Cinema

Saiba quais são os melhores filmes em cartaz

O crítico Miguel Barbieri Jr. selecionou as produções mais bem avaliadas

Por: Redação VEJINHA.COM - Atualizado em

Marguerite
'Marguerite': apaixonada por ópera e muito desafinada, Marguerite sonha em cantar diante de um público de verdade na Ópera Nacional (Foto: Larry Horricks)

* A seleção é feita com base nos filmes que estrearam nos últimos três meses

  • A partir de junho de 1941, o ditador russo Josef Stalin começou uma “faxina” étnica na União Soviética e deportou mais de 40 000 pessoas da Estônia, Lituânia e Letônia para a Sibéria. O fabuloso drama de estreia do diretor estoniano é narrado de forma original e hipnótica. Há poucas cenas em movimento e nenhum diálogo. Isso, contudo, não é sinônimo de tédio. Por meio das cartas de Erna (Laura Peterson), uma personagem real, escritas para seu marido (Tarmo Song), o realizador concebeu uma obra prima visual. Sustentado por uma voz feminina em off, o roteiro narra a separação do casal e o sofrimento da mulher, levada para um campo de trabalhos forçados ao lado da pequena filha. O diferencial (e que diferencial!) está na concepção estética. Os atores são vistos em imagens congeladas, porém a câmera passeia entre eles em planos-sequência de tirar o fôlego. Trata-se de um trabalho vigoroso na forma e oportuno no conteúdo por revelar como teria sido o Holocausto soviético. Estreou em 23/6/2016.
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  • O alemão Zev Guttman (Christopher Plummer) mora numa clínica particular para idosos nos Estados Unidos. Sua esposa morreu faz uma semana, mas o velhinho, já demonstrando falha de memória, não se lembra de nada. Mesmo assim, seu amigo, o também judeu Max Rosenbaum (Martin Landau), vai designar a ele uma missão secreta e muito, muito arriscada. Ambos tiveram a família exterminada no campo de concentração de Auschwitz e Max descobriu que o nazista responsável pela maior tragédia da vida deles mudou de nome. Antes ele era Otto Walisch, agora é Rudy Kurlander. O único sobrevivente capaz de reconhecer o carrasco, Zev terá de percorrer alguns estados até encontrar, entre quatro imigrantes, o “seu” Rudy e, sem piedade, matá-lo. Não há trégua para piscar no eletrizante roteiro do estreante Benjamin August, comandado com brilho e pulso firme pelo experiente diretor Atom Egoyan, egípcio radicado no Canadá. Expondo as feridas do Holocausto num thriller de tirar o fôlego, a trama também traz à tona um triste (porém verdadeiro) registro da velhice. A cereja do bolo, além das atuações de Plummer e de Landau e de coadjuvantes como Bruno Ganz, está no desfecho arrasador e surpreendente. Estreou em 12/5/2016.
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  • Vencedor de quatro prêmios no César 2016 (melhor som, direção de arte, figurinos e atriz, para Catherine Frot), o longa-metragem traz à tona a figura singular de uma personagem real. A história, romanceada e com licenças criativas, assemelha-se à da americana Florence Foster Jenkins (1868-1944). No roteiro do diretor francês Xavier Giannoli, Florence virou Marguerite Dumont, uma baronesa riquíssima na Paris de 1920. Ela é casada com um homem infiel (André Marcon) e realiza recitais em sua mansão a fim de arrecadar fundos para obras de caridade. Convivendo com artistas da música clássica, Marguerite, em atuação estupenda de Catherine Frot, acredita que também tem talento para cantar árias. Só que não! Suas apresentações para amigos são vexaminosas, mas ninguém consegue dizer a verdade à anfitriã. A protagonista cai, então, nas graças de um crítico musical (Théo Cholbi). A princípio, esse jovem pensa em tirar dinheiro da ricaça, mas desiste quando percebe existir uma senhora carente e generosa por trás da péssima cantora. Há humor nas entrelinhas, embora a trama se encaminhe para um comovente drama psicológico. Curiosidade: Meryl Streep interpreta Florence Foster Jenkins em Quem É Essa Mulher?, com estreia prevista para julho. Estreou em 23/6/2016.
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  • Comédia dramática

