Especial trânsito

Como Gilberto Kassab escapa do congestionamento de São Paulo

Frequentemente transportado de helicóptero para dar conta da agenda apertada, prefeito fica bem acima do sufoco das ruas

Por: Carolina Giovanelli, Catarina Cicarelli, Daniel Salles, Giovana Romani, Isabella Villalba, Manuela Nogueira, Mauricio Xavier e Tomás Chiaverini

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Kassab, no heliponto do Edifício Matarazzo, sede da prefeitura, na última terça: dezenove horas mensais de voo (Foto: Cida Souza)

É sabido que nos últimos meses o prefeito Gilberto Kassab tem gastado boa parte de sua energia em articulações políticas para a fundação de seu novo partido, o PSD. Quando questionado sobre qual é o principal problema da cidade, ele invariavelmente cita dois: educação e saúde. “Mas, se você perguntar o que mais incomoda no dia a dia, quase sempre dirão que é o trânsito”, declarou o prefeito a VEJA SÃO PAULO, na última terça (29). “Sofro com o trânsito como todo mundo. Um trajeto de quinze minutos acaba levando uma hora”, afirmou.

Para dar conta da agenda apertada, no entanto, o prefeito muitas vezes troca o tráfego da cidade que comanda pelas viagens-relâmpago no céu. Quando parte de sua residência, no Jardim Paulistano, para a sede da prefeitura, no centro, o prefeito geralmente encara três minutos de voo a bordo de um Esquilo, o helicóptero mais comum na frota paulistana, de quase 600 aeronaves. Um motorista normal leva 35 minutos para fazer o mesmo trajeto. De ônibus, 53 minutos. De metrô (indo de ônibus até a estação Faria Lima e de lá até o Anhangabaú), quase uma hora. Kassab voou em 2010, em média, dezenove horas mensais. No mês de janeiro, por exemplo, a prefeitura desembolsou 429.732 reais para que Kassab pudesse chegar pontualmente a seus compromissos.

3 MINUTOS

é o tempo que o prefeito gasta de sua residência, no Jardim Paulistano, à sede da prefeitura, no centro

11 KM

é a extensão de corredores de ônibus implantados nesta gestão, longe da promessa de fazer 66 até 2012

11%

é o porcentual do último reajuste da passagem de ônibus, que chegou a R$ 3,00, subindo acima da inflação

Fonte: VEJA SÃO PAULO