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Como trabalhar no Google

“Dispensamos quem se acha o bonzão”, diz diretora de RH da empresa

Por: Daniel Bergamasco

Monica Santos - RH do Google
A diretora de RH do Google: "A pessoa que entrega o resultado, mas deixa um rastro de sangue no caminho não nos interessa" (Foto: Divulgação)

Alguém ousado, com grande capacidade de raciocínio lógico e cheio de iniciativa, não só no trabalho, mas na vida pessoal. Se você é assim, uma das mais de cinquenta novas vagas que o escritório do Google abrirá até o final do ano pode ser sua. A responsável pelo recrutamento é a carioca Mônica Santos, diretora de recursos humanos para a América Latina, baseada em São Paulo. A seguir, ela fala sobre o perfil buscado pela companhia.

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VEJA SÃO PAULO — Que perfil o Google procura?

Mônica Santos — Em primeiro lugar, pessoas que possuam histórico de iniciativa e perfil empreendedor, assumam riscos e não tenham medo de colocar a mão na massa. Não estou falando apenas de ambiente formal, de experiência profissional, mas da vivência do candidato.

VEJA SÃO PAULO — De que forma?

Mônica Santos — Ele pode ter sido um líder do centro acadêmico na universidade, montado uma banda, feito trabalho voluntário... Ou seja, ter o “googlement”, como nós chamamos o jeito de ser da empresa. O Google se posiciona como uma companhia que veio para mudar o mundo, e precisa de pessoas com esse apetite – seja alguém que fez algo por crianças doentes ou superou os próprios limites como maratonista.

VEJA SÃO PAULO — Nas entrevistas feitas por VEJA SÃO PAULO no escritório paulistano, a prática de esportes foi citada pela maioria dos dez funcionários entrevistados. É algo obrigatório no perfil pessoal?

Mônica Santos — Não, foi apenas uma feliz coincidência. Nós buscamos a diversidade. Claro, porém, que almejamos ter a equipe mais saudável do mundo e incentivamos isso, pagamos 180 reais mensais de subsídio para quem faz academia.

VEJA SÃO PAULO — Em que casos um profissional de excelentes realizações na carreira é dispensado de cara pelo RH do Google?

Mônica Santos — Por exemplo: gente competente, mas acostumada a um ambiente muito hierárquico. Aqui em São Paulo, qualquer um fala diretamente com o diretor-geral Fábio Coelho se quiser levar uma ideia. Todo mundo trabalha junto. A pessoa que entrega o resultado mas deixa um rastro de sangue no caminho não nos interessa.

VEJA SÃO PAULO — E como detectar essas características?

Mônica Santos — No processo seletivo, isso acaba ficando claro. Gente que conta suas realizações como se fosse o bonzão, que sempre resolveu tudo sem a participação dos pares, está descartada. É claro que nada é infalível e se contratamos a pessoa errada, revemos a decisão. Mas nossa taxa de acerto é muito alta.

VEJA SÃO PAULO — Para as áreas de vendas e marketing, predominante no escritório de São Paulo, o Google aceita gente de diversas graduações. Isso vale apenas para os mais jovens? Quem tem 40, 50 anos e quer mudar de área pode concorrer a uma vaga?

Mônica Santos — Uma pessoa nessa faixa etária não está começando do zero, ou seja, tão muita história para contar, e isso é bem-vindo. Os funcionários do Google são em geral bem jovens (30 anos, na média em São Paulo) , mas há quem tenha quase 60 e, em outros países, mais de 70. Há gente com cabelo branco , e sem cabelo também.

VEJA SÃO PAULO — Egressos de universidades menos conceituadas, com conceitos medianos no Ministério da Educação, têm chance?

Mônica Santos — As boas universidades são valorizadas. Mas estamos menos preocupados com a instituição em si e mais com o desempenho da pessoa ali. Não adianta ter feito USP e contabilizar um histórico de notas fracas, por ter só ficado no barzinho. Queremos quem corre atrás das coisas, e isso pode incluir faculdades que não são necessariamente de ponta.

VEJA SÃO PAULO — Qual o nível mínimo de inglês?

Mônica Santos — De avançado a fluente. Não precisa parecer nativo, sem sotaque. É preciso entender bem uma reunião e saber se expressar nela. Não se trata de mera formalidade, mas de algo que será muito usado no cotidiano.

VEJA SÃO PAULO — Por que há processos seletivos tão longos, de quase um ano?

Mônica Santos — Não abrimos mão da exigência mínima para aquela vaga, mesmo que demore. Mas procuramos levar algumas semanas para escolher alguém. Quando o Google começou, havia outro fator, candidatos entrevistados por umas oito pessoas. Hoje, são quatro.

VEJA SÃO PAULO — Ex-participantes do recrutamento relataram à reportagem que o entrevistador costuma apresentar um problema de lógica para o candidato resolver.

Mônica Santos — É verdade, pois valorizamos a grande capacidade cognitiva. Vale mais o raciocínio até a resposta do que o resultado em si.

 

 

 

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO