SPFW

Gêmeas Rute e Raquel são apostas da nova safra brasileira de modelos

Conheça algumas new faces que desfilaram na temporada de verão 2014 da semana de moda paulistana

Por: Juliene Moretti e Mayra Maldjian - Atualizado em

Rute e Raquel new faces
Rute e Raquel: gêmeas gaúchas riem da comparação com personagens de novela (Foto: Divulgação)

Não há escapatória: o primeiro grande passo para os modelos em início de carreira é sim chegar à São Paulo Fashion Week. “Definitivamente é a primeira vitrine para o new face”, diz Dílson Stein, scauter que descobriu entre outras garotas, Gisele Bündchen, Alessandra Ambrósio e Carol Trentini. “Ainda assim, a menina precisa ter consciência de que se não passou, também não é este o único caminho”, diz.

Um dos exemplos é Thairine Garcia, de 14 anos, que nunca desfilou pela SPFW por regras da casa: só são autorizados modelos com mais de 16 anos. Ainda assim, há dois anos ela é a grande aposta nacional para o mercado da moda. “Porém, sem dúvidas, aqui é uma oportunidade imensa para quem está focada e também uma forma de mostrar para as meninas que ser modelo não é brincadeira”, afirma Dílson.

Pelos corredores, não é difícil cruzar com garotas e garotos que estão prestes a entrar na passarela com pouquíssimo tempo de profissão. Tímidos e solteiros, preferem focar no trabalho a se entregar à badalação. Um erro pode ser fatal. VEJA SÃO PAULO conversou com alguns dos nomes que estão chegando na moda brasileira.

 

Rute e Raquel Radiske, 18

Rute e Raquel new faces
Rute e Raquel sem maquiagem, nas rampas da Bienal (Foto: Divulgação)

Qual das duas é a gêmea má? Tímidas, elas riem da inevitável comparação com as famosas gêmeas da novela Mulheres de Areia (Globo, 1993), protagonizadas pela atriz Glória Pires. A escolha dos nomes, porém, “não foi por causa da novela”, frisa Rute às gargalhadas.

Apesar da fama da personagem, Raquel garante que é do bem. “Teve uma vez apenas que eu me senti a gêmea má”, conta. Ela tinha conseguido um trabalho em um editorial, no entanto, precisava antes passar no cabeleireiro. “Só que atrasou e eu tive que ligar para o meu booker dizendo que não chegaria a tempo”, diz. O agente sem pensar duas vezes chamou a irmã para substituí-la. “Eu me senti mal porque eu estava lá, me produzindo, e ela, trabalhando”, diverte-se.

Agora, quebrar galhos ficou um pouco complicado. Por conta de um trabalho em Londres, na Inglaterra, Raquel precisou pintar o cabelo de castanho. “É mais fácil agora porque ninguém confunde. Não que isso fosse um problema”, ressalta. 

A estreia das garotas na SPFW ocorreu na edição de verão do ano passado. Pode parecer natural apenas andar, mas elas garantem que não é tão simples. “Depois dos desfiles assistimos aos vídeos para saber o que erramos, para tentar melhorar da próxima vez”, conta Rute.

De sotaque carregado, as gaúchas da cidadezinha de Paraíso do Sul foram encontradas durante a visita de um olheiro em sua cidade. “A gente nunca tinha pensado nisso. Nosso destino era sair do colégio e ir para a faculdade”, lembra Raquel. O olheiro explicou como funciona o mercado e os dois pares de olhos azuis brilharam. “A nossa referência era a Gisele Bündchen e então, veio o sonho”, lembra. As duas mudaram-se juntas para São Paulo e dividem um apartamento no Jardim Paulista com outras modelos novas.

Nas horas vagas, a dupla gosta de ler livros sobre o assunto e também sobre história de diversos países. “Não adianta você entender de moda, chegar a Paris e não saber nada sobre o local. Isso não pega bem”, garante a morena Raquel. "Também gosto muito de conversar com a minha irmã, ela é meu porto seguro, não é em toda menina que dá para confiar", observa a gêmea loira.

Rute, que ainda não saiu do continente a trabalho (sua experiência fora do Brasil foi no Chile), diz que se a carreira de modelo der errado, ela vai investir em gastronomia. “Eu abriria um restaurante para trazer um pouco para São Paulo a cultura do interior do Rio Grande do Sul", planeja. “Eu sinto falta de cuca, nata, queijos, sempre trago de lá quando posso.”