    Truman
    VejaSP
    6 avaliações
    O drama não é mais um filme sobre o escritor Truman Capote — e, sim, o nome do cachorro do personagem de Ricardo Darín. O astro argentino está afiadíssimo no papel de Julián, um ator com os dias contados por causa de um câncer terminal que abriu mão da quimioterapia. Nesse momento delicado, ele recebe, em Madri, a inesperada visita de Tomás (Javier Cámara), seu melhor amigo, que trocou a Espanha pelo Canadá. Em quatro dias, a dupla não fará nada de excepcional nem tampouco ficará rememorando o passado. Eis aí uma das qualidades do longa-metragem do catalão Cesc Gay, o mesmo de O que os Homens Falam: trocar os excessos lacrimosos pela simplicidade de ações cotidianas, como um almoço, uma bebedeira, uma ida ao teatro... O roteiro, assim como Tomás, mantém-se objetivo, levemente emotivo e jamais piegas. Estreou em 14/4/2016.
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  • Paco (Mathieu Kassovitz) conheceu Nora (Céline Sallette) numa comunidade hippie. Ela já era mãe de um garotinho e eles decidiram juntar os trapos, formar uma família e viver em meio à natureza. Quando os dois filhos que tiveram juntos tinham 7 e 8 anos, Nora cansou de morar dentro de um trailer no meio do mato. Pegou as três crianças e foi para a casa de seus pais. Inconformado, o marido a localizou. O juiz, então, deu uma sentença. Paco não aceitou e, um ano depois, tomou uma atitude drástica. Para surpreender o espectador, não convém ir muito além na história do drama Vida Selvagem, extraída de um caso real. Muito habilidoso na condução, o diretor francês Cédric Kahn joga a plateia numa complexa discussão sobre a melhor maneira de educar os meninos. Enquanto o idealista Paco prefere vê-los longe da sociedade de consumo, Nora quer deixá-los seguir o curso, digamos, natural. Sem julgamento moral dos personagens, o roteiro examina, sobretudo, a superproteção em família e como uma convivência praticamente enclausurada pode sufocar os relacionamentos. Estreou em 16/6/2016.
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  • Dona do Oscar 2011 de melhor atriz por Cisne Negro, Natalie Portman mostra-se uma talentosa diretora no comando do drama De Amor e Trevas. Trata-se da adaptação do livro homônimo de memórias de Amós Oz, de 77 anos, o mais importante escritor israelense da atualidade. Em recriação de época cuidadosa, a história começa em 1945. Oz, ainda menino e interpretado por Amir Tessler, mora com a mãe, Fania (papel de Natalie, atuando em hebraico), e o pai, Arieh (Gilad Kahana), em Jerusalém. Ele escuta as tristes lembranças maternas e já tem o dom de criar contos fantasiosos. Também autora do roteiro, Natalie volta-se para as origens judaicas e pincela sua trama de fatos políticos, como a criação do Estado de Israel, em 1948. Concentra-se, porém, na relação entre Fania e o filho. É através dos olhos dela que o pequeno Amós Oz passa a enxergar os conflitos do mundo — seja no embate entre judeus e árabes à sua volta, seja no distanciamento afetivo de seus pais. Estreou em 5/5/2016.
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  • A diretora carioca Sandra Kogut estava afastada do cinema desde o lançamento de Mutum, em 2007. De volta às telas, ela traz uma história encantadora e de pegada realista valorizada, sobretudo, pela atuação estupenda do garoto estreante Ygor Manoel, hoje com 12 anos. Também chamado Ygor, o personagem dele aparece, junto da irmã caçula (a igualmente expressiva Rayane do Amaral), no apartamento de Regina (Carla Ribas). As crianças foram deixadas lá pela mãe, que a moradora desconhece. Prestes a se mudar de sua casa no bairro de Ipanema, Regina tem um divórcio a enfrentar e mantém um convívio difícil com a filha adolescente (Julia Bernart). Ygor e Rayane surgem, justamente, na fase mais crítica. A Zona Sul carioca fica pequena para o cotidiano de Regina quando ela decide encarar o problema e procurar os parentes dos irmãos em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. O roteiro traz algo em comum com Central do Brasil na forma como Ygor e Regina se unem pela força do afeto. Embora não seja inédita a transformação da protagonista, a história cumpre bem seu papel de revelar em delicados detalhes questões de um Brasil tomado pelas desigualdades sociais. Estreou em 2/6/2016.
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  • Tinha tudo para ser uma água com muito açúcar. Mas, inspirada no livro de Jojo Moyes (em roteiro escrito pela própria), a adaptação acerta no tom e se distancia do chororô forçado. A Cinderela da vez é Lou Clark (papel de Emilia Clarke, do seriado Game of Thrones), uma moça simplória do interior inglês que sustenta a família e namora um sujeito com quem não tem muita afinidade. Quando perde o emprego de garçonete, Lou tira a sorte grande ao ser contratada como cuidadora de Will Traynor (Sam Claflin, da cinessérie Jogos Vorazes). Esse rapaz milionário mora, literalmente, num castelo e sofreu um acidente que o deixou tetraplégico. Sem nenhuma habilidade para a profissão, Lou vira uma companhia diária e chama a atenção dele pelo figurino exótico e pela espontaneidade. Traynor, depois da tragédia, tornou-se um homem amargo, recluso e sarcástico. A atração entre eles caminha sutilmente e, aos poucos, a trama vai sendo pontilhada por detalhes surpreendentes até chegar a uma conclusão imprevisível — nem por isso menos comovente. Estreou em 16/6/2016.
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  • Não deixa de ser curiosa a forma com que o badalado diretor chinês (de Em Busca da Vida e Um Toque de Pecado) divide seu novo drama. Ele recorre a três épocas distintas (1999, 2014 e 2025) para abordar os rumos de três personagens. No primeiro capítulo, a bela jovem Tao (papel de Tao Shen), indecisa entre dois amores na cidade de Fenyang, resolve se casar com Zhang, próspero empresário do ramo da mineração de carvão. Com isso, fere o coração do humilde operário Liang, que muda de cidade e, anos mais tarde, reaparece casado e com uma grave doença nos pulmões. Assim como a China fez suas escolhas e passou por transformações, o realizador Jia Zhang-ke coloca em xeque as decisões de seus protagonistas projetando um futuro incerto para seu país. Estreou em 23/6/2016.
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  • Embora seja filha do diretor Dario Argento e da atriz Daria Nicolodi, a realizadora Asia Argento não vê semelhanças entre sua vida e a da protagonista de Incompreendida. Será? Na trama, ambientada em 1984, Aria (a ótima atriz mirim Giulia Salerno) tem 9 anos, duas irmãs mais velhas e pais que nem notam seu talento de escritora. A mãe (Charlotte Gainsbourg), pianista, só pensa em seus recitais, e o pai (Gabriel Garko), um astro do cinema, está mais preocupado com sua carreira. Após a separação deles, Aria, pouco querida por ambos, fica pulando de casa em casa e só tem a companhia da melhor amiga e de um gato preto. A desilusão com o mundo adulto faz a menina tomar atitudes radicais. Além da fotografia solar, cenários e figurinos ganham cores fortes. Mas um universo cinza e desesperador corresponde à realidade da menina. Pontilhando o drama com humor, Asia faz um registro incisivo sobre uma infância perdida. Estreou em 30/6/2016.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO