Carreira

Daniel Perassolli: olheiro do Fifa Soccer

Paulistano acompanha as partidas no campo para reproduzir a realidade no mundo virtual

Por: Flora Monteiro

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Daniel Perassolli, no Morumbi: ele assiste a 150 jogos do Brasileirão (Foto: Fernando Moraes)

Assistir a 150 partidas do Campeonato Brasileiro e, em vários casos, mais de um confronto ao mesmo tempo. Essa é a missão de Daniel Perassolli, que comanda uma equipe responsável por acompanhar as mudanças dos vinte clubes da Série A (mais a seleção brasileira) para manter o game” Fifa Soccer” atualizado.

Nos dias de rodada, ele se divide entre a televisão e os estádios da cidade. “Preciso analisar 100 aspectos de cada jogador e reproduzir, no mundo virtual, exatamente como ele é no real”, explica. Entre essas características estão critérios técnicos, aparência física, comportamento (como a frequência com que o atleta reclama do árbitro) e até uso do uniforme — se a camisa fica para fora do calção, por exemplo. “Até hoje o sistema só não me permitiu replicar uma situação: criar uma chuteira vermelha e outra preta para o Richarlyson, como ele se apresentava na época em que defendia o São Paulo”, lembra.

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O resultado é conferido pelo público três vezes ao ano: no lançamento da nova versão e nas atualizações disponibilizadas pela internet. Como tudo o que envolve paixão clubística, as críticas são frequentes. “Os torcedores sempre reclamam que seu time está mais fraco do que é de verdade”, diz. Palmeirense, ele tenta ser imparcial. Nem sempre consegue. “Em 2010, deixei o Marcos (ex-goleiro) uns dois pontos mais forte do que devia enquanto ele esteve machucado”, confessa.

Além de alimentar o game, Perassolli é coordenador de arbitragem da seletiva anual brasileira para o mundial de “Fifa Soccer”. O torneio mais recente ocorreu em maio, no Shopping Eldorado, e reuniu 440 jogadores. “Os árbitros fiscalizam as infrações cometidas pelos participantes, como ‘pausar’ a partida no momento em que o adversário está no ataque ou olhar o controle do rival para tentar adiantar onde ele vai bater o pênalti”, conta.

Fonte: VEJA SÃO PAULO