Fita métrica

Altura 1,78 (Rute) e 1,79 (Raquel)

Busto 83 (Rute) e 85 (Raquel)

Cintura 60 (Rute e Raquel)

Quadril 90 (Rute) e 89 (Raquel)

Manequim 36 (Rute) e 36/38 (Raquel)

Sapatos 37/38 (Rute) e 39/40 (Raquel)

 

Franklin Rutz, 24

Franklin Rutz New Face
Franklin Rutz: o new face da Joy Model Management não acreditava que seria modelo (Foto: Divulgação)

O sonho do catarinense sempre foi conhecer o mundo. Sair da cidadezinha de Benedito Novo e viajar para todos os lugares possíveis. “Só que eu sou classe média. É impossível”, diz. Por isso, quando veio a São Paulo cursar ciências biológicas, em 2011, passou a procurar por alternativas até cair no site Models.com. “Eu sabia que tinha problemas de espinhas e dentes tortos”, conta. Mas nada disso se tornou um impedimento.

Para ele, a paciência é a maior virtude de um modelo em início de carreira. “Recebi muitos ‘nãos’ durante a minha andança pelas agências”, conta. “Só que eu sei que a decisão parte apenas de uma pessoa. Ela pode não gostar de você, mas outra pode”, afirma. Até que conseguiu assinar com uma delas. “Tomei remédio para a pele e arranquei alguns dentes para melhorar o sorriso”, conta. E a partir daí, editoriais e desfiles pipocaram durante a semana de faculdade.

Terminou a faculdade e fez a sua primeira aparição no São Paulo Fashion Week, na edição extra que aconteceu em outubro do ano passado. “Depois que eu participei, surgiram convites para sair do país”, diz. No entanto, em conversas com a agência, ficou decidido fortalecer o nome aqui. O plano não durou muito. Depois desta temporada de verão, ele e os agentes voltam à mesa: ele está de partida para Milão, na Itália, e Ásia. “Meu objetivo mesmo é chegar em setembro na semana de moda em Nova York”, diz.

Fita métrica

Altura 1,87

Tórax 96

Manequim 38/40

Sapatos 42

 

Julia Fuchs, 18

Julia Fuchs New Face
Julia Fuchs: estreante na SPFW sonha alto (Foto: Divulgação)

A garota de fala mansa fez sua estreia na passarela da São Paulo Fashion Week desfilando a coleção da estilista Fernanda Yamamoto. “Foi meu primeiro desfile da temporada e, nossa, foi muito bom!”, conta deixando transparecer um certo alívio. “Eu fiquei bastante nervosa!”, desabafa. Para driblar a tremedeira, diz, costuma respirar fundo e pensar em coisas boas. Triton, Osklen e Colcci também estavam na agenda. “Agora já estou mais confiante.”

Nascida e criada em Timbó, interior de Santa Catarina, Julia sempre quis ser modelo. Aos doze anos foi em busca de uma agência em Blumenau e ali começou fazendo cursos, aula de passarela. “Fui me preparando até que consegui vir para São Paulo.”

Mudou-se para a casa da agência Joy, localizada no bairro do Jardim Paulista, há dois meses. Divide o quarto com quatro colegas de profissão, com quem desbrava a cidade, aos poucos. “A gente vem caminhar no parque de manhã”, conta. “Mas balada a gente não vai muito, eles [a agência] dão uma segurada.”

Os interesses da catarinense são todos voltados a esse universo. Ela pensa, por exemplo, em estudar moda. Sua maior referência, conta, é a Prada, "pela história e pela elegância das roupas". Fã de brechós, ainda não teve tempo de garimpar por São Paulo. Elegante no momento da entrevista, não vestia nada de grife –a camisa transparente de estampa animal e a calça preta foram um achado em sua cidade. "Estou mais 'mulherão' hoje, mas gosto mais do estilo menininha", confessa.

Depois desta temporada, a modelo deve emendar uma viagem para fora do país. “Tenho vontade de conhecer o Japão, a França, nossa, é meu sonho ir para a França.”

Fita métrica

Altura 1,78

Busto 77

Cintura 60

Quadril 86

Manequim 36

Sapatos 37

Fonte: VEJA SÃO PAULO