Música

Ex-integrante da Osesp comanda a Orquestra de Metais Lyra Tatuí

Fundada em 2002, iniciativa conta atualmente com oitenta jovens de 6 a 19 anos

Por: Isabella Villalba - Atualizado em

Lyra 2191
Sem teto: os ensaios da Lyra Tatui ocorrem em um estacionamento (Foto: Fernando Moraes)

Com olhinhos de monge e um doce sorriso, o músico e professor de regência Adalto Soares comanda a Orquestra de Metais Lyra Tatui. Formado por oitenta crianças e jovens entre 6 e 19 anos, o conjunto já se apresentou pelo Brasil e em países como Espanha, Holanda e Alemanha. Seu currículo acumula 47 prêmios, incluindo seis campeonatos consecutivos pela Confederação Nacional de Bandas e Fanfarras e uma participação no Junger Künstler Bayreuth, um dos maiores festivais de música jovem da Europa. Em julho do ano que vem, a orquestra deve ir aos Estados Unidos para tocar no Texas.

A história da Lyra começou em 2002, um ano após Soares, trompista que ganhou o Prêmio Jovens Solistas do estado em 1986 e passou doze anos tocando na Osesp, ter ido morar com a família em Tatuí, a 135 quilômetros de São Paulo. O município tem mais de 100 000 habitantes e é conhecido como a capital da música.

Lyra 2192
Soares: ganhador do Prêmio Jovens Solistas em 1986, hoje rege os adolescentes da Lyra Tatui (Foto: Fernando Moraes)

“Se eu sei que o incentivo é importante, por que não começar?”, perguntou-se o músico, que idealizou o trabalho com a orquestra. Lecionando no tradicional Conservatório Dramático e Musical Dr. Carlos de Campos de Tatuí, mantido pelo governo do estado, ele e a esposa, Silvia, percussionista, convidaram os estudantes de uma escola pública de Tatuí para aprender música. A resposta superou todas as expectativas. “Na época, 312 crianças se inscreveram, mas tínhamos apenas 45 instrumentos. Com três meses de aula, não houve desistências, e a procura só aumentava”, conta Soares. Ele cedeu instrumentos a todos os aprendizes. “Comprei 80% deles, e os outros vieram de doações.”

O trabalho do músico e maestro, de sua mulher e da professora de dança Ana Cristina Machado é voluntário. Para integrar a orquestra, os pré-requisitos são a possibilidade de viajar com o grupo e de participar dos ensaios regularmente. A primeira aula é sobre respeito. “Falo para os alunos: ‘Se vocês não me respeitarem, não fico aqui. E vice-versa. A música exige o respeito dos valores, das notas e do silêncio’”, explica Soares. No repertório, 90% das composições são de músicos brasileiros eruditos e populares. As apresentações emocionam: carismáticos, os alunos sapateiam e movimentam seus instrumentos ao ritmo da música.

Raphael Sampaio, 19 anos, aluno da Lyra desde o início, pretende seguir na carreira. “Eu não tinha um rumo profissional definido. Agora sinto convicção da minha escolha”, revela o aplicado trompetista, que conheceu a Europa com a orquestra.

Hoje, a maior dificuldade do grupo é a falta de uma sede. Os ensaios, nos fins de tarde de segunda a sexta e nas manhãs de sábado, acontecem num estacionamento ao ar livre. “Gostaríamos de ampliar o projeto, mas os garotos precisam de instrumentos e de transporte”, diz o maestro. A próxima apresentação da orquestra está programada para o fim do mês, no 48º Festival Villa-Lobos, no Rio de Janeiro.

Mais informações pelo tel. (15) 3251-7522 e pelo twitter @lyratatui.

Fonte: VEJA SÃO PAULO