Serviço

Curso de culinária atrai jovens e socialites

Interessados em desvendar os mistérios do fogão, novatos nas panelas têm aprendido a cozinhar em salas de aula

Por: Nathalia Zaccaro - Atualizado em

Curso de culinaria
Luiza (no centro) e algumas de suas clientes: aula no supermercado (Foto: Fernando Moraes)

A professora Luiza Zaidan, de 27 anos, está acostumada: quando começa uma turma em sua escola, é quase certo que receberá ligações noturnas para ajudar a resolver emergências. “Nos primeiros jantares que as alunas fazem sozinhas, é comum ficarem inseguras e procurarem ajuda”, conta. “Parece até que sou médica.” Os motivos dos momentos de pânico variam muito. “Minha empregada picou a cebola há algumas horas e acho que está com um cheiro estranho. Será que estragou?”, perguntou, certa vez, uma aprendiz.

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Outra precisava de creme de leite fresco para uma receita e não sabia se estava no caminho certo. “Comprei em lata, faz diferença?”, queria saber a pupila. Sempre paciente, Luiza esclarece as dúvidas. “Procuro explicar tudinho, pois sei que muitas das meninas não têm noção de nada.” 

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Daniel, Thomas, Ana Paula e Cacá: clima de confraternização (Foto: Fernando Moraes)

Formada em gastronomia pela Universidade Anhembi Morumbi, a professora criou, no ano passado, um curso em Pinheiros especializado em desvendar os mistérios do fogão às novatas: o Cozinha da Lu Zaidan. Lá, cobra-se uma taxa de 300 reais por dia de aula. A maior parte do grupo de clientes é formada por jovens socialites como Luciana Tranchesi, de 24 anos, herdeira da família que criou a marca Daslu.

Blogueiras de moda e comportamento bem-sucedidas como Mica Rocha, Lelê Saddi e Thássia Naves também fazem parte da relação de matriculadas. No total, cerca de 140 pessoas já passaram pela escola. Algumas chegam lá sem nunca ter fritado um ovo na vida. Depois de um tempo de experiência, a professora achou interessante incluir uma disciplina na grade curricular: como fazer compras no supermercado.

“Conto o que é cada coisa e como selecionar”, explica. No dia combinado, a turma se encontra na loja escolhida, munida da lista de produtos. “Isso é maravilhoso, decidir o que levar não é tão fácil quanto parece”, entende a estilista Manoela Assumpção. “Antes do curso, eu comprava filé-mignon para fazer carne moída.” 

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Lu Tranchesi, neta da criadora da Daslu: na lista de matriculadas (Foto: Deco Rodrigues)

Com os ingredientes em mãos, as aprendizes podem seguir para a residência de uma delas ou para a escola. Em clima de festinha na casa de amigos, com direito a taças de vinho e comilança no final, as mocinhas dão seus primeiros passos culinários. “Como sei que elas querem praticidade, não perco tempo ensinando a picar carne ou descascar abóbora. Esse tipo de coisa já se pode encontrar dessa forma ou é possí-vel pedir a uma funcionária que deixe no jeito”, diz Luiza.

Levar o maridão para assistir ao aprendizado também é uma boa pedida. “No fundo ele só espera ficar tudo pronto para a hora do jantar, mas sua presença é um ótimo incentivo para mim”, afirma a empresária Cacá Araujo, que há dois meses (e na companhia do marido, Daniel) aprendeu uma técnica para cortar cebola, ao lado do casal de amigos Ana Paula Junqueira e Thomas Monteiro.

O cardápio é variado. Passa por sopas, saladas, carnes e doces. Porém, existe uma unanimidade. “Todas querem aprender a fazer churros”, diz Luiza, sobre a sobremesa da moda nos restaurantes da cidade. “Eu fiquei craque”, comemora Cacá. No início de maio, a professora partiu com algumas de suas seguidoras para um fim de semana em Itacaré, na Bahia, a convite de um resort de luxo. “Mas não dei descanso: ensinei a fazer moqueca”, conta.

Cozinha da Lu Zaidan. Rua Padre Carvalho, 73, Pinheiros, 2539-8780.

Fonte: VEJA SÃO PAULO