas na língua, Mannix tem várias produções em andamento. A principal delas, o épico bíblico Ave, César, é estrelada pelo galã Baird Whitlock (George Clooney), sequestrado durante as filmagens. O chefão ainda precisa encontrar um jeito de esconder da mídia o caso da mãe solteira DeeAnna Moran (Scarlett Johansson), rainha dos filmes de balé aquático, e convencer um refinado diretor (Ralph Fiennes) a aceitar em seu elenco o caubói Hobie Doyle (Alden Ehrenreich), um sucesso em fitas de faroeste. Embora as histórias sejam pouco aprofundadas, o roteiro cobre muito bem a variedade de correntes cinematográficas. Entre os pontos mais altos do longa-metragem, por exemplo, está o musical de marinheiros, protagonizado por Channing Tatum. O gênero noir também marca presença, assim como o suspense de espionagem. Esther Williams, Carmen Miranda, Charlton Heston, Gene Kelly são alguns nomes que passaram pelas mentes brilhantes dos Coen. Colunistas de fofocas, as gêmeas Thora e Thessaly (Tilda Swinton) são, obviamente, uma homenagem às célebres rivais Hedda Hopper e Louella Parsons. Estreou em 14/4/2016.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO