Cultura

Homenagem a Elis Regina reúne livro, exposição e show

Fotos inéditas e apresentação de Maria Rita lembram o trigésimo ano da morte da cantora gaúcha, que morou e brilhou em São Paulo

Por: Carol Pascoal - Atualizado em

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Em Porto Alegre, Elis Regina (1945-1982) nasceu. No Rio de Janeiro, ela tornou-se a Pimentinha, apelido criado por Vinicius de Moraes em referência ao seu gênio terrível. Mas foi em São Paulo que a cantora brilhou, viveu e consagrou-se como a maior intérprete da música brasileira. Entre 1965 e 1967, ela e Jair Rodrigues estiveram à frente do programa “O Fino da Bossa” — gravado às segundas no extinto Teatro Record, na Rua da Consolação. Aqui, participou da polêmica marcha contra a guitarra elétrica, em 1967. Oito anos mais tarde, deu início ao emblemático espetáculo “Falso Brilhante”, no também desaparecido Teatro Bandeirantes, na Avenida Brigadeiro Luís Antônio. Ao longo dos catorze meses em que o show ficou em cartaz, fez 257 apresentações e reuniu um público de 280.000 espectadores.

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A cidade também assistiu à sua morte precoce. Em 19 de janeiro de 1982, uma overdose de cocaína pôs fim à trajetória de Elis, aos 36 anos. Naquela ocasião, 25.000 pessoas passaram pelo velório, no mesmo Teatro Bandeirantes, e outra multidão seguiu em um lento cortejo até o Cemitério do Morumbi, onde a estrela foi enterrada. 

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João Marcello Bôscoli: “Eu me emociono com a obra, independentemente da relação familiar” (Foto: Ricardo Correa)

Decorridos trinta anos (e com quase três meses de atraso), ela é lembrada em uma série de homenagens. Organizado por seu filho João Marcello Bôscoli, fruto do casamento com o compositor Ronaldo Bôscoli, o projeto itinerante “Viva Elis” desembarca em São Paulo. Reúne uma exposição, um show, um documentário e um livro centrados na artista (o pacote tem o patrocínio da empresa de cosméticos Nivea, responsável por um investimento de 36 milhões de reais). “Eu me emociono com a obra dela, independentemente de ser minha mãe”, afirma João Marcello.

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A partir de sábado (14), o Centro Cultural São Paulo, no Paraíso, recebe a mostra com mais de 250 fotos raras, ingressos de espetáculos, recortes de jornais e capas de discos que ajudam a contar a história de Elis. Quando morreu, a casa que possuía na Serra da Cantareira, na Zona Norte, foi invadida por fãs, que levaram dali vários objetos como recordação. Alguns itens acabaram sendo recuperados e integrados ao projeto. Outra raridade é o álbum de seu primeiro casamento. Em uma de suas explosões, Elis jogou tudo no lixo assim que se separou de Bôscoli, em 1972, mas uma pessoa que trabalhava para ela recolheu a coleção de fotos e a devolveu agora para a exposição. Também serão exibidas reproduções de figurinos usados pela cantora em espetáculos. Baseado em imagens antigas, o estilista Fause Haten ficou responsável por recriar os looks. 

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Maria Rita, no show do Rio: pela primeira vez, ela explora o repertório da mãe (Foto: Miguel Sá)

Com o pianista César Camargo Mariano, ela teve mais dois filhos: Pedro Mariano e Maria Rita, que desde sua estreia como cantora sempre foi comparada à mãe. Por isso, surpreendeu o irmão João Marcello e os fãs quando, vencendo sua própria resistência, demonstrou a vontade de subir ao palco para cantar, pela primeira vez, apenas sucessos eternizados pela voz de Elis Regina. “Sinto que o público amadureceu durante esses últimos anos, percebendo e aceitando as semelhanças assim como as diferenças entre nós”, explica Maria Rita. A apresentação gratuita acontecerá no Parque do Ibirapuera no dia 22. O repertório de trinta faixas inclui “Águas de Março”, “Saudosa Maloca”, “O Bêbado e a Equilibrista”, “Fascinação” e “Romaria”. “Não me cobro mais por cantar o repertório de Elis, mas não vou ser prepotente e negar que isso não mexa comigo”, completa ela.

Há mais iniciativas. Originalmente lançada em 1985, a biografia “Furacão Elis” (Leya Brasil, 272 páginas, R$ 39,90), de Regina Echeverria, ganhou uma nova edição. O jornalista Julio Maria, de “O Estado de S. Paulo”, também prepara um livro sobre a cantora, com lançamento previsto para o segundo semestre. Ainda aproveitando a data, a Universal Music decidiu reeditar suas gravações na Phonogram/Philips entre 1965 e 1979. São duas caixas com doze CDs cada uma, entre eles o belíssimo “Elis & Tom”, para o deleite de seus admiradores.

Fonte: VEJA SÃO PAULO