Negócios

Campos do Jordão abriga o hotel mais caro do Brasil

Investimento de 41 milhões será inaugurado nesta segunda (1º)

Por: Rachel Verano - Atualizado em

LO3D1061
A fachada do Botanique: conceito de "pós-luxo" (Foto: Mário Rodrigues)

Quanto vale dormir em lençóis de 1.000 fios bordados a mão, de onde se vislumbram as montanhas a perder de vista da Serra da Mantiqueira, na divisa entre São Paulo e Minas Gerais? O mesmo que acordar na Ilha de Giudecca, de camarote para a Piazza San Marco e o Canal Grande, em Veneza, no lendário Hotel Cipriani. Ou cerca de 50% menos do que amanhecer em um dos quartos do luxuoso Plaza Athénée de Paris, com vista para a Torre Eiffel, spa com tratamentos assinados pela grife Dior e restaurante três-estrelas Michelin comandado pelo aclamado chef francês Alain Ducasse.

+ Montadora italiana permite fazer Ferrari sob medida

Essas comparações com o exterior se aplicam ao novo hotel de Campos do Jordão, o Botanique Hotel & Spa, cuja inauguração está prevista para segunda-feira, 1º de outubro. Localizado a meia hora de distância do centro da cidade, ele é fruto de um investimento de 41 milhões de reais. Tem apenas seis quartos e onze bangalôs, com a diária inicial mais cara do país: 2.500 reais para o casal, incluindo todas as refeições (dependendo do tipo de acomodação, esse valor pode chegar a 6.000 reais).

Hotel Botanique - Campos do Jordão
A vista da região: todos os detalhes foram pensados com exclusividade (Foto: Mário Rodrigues)

A título de comparação, a estada no classudo Hotel Fasano Boa Vista, no município de Porto Feliz, a 100 quilômetros da capital, custa a partir de 900 reais, com direito a café da manhã. “Não vendemos hospedagem, vendemos experiências”, diz Fernanda Ralston Semler, uma das proprietárias do Botanique. “Nossa filosofia é baseada no ‘pós-luxo’.” O conceito em questão se refere ao alto preço cobrado hoje em troca de produtos e serviços artesanais e sofisticados.

No caso do novo estabelecimento de Campos do Jordão, isso significa que todas as torneiras jorram água mineral puríssima, que o blend do café foi criado especialmente para o hotel com uma seleção dos melhores grãos nacionais e que todos os aromas — dos ambientes aos xampus e creminhos — foram desenvolvidos igualmente com exclusividade. Os mimos começam antes mesmo do check-in (que, aliás, não existe formalmente).

LO3D1000
A proprietária Fernanda Ralston Semler: prioridade a produtos nacionais (Foto: Mário Rodrigues)

Basta estalar os dedos para que um motorista busque as malas na casa dos hóspedes, em São Paulo, e arrume as roupas no armário. Ao ir embora, também não é preciso se preocupar com a arrumação: a bagagem será novamente transportada pelo funcionário no dia seguinte, com todas as peças lavadas e passadas. Ainda assim cansou da viagem? O spa resolve o problema com tratamentos como flutuação em uma banheira de água salgada enquanto um filme com imagens calminhas da natureza é projetado no teto.

O empreendimento começou a ser rascunhado há oito anos por um grupo que incluía nomes como o empresário Roberto Baumgart, dono dos shoppings Lar Center e Center Norte, e o chef Laurent Suaudeau, que comandaria o restaurante. Muitos palpites e desavenças depois, permaneceram no negócio apenas a família Semler, que detém 70% da participação, e os pesos-pesados estrangeiros David Cole, fundador da AOL, e Gordon Roddick, o milionário da marca The Body Shop.

LO3D0902
Um dos bangalôs: diárias custam de R$ 2.500 a 6.000 (Foto: Mário Rodrigues)

“O Botanique nasceu de uma paixão pelo nosso país”, diz Ricardo Semler, marido de Fernanda e proprietário do grupo Semco. Nos anos 90, ele ficou famoso com o best-seller Virando a Própria Mesa e se tornou um dos palestrantes empresariais mais requisitados do país. Em 2007, porém, levou ao pé da letra o título de seu livro de maior sucesso: decidiu abandonar tudo, trocando São Paulo por Campos do Jordão.

No mesmo terreno onde ergueu sua casa, abriu espaço para a construção do Botanique. Tudo por lá, dos móveis às obras de arte, incluindo (surpresa!) a carta de vinhos, é de procedência nacional. Para que só entrasse no portfólio do hotel a crème de la crème, os donos contaram com a curadoria de especialistas nos mais diversos campos.

LO3D0754
O prato gargouillou da mantiqueira: produtos selecionados a dedo (Foto: Mário Rodrigues)

Adélia Borges, professora de história do design da Neg, foi a responsável pela escolha dos móveis. O resultado são peças cheias de história assinadas por nomes que vão de Sérgio Rodrigues a Aristeu Pires, Paulo Alves e Porfírio Valadares. A escolha dos 403 títulos da biblioteca ficou a cargo do crítico literário Cassiano Elek Machado, que garimpou raridades em 82 endereços de todo o Brasil. A seleção das obras de arte coube a Ricardo Trevisan, da Casa Triângulo, uma das melhores galerias de São Paulo.

E a pesquisa gastronômica acabou comandada pelo chef Gabriel Broide, ex-sócio do restaurante Dois, na capital. De tempos em tempos, ele faz expedições pela mata da região para coletar produtos exclusivos. Já encontrou frutas vermelhas e espera ansiosamente pelos saborosos cogumelos de pínus, que devem brotar com as chuvas de verão. Sua proposta é privilegiar os ingredientes frescos em receitas contemporâneas, caso do gargouillou da mantiqueira, uma releitura do famoso prato criado pelo francês Michel Bras em seu restaurante em Laguiole, no sul da França, com até cinquenta itens da horta. 

 

Mordomias em série

O perfil e as atrações do hotel

Investimento: 41 milhões de reais

Acomodações: seis quartos e onze bangalôs de até 450 metros quadrados

Diárias: De R$ 2.500,00 a R$ 6.000,00 para o casal, com todas as refeições incluídas

Infraestrutura: quadra de tênis, cinema para duas pessoas com chaiseslongues, spa de 900 metros quadrados

Curiosidades: menu de cervejas artesanais e águas minerais brasileiras, blend de café exclusivo, frigobar com produtos retrôs (de Tubaína a balas Galo Doce)

Fonte: VEJA SÃO PAULO